SF15-T: a Ferrari da nova Ferrari

Impressionante o contraste de um ano para o outro. Nesta mesma época, em 2014, reuniam-se para revelar a Ferrari F14T Luca di Montezemolo, Stefano Domenicali, Luca Marmorini, Nicolas Tombazis, Fernando Alonso e Kimi Räikkönen. Nem é preciso dizer que, da lista, restou apenas o último. Por razões menos ligadas à pista do que à indústria e seus meandros, foram saindo um a um os homens-chave de um período que pode ter proporcionado menos do que se esperava, mas não foi tão árido assim. Afinal, o pós-Schumacher foi marcado pela conquista do finlandês em 2007; pelo título de Construtores no ano seguinte (quando Felipe Massa bateu na trave) e um número razoável de vitórias do espanhol, que chegou como o Messias, e saiu com o rabo entre as pernas, apesar de ter feito até mais do que dele se esperava.

Pulemos um ano, passemos ao Reparto Corse (que se despede do prédio que tive a oportunidade de ver de fora, em 2009, já que entrar, nem pensar) para outro bem mais moderno. Quem comanda agora é Sergio Marchionne. Domenicali foi trocado por Marco Mattiacci, que não resistiu à pressão (a bem da verdade, tinha o perfil completamente equivocado para o posto) e acabou defenestrado para dar lugar a Maurizio Arrivabene, esse sim mais adequado para a função. Marmorini foi dispensado e saiu atirando, enquanto Tombazis preferiu o silêncio ao deixar a casa de Maranello.

Restou James Allison, em quem repousam as esperanças de ter feito um trabalho acima da média, e à altura de sua capacidade. A bem da verdade, se o F14T não era um primor em termos de downforce, o maior problema estava no (s) motor (es). A Ferrari se tornou presa fácil mesmo para a Red Bull, que sempre fez a diferença nas curvas, nunca nas retas. E ser superado pela Williams certamente exigiu litros e litros do Lambrusco produzido em Modena, ótimo vinho para sobremesas.

Eis que com Sebastian Vettel também em busca de um recomeço, aparece então a SF15-T, cercada de caras novas. Já se sabia que Allison manteria o que estava funcionando, e buscaria, nos detalhes, o que faltou em 2014. Com certeza os técnicos comandados por Mattia Binotto exploraram cada 0,1% de mudança permitida pelo regulamento e tudo que se aprendeu com a rival Mercedes deve estar agora no V6 do Cavallino. O bico segue a linha adotada ano passado, assim como laterais e carenagem. O maior desafio foi empacotar a traseira de modo a garantir pressão aerodinâmica muito maior, e aí com certeza residem as novidades de uma máquina que carrega as esperanças dos tifosi. Se será suficiente, é cedo para dizer. Ao mesmo tempo que todos se mostram otimistas, já viram que a nova direção não costuma dar uma segunda chance. Pilotos à parte, a pressão é imensa, mesmo porque Vettel tem sempre a desculpa de que vive um primeiro ano longe das asas protetoras do touro vermelho. Mais uma vez, o jeito é esperar pelos primeiros indícios, pelo que virá a partir de amanhã, em Jerez. Outra temporada em branco pode ter consequências catastróficas para a mais tradicional e querida escuderia do circo…

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