Escondidos por outros nomes…

Imagine um grid composto por Apache, Navajo, Gimax, Speedy, The Climber, Beurlys, Pequepê e Geki. Sim, eu estou falando de automobilismo, e de um fenômeno bastante comum no século passado, mas que ainda resiste em algumas partes do mundo: o de esconder os nomes verdadeiros, trocando-os por pseudônimos. Era muito comum quando o menino não queria que os pais soubessem que ele estava envolvido com corridas, muitas vezes com o carro da família. Assim fez um certo brasileiro, filho de Estácio e Clotilde, que só não foi muito criativo ao encontrar um apelido. Trocou apenas o Q do sobrenome pelo K – sim, é de Nelson Piquet Sotto Mayor que eu falo. O que importa é que deu certo, e a manobra não durou muito tempo.

Mas há casos de pilotos que se tornam mais conhecidos pela alcunha. Falar em Pierre Bouillon e nada é a mesma coisa. Mas basta falar em Pierre Levegh que surge, quase automática, a lembrança do mais trágico acidente da história das corridas (Le Mans’55), e também de uma carreira ainda promissora interrompida de forma dramática. Jean Blaton também é um ilustre desconhecido, mas “Beurlys” foi um dos principais pilotos da endurance mundial entre o fim da década de 1950 e o começo da de 1970.

Apache e Navajo são (o primeiro já falecido) dois italianos que nunca se encontraram nas pistas, muito menos correram com tacape e cocar. E The Climber é um piloto de provas de subida de montanha, como o pseudônimo realmente sugere. Há casos ainda mais sensacionais, como o de Carlo Franchi, que tentou se classificar para um GP de F-1 em 1978 como Gimax (com uma velha Surtees, não conseguiu) e, quando o herdeiro resolveu seguir o mesmo caminho, não titubeou: virou Gimax Junior. O Pequepê citado não tem nada de palavrão, é apenas a contração das iniciais do português Pedro Queiroz Pereira, piloto de turismo dos bons nos anos 1980. E Speedy está muito próximo de estrear na GP2 em 2015, como protegido da Ferrari, mas com o nome de batismo mesmo: Antonio Fuoco.

O exemplo mais folclórico, no entanto, foi de um austríaco que não teve um só, mas vários pseudônimos que, no fim das contas, significavam a mesma coisa. Um gentleman driver que teve o privilégio de vencer as 24h de Le Mans de 1985 – se você buscar na galeria dos campeões, vai encontrar um certo “John Winter”. Pois Louis Krages, este o verdadeiro nome, não queria que os pais descobrissem como ele gastava o dinheiro da família. E,

por conta da calvície precoce resolveu adotar apelidos como o Winter, já citado, mas também Federico Careca, ou Pierre Chauvet. Assim, ainda venceu as 24h de Daytona, em 1991. E chegou a correr com o nome que constava na certidão, pouco antes de, por problemas que nada tinham a ver com as pistas, optar por dar fim aos próprios dias…

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