Estes pilotos fantásticos e suas máquinas caprichosas… Coluna Sexta Marcha (GP de Cingapura)

Chegaram ao blog as linhas da coluna sobre o GP de Cingapura, tais e quais publicadas nas edições impressa e digital do Estado de Minas. Da corrida, além do que está escrito, a se falar apenas da capacidade da Mercedes de complicar uma temporada encaminhada – olha que eu me refiro à decisão de manter Lewis Hamilton na pista enquanto os rivais haviam feito pitstops com o safety car, obrigando o inglês a usar tudo o que tinha na manga do colete para retomar o lugar que era seu de direito. E sobre o temor de Toto Wolff de ver o campeonato decidido pela cota de problemas (ou de sorte), o texto abaixo mostra que só com muita torcida mesmo para a coisa ser justa…

Estes pilotos fantásticos

e suas máquinas caprichosas…

    O amigo leitor saberia dizer qual o tempo necessário para colocar em funcionamento o conjunto propulsor de uma Audi R18, dessas que disputam o Mundial de Endurance? Pensou em 20 minutos, meia hora? Pois é, passou longe. O procedimento, de acordo com a situação, pode começar seis horas antes de os sinais vermelhos se apagarem e ter início uma prova da categoria… Mas, pera aí, este espaço não deveria predominantemente falar da F-1?

    Sim, e é aí que eu queria chegar. Fazer uma das máquinas da principal categoria do automobilismo internacional estar em condições de render o máximo pode não demorar tanto, mas não é simples tarefa de minutos. Se a ideia de tornar os carros mais dependentes da energia recuperada e menos dos combustíveis de origem fóssil é louvável, na prática a teoria se mostrou bem mais complicada. Estique a quantidade de cabos escondida sob as carenagens e você terá pelo menos oito voltas completas pelas ruas de Cingapura. Sem contar que o ERS ligado às rodas traseiras, ao buscar na frenagem a alimentação que será devolvida em forma de potência extra também freia o carro – os engenheiros da Brembo, principal fornecedora do circo, admitem que os discos este ano são menores e menos espessos, e toda a traquitana exigiu a criação de mais um dispositivo eletrônico (o Brake-by-wire) para evitar que a ação do pedal não se repercuta nas rodas de trás como o piloto espera.

    Com certeza era bem mais simples nos tempos em que bastava prender um confiável Cosworth DFV a um chassi, com uma caixa de câmbio Hewland que se comprava praticamente no supermercado e estava tudo resolvido. Tempos em que os erros (e os acertos, lógico), dependiam bem mais do piloto, que era senhor de seu destino. Deu agonia ver a tentativa de instalar um novo volante na Mercedes de Nico Rosberg e a estrela-símbolo da marca aparecendo no meio da tela, como que a dizer: ‘espera aí, compatriota, que o computador travou e está reiniciando tudo’. E basta um probleminha nessa montoeira de cabos já citada para ficar sem a propulsão híbrida, como se fossem uns dois cilindros a menos para empurrar.

    Principalmente considerando que estamos falando do time que soube, mais do que os outros, usar cada cavalo, mas também cada kilowatt permitido pelo regulamento. O V6 fabricado em Brixworth não necessariamente é melhor do que os rivais sozinho. Já a unidade de potência alemã, essa dá um banho nas de Ferrari e Renault; lógico, quando tudo sai como o previsto.

    Imagino que os admiradores de uma boa teoria da conspiração tenham munição para voltar à carga e acreditar que, se em Monza Nico Rosberg realmente freou tarde demais nas duas vezes em que foi superado pelo companheiro, nas ruas de Marina Bay teria sido vítima de uma ação orquestrada para embolar as cartas. Menos, gente, menos. Lewis Hamilton teve bem mais problemas, e a maioria bem menos “charmosos”, se dá para falar desta forma  – na Austrália foi um mísero cabo de vela solto. E é de se esperar que, quanto mais complicada a máquina, mais panes vá apresentar. O lado ruim da história é justamente esse: a definição do campeão pode não ocorrer por merecimento ou talento, mas por sorte, bênção, iluminação, ou como se quiser chamar. E só para citar mais uma história interessante envolvendo a F-1 recente, nesta mesma Cingapura, na corrida de 2008, Mark Webber, com a Red Bull, abandonou devido a uma… interferência provocada pela linha de metrô adjacente à pista nos sistemas do carro. Goste-se ou não, a F-1 agora é assim, e não há como ser purista a ponto de querer que voltemos aos tempos românticos…

Quem te viu…

Se a coluna atribuísse notas aos pilotos como é o caso dos jogos de futebol, Felipe Massa merceria um nove sem miséria. Nem tanto pelo quinto lugar em si, mas pelas circunstâncias do resultado. Não custa lembrar que boa parte da diferença entre ele e Fernando Alonso nos tempos de Ferrari se deu pela capacidade de cuidar dos pneus. Enquanto o espanhol tinha reserva, os do brasileiro já estavam em frangalhos. E o fim de semana começou mal para as Williams justamente porque o acerto do carro fazia com que a temperatura da borracha subisse muito, e rápido. Pois foi justamente o sr.papa-borracha do grid a se manter na pista por 37 voltas (guiando como uma vovó, tudo bem…), superando as mais otimistas previsões da Pirelli. Assim é que se faz…

                                    Mercedes AMG Petronas/divulgação

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