Rumo ao Pikes Peak: última parte

Antes que o esperado lançamento da McLaren Honda MP4/30 agite de vez o circo e abra pra valer a pré-temporada do Mundial de Fórmula 1, chega ao fim a saga que foi a subida rumo ao Pikes Peak, no Colorado. Quem leu tudo desde o início sabe que a aventura não foi até os 14.110 pés (4.300m) da linha de chegada da subida de montanha por conta das condições do dia, mas parou em Glen Cove, a mais que razoáveis 3.780m de altitude, e com quase a metade do trajeto da corrida.

Estava eu parado no carro, pensando em sair para fazer umas fotos do topo, ali tão próximo, quando de repente vejo que, do SUV da guarda do parque, vem um ranger em minha direção. Imaginei que quisesse deixar claro que não poderia seguir adiante, me fazer algum tipo de advertência, mas qual nada. Falante, ele logo quis puxar conversa, e entender o que alguém fazia por aqueles lados num dia de semana de neve, frio acima do comum. Com certeza não havia visto muita gente antes de mim naquela imensidão de verde, árvores e rochas. Quanto mais um brasileiro enfeitiçado pela magia das cinco letras: PPIHC.

“Ah, a subida de montanha. Nossa, é sensacional. Sempre ajudo em alguma tarefa e faço questão de acompanhar. Você não faz ideia da velocidade com que os carros chegam a esse ponto”, ele diz. E o ponto é um retão que, de repente, tem bem no meio, um posto de vigilância. Logo a curiosidade se aguça: “E como vocês fazem pra impedir que alguém acerte em cheio?”. “Enchemos ao redor da cabana de blocos de concreto e há divisórias bem chamativas pra mostrar que é por um lado ou por outro, nunca pelo meio”, diz o guarda Kent.

Entre suas tarefas está a de colocar proteções em raros pontos do traçado. Barreiras de pneus, fardos de feno. E ele lembra que um dos desafios no fim de semana da corrida é evitar que os animais invadam o traçado, para a segurança deles e dos competidores – os grupos de alces, cervos e outras espécies do parque são recolhidos para um local seguro, de onde são soltos assim que o último piloto sobe.

De repente, ele aponta para o alto, à esquerda, e diz: “já viu aquele vídeo do Mitsubishi Lancer que voa pelo penhasco, capota diversas vezes e o piloto sai ileso? Pois é, exatamente ali”.

Comento do motociclista que faleceu ao perder o controle da moto tão logo cruzou a linha de chegada e ele, primeiro, lembra que apesar de todos os riscos, foi apenas o quinto acidente fatal em 90 anos de corrida. Depois, lembra que há fatores que não podem ser subestimados por quem quer chegar inteiro ao fim do desafio. “Não acredito que ele tivesse um tanque de oxigênio extra e, a esta altitude, os reflexos mudam, o ar rarefeito se faz sentir, especialmente depois de subir tanto, e tão rápido. Sem contar que o vento é traiçoeiro, especialmente para as motos”. Aliás, é o vento, e não a neve, que me impede de chegar ao topo. “A estrada está limpa, mas todos os vidros do carro se estilhaçariam com a pressão. É muito forte”, ele ressalta.

Pois alguém que já viu tantos engenhos sobre rodas subindo o morro e se diverte coordenando grupos que descem a montanha de bicicleta (sim, há passeios do gênero e Kent garante que proporcionam tanta ou mais adrenalina que os veículos motorizados) com certeza há de ter uma lembrança marcante. Nem preciso perguntar. “O Peugeot de Sebastien Loeb é sensacional, nunca vi nada parecido. Também, dizem que o carro vale US$ 1 milhão. Dava até gosto de ouvir o motor”. Argumento que o francês teve (como tem em qualquer modalidade em que se meta) muito talento para não apenas bater, como destroçar o recorde anterior, deixando para trás a barreira dos 9 minutos também. E ouço a melhor do dia. “Quer saber, acho que você, com um carro daqueles, subiria em menos de 11 minutos. Ele é fantástico…”. Bem que eu gostaria, guarda Kent, mas não acho que seja o caso. Mesmo assim, ficou uma vontade de um dia tentar, com que máquina fosse. E, ao fazer o caminho de volta, o desejo de voltar um dia. Quem sabe… Pra encerrar, uma caprichada galeria de fotos da montanha mágica que leva até as nuvens…

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