Presente e futuro num só dia…

Terça-feira de Carnaval, que é um dia normal no resto do mundo, embora feriado por aqui, e duas imagens chamaram a atenção: uma real, e sinônimo do presente. Outra, por enquanto, virtual, e uma provocação sobre o que pode ser o futuro. E as duas estão muito mais interligadas do que parece, como eu explico no post.

Comecemos pela segunda, que é um exercício de estilo da Ferrari sobre o que poderiam ser os carros da F-1 se as regras não fossem tão engessadas e a preocupação com o espetáculo fosse o fator mais importante. Lógico que foi tudo muito bem trabalhado pelos setores de design e estilo mas, também, pela turma do Reparto Corse, que precisava casar a “embalagem” futurística com um conjunto mecânico viável. A começar pelas rodas aro 18, que se tornaram praticamente um mantra de quem quer ver um circo mais movimentado e emocionante.

Ficou bonito? Na minha humilde e modesta opinião, sim, mas com uma leve tendência ao design da Fórmula Indy. Fora que há um sério problema. Os projetistas só desenvolveriam máquinas assim em duas circunstâncias: se as regras obrigarem, ou se as análises de computadores e túneis de vento determinarem que são as formas ideais para vencer corridas. Do contrário, está mais do que claro que não há escrúpulos em adotar soluções como bicos feios, se isso representar décimos de segundo a menos.

E o melhor exemplo de que a teoria muitas vezes está a quilômetros de distância da prática veio exatamente da Indy, com a Chevrolet divulgando o tão esperado kit aerodinâmico próprio para os Dallara DW12. O regulamento dá tão poucos espaços que bico, carenagem do motor e asa traseira seguem os mesmos. O que apareceu foi uma enxurrada de asas, asinhas e aletas, defletores e coisas do tipo para aumentar o downforce e agilizar a passagem do ar. O Dallara é um carro bastante próximo do conceito mostrado pela Ferrari e até hoje eu não me convenço de que é mais bonito do que os antecessores, simples e de linhas limpas. O desenho só mudou em nome da segurança – não houvesse acontecido a tragédia com Dan Wheldon e eu duvido muito que se ousasse tanto.

A vontade da Ferrari de levantar o debate e pressionar por mudanças é louvável, mas não dá pra acreditar que a Red Bull adotaria o conceito criado por Adrian Newey (e mostrado aqui) para uma máquina que só acelera nos videogames. Liberar as regras em relação a motor e desenho, tal como o Mundial de Endurance, é algo muito improvável, e sabe-se lá que interpretações surgiriam nas pranchetas e telas. Felizmente a Comissão de F-1 da FIA vetou mudanças radicais para 2016. Talvez aumentar a potência dos motores e adotar pneus maiores sejam duas boas formas de começar, sem chegar ao extremo apresentado pela Ferrari que, dificilmente, ficaria barato em tempos bicudos…

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s