Por Lênin (#ForcaJules)

*** Pois o circo rompeu a última fronteira e finalmente acelerou em terras russas; o que aliás, esperava-se há bem mais tempo do que em locais como Barein e Coreia do Sul, com todo o respeito que merecem. Basta ler as duas primeiras linhas para entender como o outrora “inimigo vermelho” (não meu…) pode ter demorado a entrar de cabeça no automobilismo, mas está tirando o atraso com sobras. E a corrida foi até animadinha, embora o senhor Nico Rosberg mostre, com os vários pequenos erros em sequência, que não é tão forte psicologicamente quanto se imaginava, Curta a coluna e um abraço…

  Por Lênin

    (#ForçaJules)

   

    Sirotkin, Martsenko, Matveev, Isaakyan, Pronenko, Evstigneev, Orudzhev, Tereschenko, Korneev, Romanov, Salikhov, Markelov, Zlobin e Kaminskiy. Não é escalação de time de futebol (mesmo porque tem gente demais), mas uma lista dos camaradas que defendem o Exército Vermelho (e azul e branco) nas principais categorias de base do automobilismo Europa afora. E que serve para mostrar como a Rússia, há muito tempo, merecia seu lugar ao sol no circo. Ao sol e entre mar e montanha, com o Parque Olímpico de Sochi como moldura de um circuito que, para o primeiro ano, proporcionou uma corrida movimentada e, felizmente sem sustos, o que não é garantia de que se repita nos próximos anos – assim ensinam os outros traçados “by Hermann Tilke”.

    Me estranhou apenas, e aí talvez tenhamos uma consequência do triste acidente de Suzuka, que não tenhamos tido, em certas áreas de escape, barreiras como as de Monza, para desencorajar o corte de caminho ou fazer com que ele fosse punido com perda, e não ganho de tempo. Numa categoria que ficou obcecada com o respeito às linhas do traçado, ficou bastante barato para quem perdeu o ponto de freada no retão. E a interminável curva que margeia a praça onde está a pira olímpica aproveitou o que já existia de forma sensacional. Não chegamos a ter algo como Montreal, mas é infinitamente melhor, por exemplo, do que Cingapura, ou outras pistas que se foram sem deixar saudade.

    Mas eu falava da legião russa e de como foi difícil chegar ao estágio atual. Do período de Guerra Fria nem falamos – e que curioso que as equipes embalem tudo em Sochi para seguir… para os Estados Unidos, sem qualquer outra etapa a separar os outrora rivais políticos – mas, quando teve início a abertura, tentou-se usar o potencial da indústria aeroespacial para criar máquinas que voassem nas pistas. Nem é preciso dizer que não deu certo, menos por falta de competência e mais por isolamento. Os circuitos, na sua maioria, eram de rua e bastante rústicos; e as categorias envolviam apenas a produção local (leia-se: Lada/VAZ e monopostos bastante ingênuos). Não por acaso nenhum piloto capaz de chegar à F-1 surgiu no período.

    O fim da União Soviética melhorou um pouco as coisas (ao menos nas pistas). E os bancos e gigantes do gás e do petróleo que surgiram então, muitas comandadas por privilegiados homens de confiança do regime comunista, passaram a irrigar o automobilismo com patrocínios polpudos. Surgiu inclusive uma espécie de fileira, um projeto “a la Red Bull” que fez com que se revelasse o exército citado no começo. Em países como a Itália, mesmo categorias de turismo foram invadidas pela armada russa, que ainda não é capaz de bater os alemães (como fizeram nas gélidas batalhas da 2ª Guerra), mas vem revelando talentos em quantidade e qualidade, bem mais do que países de tradição muito maior nas pistas, como um certo Brasil. E com dinheiro, ainda que de origem nebulosa, fica tudo mais fácil.

    Fácil inclusive criar um complexo como o de Sochi, que merece ser usado por outras categorias internacionais, e que bem poderia servir de inspiração para o Rio. Por que não criar um circuito em Jacarepaguá exatamente onde estava o anterior? Sim, porque outro, em Deodoro ou onde quer que seja, não vai sair. O que é cada vez mais claro é que nos acostumaremos a ouvir a “Internacional”; o hino russo, não só antes das corridas, mas nos pódios também…

    Hors concours

    Da corrida, além do imperdoável erro de estratégia da Williams com Felipe Massa (custava esperar mais umas cinco voltas, pelo menos, para então trocar os pneus?), chama a atenção a fase cada vez mais desastrosa da Ferrari, que entregou os pontos pensando em 2015 e, de pontos mesmo, tem tão poucos que será não mais que a quarta força entre os construtores. Ou a terceira, se eu usar a frase tantas vezes contada por Pepe, grande ponta do Santos, dos tempos áureos. “Eu sou o maior artilheiro da história do clube. O negão (Pelé) não conta, porque é de outro planeta”. Assim estamos com as Mercedes, numa categoria à parte. E aos poucos vai se fazendo justiça. Hamilton é muito mais piloto…

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