Montanha russa de emoções – Coluna Sexta Marcha

A consagração do novo campeão brasileiro (nos gramados) acabou roubando espaço das outras modalidades e esportes e espremendo a cobertura dominical no Estado de Minas. Mas especialmente por se tratar da definição do novo número 1 no circo, teve coluna sim, na edição digital, mas também aqui no blog, pontual e fiel ao leitor. No post anterior (a agenda), já havia deixado clara minha preferência, com direito a justificativa. Acabou se confirmando, com justiça. E nos próximos posts falo das perspectivas para 2015, a começar por mais um pastelão italiano, com a dispensa de Marco Mattiacci, alguém que nem deveria ter sido cogitado para assumir o comando da Scuderia Ferrari na era pós-Montezemolo. Esperar que alguém que só havia vivido o circo como torcedor fosse capaz de se defender no meio do “Piranha’s Club” foi, no mínimo, ingênuo. Ao menos o sucessor, Maurizio Arrivabene, entende bem mais dos meandros da F-1…

Montanha russa de emoções

Bernie Ecclestone, o homem forte da Fórmula 1, pode ter muitas qualidades e predicados, mas o dom da adivinhação certamente não está entre eles. Quando fez tornar realidade a ideia de distribuir pontuação dobrada na última etapa da temporada, imaginou que chegaríamos a Abu Dhabi com cinco pilotos e três escuderias em condições de lutar pelo título, o que esteve longe de ser o caso. Aliás, se é pra forçar uma decisão, poderia fazer como a Nascar, que, com seu Chase, separou 16 que viraram 12, que viraram oito, que finalmente viraram quatro, e quem deles terminasse na frente em Homestead levaria.

Mas ainda por cima em Yas Marina? Impossível esquecer como Fernando Alonso tudo fez para superar Vitaly Petrov em 2010, sem sucesso, enquanto Sebastian Vettel chegava a uma conquista por muitos considerada improvável. Tivéssemos cinco áreas de ativação do DRS e pontuação triplicada e nada mudaria. De qualquer modo o soberano do ano da graça de 2014 seria conhecido nos Emirados Árabes.

E ao lado do parque temático da Ferrari que tem a montanha russa mais rápida do mundo (os mais engraçadinhos sugeririam contratar o projetista do brinquedo para desenhar o carro de 2015), emoção não houve, embora tenha havido. Eu explico: considerando o duelo pelo número 1, tudo se definiu nos primeiros 250, 300 metros, e nem seria preciso que Nico Rosberg tivesse problemas para que Lewis Hamilton comemorasse, de forma justa, no fim. Imagine se fosse o contrário, e quem chegou como líder visse a taça escapar das mãos assim como a potência extra do ERS?

Felizmente o moço lá de cima escreve certo por linhas tortas, e quem mais mereceu levou. Hamilton comeu o pão que o demo amassou, teve de perseguir quase o campeonato inteiro e pagou por cabos de vela brincalhões, freios em pane e companheiro de equipe ruim de mira (lógico, pelo ponto de vista do inglês). Não teve o maior número de poles, mas venceu mais e nunca deixou de acreditar. Eu tenho pra mim que, na disputa interna, fez feliz um certo Niki Lauda. Quer mais? Nos últimos anos, apenas Kimi Räikkönen (2007) e Alain Prost (1993) venceram em seu primeiro ano por uma nova equipe. Pois Lewis Carl Hamilton, como reza o bordão latino, “veio, viu e venceu”.

        Mercedes AMG Petronas/divulgação

Pois a emoção que não houve no desfecho do ano sobrou na corrida. E eu não chegaria ao exagero de dar nota 11 a Felipe Massa, mas ele merece um 10 retumbante, capaz de calar muitos críticos. Não pela prova em si – Bottas já havia sido segundo antes, mas por detalhes que mostram muito da capacidade de um piloto. Quem mais gastava pneus outro dia mesmo ontem esperou mais do que os principais rivais para fazer sua primeira troca. E conseguiu ser rápido e constante sem uma bloqueada que fosse, uma volta mais ou menos. Mil vezes um segundo lugar com a faca nos dentes que uma vitória de presente. Lógico que o bom carro ajuda, mas a Red Bull é o melhor exemplo de que mesmo quatro títulos mundiais não são suficientes para garantir a pole na hierarquia interna. A melhor resposta é a da pista e, com ela, o brasileiro mostrou que nada deve ao jovem companheiro.

2014 acabou, viva 2015

Ainda estamos em novembro mas, para a F-1, 2015 chega com os três dias de testes nesta mesma pista de Yas Marina. Tempo de estreias (de Max Verstappen, do motor Honda) e de discussões sobre o que há de vir. Porque não há vaquinha que garanta a sobrevivência de um time ao longo de 20 corridas e, por outro lado, a graça não é a mesma com um grid reduzido. Nada de caridade, ou de colocar carros na configuração Super GP2 em ação, mas que quem detém o comando (e a chave do cofre) ajude as iniciativas sérias e importantes para revelar talentos e forjar campeões. E força Jules e Michael, que a torcida continua… Até o ano que vem…

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