Ainda sobre a vaquinha da Caterham…

A corrida da Caterham F1 (ou qualquer que seja o novo nome, o que agora pouco interessa) a uma plataforma de financiamento coletivo (o crowdfunding ou, em bom português, a boa e velha vaquinha), chamou a atenção por vários detalhes. Depois do primeiro dia, pelo horário brasileiro, foram arrecadadas cerca de 320 mil libras, o que corresponde, em reais, a R$ 1,28 milhão, ou 14% da meta prevista, que é de 2,35 milhões de libras.

É exatamente aí onde eu quero chegar: vamos considerar que tanto Marcus Ericsson quanto Kamui Kobayashi tenham levado uma verba razoável em patrocinadores. E que depois de pagar pelo transporte de seu equipamento nas 16 provas disputadas, já que foi a última entre os construtores ano passado, o time de Leafield, com a morte da Marussia, passa a ter o direito de levar toda a sua tralha nos voos da FOM sem gastar um centavo. Mais ainda, mesmo no extremo de trás do grid, alguma coisa ela recebeu como parte do bolo do circo.

Considere tudo isso e faça as contas: se são necessários quase R$ 10 milhões apenas para alinhar em Abu Dhabi (e provavelmente com a logística reduzida ao osso), chegaríamos à bagatela de 71 milhões de dólares pelo ano todo, sem contar as outras fontes de recurso que eu comentei acima. Isso para fazer figuração, com um carro convencional, poucas evoluções ao longo do ano e a reles esperança de, na melhor das hipóteses, ficar entre as 10, para ter o transporte gratuito no ano seguinte. Será que precisamos de tanto? Ou, para refazer a pergunta, será que há tanta gente no mundo disposta a investir pesado assim para apenas participar? Lembremos que o cálculo de Max Mosley, ainda presidente da FIA, quando lançou uma “concorrência” para dotar o grid de três novos times, era de um teto de US$ 40 milhões/ano. Não surpreende que a Hispania tenha jogado a toalha em 2012 e, agora, a Marussia (ou Manor) faça o mesmo. Desse jeito, não tem vaquinha, nem mesmo com a perspectiva de levar uma asa traseira ou um bico para casa que dê certo. Aliás, não é querer ser negativo, mas os administradores estão oferecendo peças e componentes que, caso o time realmente feche as portas, seriam uma fonte de renda para os credores. Como é que fica? Tomara que não seja o caso, mas que está difícil…

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