Fórmula Inter: outra boa notícia em tempos sombrios…

Que levante a mão quem acha que o automobilismo brasileiro vive um momento positivo, que, pesadas na balança, notícias favoráveis e desfavoráveis tendam para as primeiras. Nem precisaria lembrar, mas vamos lá: Jacarepaguá acabou e não há perspectiva de substituição; Brasília sabe-se lá como receberá uma reforma, depois de todo imbróglio envolvendo a vinda da F-Indy e, acima de tudo, chama a atenção a quantidade de campeonatos e categorias que desapareceram nos últimos anos. GT3, F-Future, Trofeo Linea, Pickup Series, Copa Peugeot de Rally, Brasileiro de Endurance e por aí vai. Nem é preciso dizer como isso impacta na economia do nosso automobilismo; fecha empregos, oportunidades, dificulta o trabalho das equipes.

Por isso é que os posts com boas notícias proporcionam uma alegria especial, uma esperança de que, apesar dos erros e da falta de visão, ainda podemos avançar. E que gente muito boa está arregaçando as mangas e fazendo valer o ditado de que “se a montanha não vem a Maomé, Maomé vai à montanha”. É assim com o Circuito dos Cristais, o Autódromo de Curvelo citado no post anterior e em outros vários, mas também com uma categoria (coisa raríssima) que está nascendo, com ótimas perspectivas. Mesmo porque envolve nomes de grande tradição a uma turma nova que quer chegar chutando o balde.

Há quantos anos não temos um campeonato de monopostos com modelos desenvolvidos e fabricados no Brasil, abertos tanto à molecada que sai do kart e não quer (ou não pode $$$) subir direto para a F-3, quanto também para quem quer se divertir levando vento na cara, não à bordo de um carro fechado e envidraçado (policarbonatado, talvez…)? Pois as conversas começaram no segundo semestre do ano passado, quando o empresário Marcos Galassi, depois de uma imersão na realidade dos EUA, resolveu fazer a coisa começar. E conversa aqui, consulta ali, entraram na brincadeira José Minelli, fabricante histórico dos modelos da F-Ford; o professor Cláudio Cereghini e uma molecada da engenharia craque nos softwares de desenho e criação.

Tudo simples e funcional, mas sempre de acordo com as exigências e homologações da FIA. Chassi tubular em Cr-Mo com reforços; peças usinadas com a mais nova tecnologia e componentes especiais para a pista, como os freios a disco Wilwood,amortecedores Bilstein, belas rodas em magnésio calçadas com pneus slicks Pirelli e motorização básica e confiável (2.0 de 180cv, de origem ainda “misteriosa”). Estão sendo fabricados os 20 primeiros exemplares, para estreia em novembro, quando Interlagos reabrir, na programação do Campeonato Paulista. Todos serão da organização e os interessados comprarão um pacote compreendendo pneus, combustível e assessoria fora da pista (além da divulgação de mídia) que custará R$ 153 mil a temporada. E que se for fechado antes do dia 28 agora, cai para R$ 98.483, parcelados, o que inclui 11 corridas e os respectivos treinos. O carro ficou bastante bonito, parrudo e moderno dentro das restrições necessárias, que a ideia é não fazer um F-Renault, cheio de carbono e eletrônica, mas um fórmula de entrada no mundo das rodas grandes. A Galassi e todos os parceiros na empreitada, desde já o desejo de que seja um sucesso, esgote logo as vagas e, quem sabe, impulsione um Brasileiro, ou outros regionais. Já falei que adoraria dar uma voltinha, espero ter a chance…

Fórmula Inter/divulgação

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