Max Verstappen, e a coluna antes da coluna…

Bem que eu podia esperar pelo desenrolar de toda a programação do GP do Japão para, na coluna que sucede a corrida, no Estado de Minas (desta vez só na versão digital e aqui no blog, por causa das eleições…), falar sobre a estreia de Max Verstappen num evento oficial comandando um F-1. Mas algumas reações na mídia especializada e menos especializada me assustaram, e eu explico. Lógico que um piloto de 17 anos conseguir o 12º tempo no seu primeiro contato com um carro na configuração atual é um feito e tanto, que não é qualquer um que fará o mesmo, mas é justamente aí que eu quero chegar.

Levar um F-1 ao limite hoje em pouco tempo é muito mais fácil, não importa o quanto se diga o contrário. A começar pelo processo de preparação – os simuladores estão muito distantes de meros videogames (e o holandês revelou ter usado a ajuda do Playstation) e conseguem reproduzir com absurda fidelidade as reações do carro na pista. O poder de frenagem, o efeito da carga aerodinâmica, o deslocamento das massas, as reações do motor, até onde se pode ir sem passar o limite, e o que o conjunto permite fazer. Bem diferente dos tempos (não muito distantes), em que as primeiras voltas num traçado eram preciosíssimas e únicas fontes de aprendizado – a equipe contava com um acerto-base que era a única referência, para o bem ou para o mal.

Tempos em que, por mais que o piloto se acostumasse rapidamente, causava algum espanto a capacidade de frear dentro da curva e o efeito do ar grudando o carro ao asfalto. A constatação de até onde era possível chegar provocava um “uau”, mudava completamente todos os parâmetros acumulados em anos e anos de carreira. E não havia tantas informações pelo rádio para ajustar frenagem, ajuda dos motores híbridos, diferencial, regime de rotações do motor, consumo, sensibilidade da embreagem e tantas outras coisas mais. Era nos pés e no traseiro.

Porque Max Verstappen haverá de ser um senhor piloto, mas nunca foi nada de outro mundo, considerando o equipamento que teve à disposição – era piloto oficial da CRG durante as temporadas no kart e contava com os motores cuidadosamente preparados pelo pai, que sempre foi bom nisso. Tive a chance de vê-lo em ação na pista e me pareceu algo agressivo demais, a ponto de desagradar vários adversários. E se faz bonito na F-3, como vice-líder no Europeu em seu primeiro ano com um monoposto, tenha certeza de que limou quilômetros de testes com o Dallara por meia Europa, além de disputar a Winter Series da Ferrari nas pistas da Flórida. Nada de um desconhecido que caiu de para-quedas na categoria. E assim já está sendo na F-1: depois da rodada na exibição em Roterdã (que não conta, já que não é teste), acelerou com a Toro Rosso de 2012 em Adria, na Itália; estreou ontem com o maquinário 2014 e vai repetir a dose em Austin, Interlagos e Abu Dhabi, quando também poderá disputar o teste dos jovens.

Lógico que, quando se tem um talento acima da média, a prática leva à perfeição. Mas já tive, nesse espaço, a chance de dizer que me assusta a possibilidade de queimar etapas e dar saltos tão grandes, coisa que nem mesmo Vettel, Bottas, Hamilton, Ricciardo ou Magnussen ousaram fazer. Deveria ser muito difícil, o teste máximo de capacidade de pilotagem, mas, se um moleque que ainda não tem idade para dirigir nas ruas consegue, e bem, alguma coisa está errada…

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