Samba do carro doido: e adivinhe quem está por trás?

Era uma vez a equipe Kodewa, de um certo Colin Kolles, que se arvorou a construir um protótipo LMP2 por conta da Lotus, quando a atual emanação da marca, em mãos de capital malaio, achou que poderia e deveria competir em praticamente toda e qualquer categoria – em 2012 surgiu um motor para a Indy tristemente fraco; chegou a surgir um esboço de modelo para a Moto GP e o objetivo era trazer de volta para as competições de GT os modelos Elise e Exige. Pois o que fez o dentista romeno, cujas aventuras e desventuras foram devidamente comentadas neste espaço: contratou um escritório de projeto, a Adess, de Stephane Choose, para transformar a iniciativa em realidade. De onde surgiu a Lotus T128, que deu as caras nas pistas ano passado sem resultados mirabolantes (a Lola usada antes pelo time fazia melhor).

Eis que Kolles e Choose iniciaram uma disputa judicial em que cada lado alegou que o outro não cumpriu suas obrigações contratuais – e os carros chegaram a ser colocados sob custódia em Le Mans, até serem liberados para correr depois de uma guerra de limiares. Naquela de varrer a poeira para baixo do tapete, não apenas a coisa continuou, como a Lotus, ou Kodewa, ou como quer que se chame a equipe se arvorou a construir um LMP1, sem sistemas híbridos. Que deveria ter um motor V8 derivado dos usados pela Audi no DTM, mas a coisa naufragou, e foi necessário apostar no biturbo AER. O P1/01 foi apresentado no fim de semana das 24h de Le Mans deste ano, com pompa, circunstância e post no blog…

Foi só a máquina ganhar o público para que surgissem os primeiros questionamentos. A revista inglesa Racecar Engineering esmiuçou as imagens e mostrou que o chassi, teoricamente 100% novo, era uma versão recauchutada do da Lotus T128, com os devidos reforços e ajustes por conta da maior potência e das regras. Choose, a esta altura, deve estar preparando novamente a papelada para voltar à carga.

E como se não bastasse, em sua premiére diante do público, não mais havia qualquer referência à Lotus. O carro comandado por Christophe Bouchut, James Rossiter e Lucas Auer (sobrinho de Gerhard Berger) – ao menos o trio de pilotos é de qualidade – apareceu nas 6h de Austin como CLM P1/01, e ninguém na equipe fez qualquer referência. Os colegas mais espertos, de revistas e sites respeitadas, muito provavelmente mataram a charada: a sigla é de Caterham Le Mans, já que Kolles está à frente do grupo que assumiu o time da F-1 (como consultor)…

Entendeu tudo? Se não é o caso, eu explico – um carro nascido como Lotus, mas concebido por outra empresa, fez um time que não é a Lotus pensar em criar outro, 100% inédito, mas que pega emprestado o chassi da Lotus. E a nova Lotus estreia nas pistas como… CLM. Eita, doutor Kolles…

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s