Feliz a qualquer velocidade

Esta é principalmente para a turma de fora das Minas Gerais, que não teve a oportunidade de ler nas páginas do Estado de Minas e haverá de perguntar a quantas anda Cristiano da Matta. Anda, não, corre. Mas em outro ritmo. Muito bem da vida e em paz com a ausência das pistas (embora ele, eu e muita gente mais saibamos que teria lenha pra queimar em praticamente qualquer categoria do automobilismo internacional), ele passou a se desafiar de outro modo, como você vai poder ler na matéria. E mesmo que a sonhada estreia numa maratona ainda não tenha vindo – uma gripe arrasadora frustrou os planos de largar em Miami (e quem conhece um pouquinho do esporte sabe que não dá para encarar 42.195m sem estar com o organismo a 100%), com certeza é uma questão de tempo. Fiz inclusive questão de deixar o texto como estava. O importante é que o Kiki, ou o pai do Matheus, ou o marido da Vanessa, personagem da matéria e da foto abaixo, tem encarado com espírito vencedor tudo o que a vida põe em seu caminho. E assim é que deve ser…

Feliz a qualquer velocidade

A mesma felicidade que um dia chegou a mais de 300 quilômetros por

hora, hoje vem com passadas constantes, mas bem menos velozes. Cristiano

da Matta não sabe o que é pilotar de forma competitiva desde 2011, quando

formou dupla com o também mineiro Bruno Junqueira no comando de um

Jaguar XKR GT, único modelo da marca nas pistas contra uma legião de

Porsches, Corvettes e Ferraris na American Le Mans Series (ALMS). Mais do

que ninguém, ele sabe que ainda pode ser competitivo nas principais cate-

gorias de turismo e endurance do automobilismo internacional.

Por outro lado, como campeão da F-Indy (em 2002) e capaz do cada vez

mais raro feito de chegar à F-1 movido apenas pelo talento, sabe que apenas

uma proposta muito boa justificaria vestir novamente macacão e capacete.

Por isso, o grande barato do filho de Toninho da Matta está hoje em outro

esporte, não menos exigente.

Amanhã, às 8h30 (de Brasília), ele será um dos milhares de corredores alin-

hados diante da American Airlines Arena, a casa do Miami Heat, para

enfrentar os 42.195m da Maratona de Miami. Um desafio inédito, mas

encarado com a disciplina e a seriedade de sempre. Ou quase, já que o mari-

do de Vanessa, pai de Matheus, e à espera da primeira filha, hoje se divide

entre as várias paixões.

“Confesso que tô um pouco preocupado, já que são 42 quilômetros, é

muita coisa. Mas, ao mesmo tempo, acho que vai ser muito bom, vai ser

doido. Estou muito feliz, satisfeito com o que consegui e com a minha vida.

Lógico que voltaria a pilotar se a oportunidade aparecesse, mas não é uma

obsessão, hoje para qualquer categoria é necessário levar patrocínio. Está

ótimo curtir essa fase de muitas pedaladas, da família e das corridas a pé. Pus

na cabeça que conseguiria completar uma maratona e é o que quero agora”,

explica.

E é difícil duvidar de mais uma façanha do mineiro de 41 anos, que gan-

hou um kart do pai para não se aventurar de moto nas trilhas e acabou

fazendo história dos dois lados do Atlântico – liderou o GP da Inglaterra de

2003 em seu primeiro ano na F-1 com a Toyota e se deu ao luxo de pontuar

no Japão terminando à frente de Michael Schumacher, depois de brilhar no

automobilismo norte-americano.

Treinos intensos

Totalmente recuperado do gravíssimo acidente sofrido em 2006, numa

sessão extra-oficial de treinos da ChampCar (categoria que se uniria à IRL

formando a atual Indy) em Road America – atingiu um cervo que atravessou

a pista e encarou uma difícil reabilitação –, Cristiano se apaixonou pelas cor-

ridas de fundo ano passado, depois de preferir por vários anos a bicicleta

como companheira de treinos. E se submeteu a uma preparação intensa,

optando por estrear direto na Meia-Maratona Internacional de Belo

Horizonte, prova realizada pelos Diários Associados.

E o desempenho nos 21 quilômetros em torno da Lagoa da Pampulha, em

maio, foi digno de elogios: o percurso foi completado em 1h43s11, à frente

de muitos fundistas com maior experiência (359º entre os mais de 1.200

inscritos que completaram). Desde então, a grande dúvida passou a ser o

local da primeira tentativa de encarar a lendária distância do atletismo,

enquanto os treinos prosseguiam.

As férias em família na cidade norte-americana que foi a casa de Cristiano

em seus tempos nas pistas se encarregaram de unir o útil ao agradável e cri-

aram o cenário ideal. Desta vez, nada de compromissos promocionais com

patrocinadores; assédio dos jornalistas ou champanhe esperando no fim.

Praticamente incógnito em meio a uma multidão e longe da elite, a luta será

contra os próprios limites e em nome de um objetivo. E a satisfação virá ao

cruzar mais uma linha de chegada. Só que, desta vez, pouco importa a

posição.

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