Circuito dos Cristais, para quem ainda não acredita…

Maio de 2012. Foi então que fiquei sabendo do projeto de construção de um autódromo em Curvelo, cidade a cerca de 150 quilômetros de Belo Horizonte, no caminho para Brasília. Que havia potencial para a empreitada, com certeza, já que Jacarepaguá agonizava, Goiânia ainda estava jogada às traças e a cada dia surgiam boatos sobre o fim de mais uma ou outra pista brasileira. Mesmo o idealizador do projeto reconhecia que o trabalho seria imenso, e a desconfiança também. E que não seria fácil chegar ao estágio da bola de neve que rola montanha abaixo até virar uma avalanche impossível de conter. Vi muitas imagens e soube de muita coisa que não podia contar, o projeto foi, voltou, em momentos acelerou, em outros prevaleceu o silêncio, mas em nenhum a coisa parou.

Dois anos e meio depois, muita coisa aconteceu, o terreno inicialmente previsto deu lugar a outro; conseguiu-se o aval do governo estadual, das autoridades municipais, num dado momento dois projetos paralelos chegaram a caminhar, até que as forças se juntaram para o empreendimento já mostrado por aqui, o Circuito dos Cristais. Mais próximo da região central de Curvelo, numa área que vem recebendo melhoramentos. E os responsáveis decidiram não perder tempo, logo se valeram do que há de mais moderno no mundo para desenhar um traçado (sem precisar de ajuda de Herman Tilke, o que é ótimo), obtiveram as licenças necessárias e abriram, no meio do cerrado, a área que em breve ganhará asfalto, boxes, áreas de escape e toda a estrutura necessária para receber até mesmo campeonatos internacionais, como a Moto GP, que adoraria voltar ao Brasil, mas não tem local à altura.

O mais interessante é que um espanhol foi trazido para coordenar as obras e, ainda sem os nomes definitivos, as curvas tiveram que ganhar nomes extra-oficiais para que os operários saibam o que deve ser feito e onde. A terraplenagem está no fim, já foi determinado o asfalto ideal para as condições e o próximo passo é preparar a base e a sub-base que receberão o manto negro, a partir de abril. O leitor há de ver nas imagens que boxes e prédios anexos são extremamente simples, mas funcionais, e tudo será feito pensando em receber qualquer categoria numa condição adequada, que aqui não é Barein ou Abu Dhabi. E que no ritmo atual das obras – que pode ganhar velocidade, ou demorar um pouco mais, os próprios responsáveis fazem questão de lembrar – a fase 1 estaria concluída em até um ano.Que categorias virão e quando, é uma outra história, mas todos serão convidados a visitar as obras e conhecer as instalações. E vai ser difícil abrir mão de um espaço tão bacana. Sem contar que outro aspecto interessante do projeto é o conceito da Casa de Pista – serão vendidas casas de 80m2 ao lado do circuito para equipes, pilotos, apaixonados, que poderão ter suas bases no local. E os imóveis ainda poderão ser alugados na época das corridas – já pensou dormir e acordar com o ronco dos motores?

O importante à esta altura é mostrar que a coisa é realidade, e que a bola de neve começou a rolar montanha abaixo. Mérito não meu, mas de quem sonhou e acreditou, e bom para o automobilismo brasileiro, que merece um espaço assim, antes que seja tarde…

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