Só falta uma – Coluna Sexta Marcha (GP da Malásia)

*** Então as primeiras previsões para o desfecho da temporada no circo foram frustradas já na segunda corrida do ano, com um sucesso da Ferrari que nem mesmo o mais otimista torcedor do Cavallino esperava vir tão cedo. E a coluna publicada nas páginas do Estado de Minas, e agora reproduzida no blog, como de costume, fala justamente do que pode representar o resultado para o campeonato. A reação da imprensa italiana é menos de euforia e expectativas exageradas e mais de alívio, pelo fim de uma seca que incomodava. Lógico que surgem as comparações com Michael Schumacher e sua era de sucessos na Scuderia, mas o que fica claro é que na própria equipe a postura ainda é de cautela, mais que justificada, como eu comento abaixo…

Só falta uma Alegremos-nos pois, fãs da velocidade, já que a temporada que prometia um domínio avassalador das Mercedes terá a marca do duelo entre campeões mundiais; a volta da Ferrari e de Sebastian Vettel, alijados que estavam das posições que contavam no campeonato de 2014.

Será mesmo? E o desfecho totalmente inesperado do GP da Malásia, em que Lewis Hamilton e Nico Rosberg estiveram na pista até a bandeirada, sem problemas mecânicos, e nenhum fator externo interferiu no resultado, pode ser interpretado como uma tendência que se repetirá da China em diante? Mais do que isso, a recuperação vermelha em tão pouco tempo pode ser analisada como consequência da revolução iniciada com a dispensa de Luca di Montezemolo, a saída de Fernando Alonso, Stefano Domenicali, Pat Fry, Luca Marmorini, Marco Mattiacci e outros?

A resposta para todas as perguntas é… talvez, ainda sem tanta convicção. Lógico que dá prazer ver um piloto como o alemão de Heppenheim calar os críticos ao mostrar que não precisa do melhor carro para vencer, quanto mais mostrando tamanha identificação com o time de Maranello. E que a Ferrari 2015 é infinitamente melhor do que a antecessora é fato – tanto assim que a comparação com a Williams é impiedosa –, era algo que podia se considerar já nos testes de pré-temporada, quando o SF15T mostrou ter velocidade de reta e pressão aerodinâmica (que o F14T não tinha). Daí a dizer que Sergio Marchionne era o presidente de que o Cavallino Rampante precisava; que Maurizio Arrivabene é o comandante de tropas perfeito e que homens das sombras como Simone Resta e Mattia Binotto são os próximos candidatos a gênio da categoria, vai um longo caminho.

Para começo de conversa, a influência de James Allison na concepção da máquina fracassada de 2014 foi mínima, já que ele retornou à Scuderia no meio do projeto. Era de se esperar que, com mais tempo para trabalhar, o resultado fosse mais digno de sua reputação. E o mesmo vale para o motor. No ano passado, Marmorini foi obrigado a “empacotar” tudo por exigência da turma do chassi. E o regulamento não dava brecha para correções. Do jeito que cada unidade de potência foi homologada, teve de terminar o ano. Aprendidas as lições, desta vez foi possível alterar quase a metade dos componentes, e com certeza a turma que carrega a herança do comendador Enzo Ferrari não desaprendeu como se faz.

Mas, daí a dizer que Arrivabene e seus comandados terão de andar desnudos pelo frio da Emilia Romagna, como o dirigente brincou caso seu time fosse além da previsão – ele afirmou que considerava sensacional um balanço de duas vitórias no ano, e metade da missão já foi cumprida – vai um longo caminho. O próprio Arrivabene é o primeiro a não se deixar iludir pelo resultado de domingo, quanto mais fazer promessas de circunstância que os tifosi adorariam ouvir. A Mercedes ainda tem a vantagem a seu lado. É mais rápida com os compostos de pneus macios e supermacios; sua unidade de potência consome menos e ainda ostenta alguns cavalos a mais. E tem orçamento, estrutura e profissionais talentosos o suficiente para reagir sem pânico. Some-se a isso a característica principal das Williams – compromete o equilíbrio aerodinâmico nas curvas em nome de um melhor desempenho nas retas (e nas pistas de alta). Lógico que uma disputa a três – pode ser a quatro se a Red Bull finalmente se entender com a Renault – seria o sonho de qualquer fã, mas é melhor ir devagar com o andor e esperar ao menos até a Espanha para traçar os primeiros prognósticos. De todo modo, como diria o “professor” Zagallo, para quem queria duas vitórias, só falta uma. Difícil vai ser se contentar com o que pode ser bem mais…

Tristes tempos Causou um certo efeito ver os carros da Manor na pista (mais o de Roberto Merhi) com a decoração praticamente imaculada. Pequenas logomarcas da Pirelli e, na lateral da asa traseira, o nome da Errea, que é apenas a fornecedora de material esportivo (não o dos pilotos) do time inglês. E nada mais. Houve um tempo, não muito distante, em que mesmo os times obrigados a encarar a pré-qualificação (que deixava cinco ou seis carros de fora já na sexta-feira) ostentavam adesivos e decorações dos mais variados, que fossem da padaria da esquina ou da loja de móveis e utensílios do vizinho. Se a principal categoria do automobilismo mundial não consegue se vender, a coisa é realmente séria. E não é Bernie Ecclestone defender revolução no regulamento ou uma versão feminina da F-1 que mudará o cenário.

Vanessa venceu a primeira…

Enquanto esperava pela largada do GP da Malásia, lembrei que a segunda corrida da TCR International Series, apresentada e comentada pelo blog, seria transmitida ao vivo e de graça pelo canal da categoria no YouTube (TCR TV). E depois de alguns minutos trocando impressões com a turma dos quatro cantos do mundo que esperava pelo surgimento das imagens (e tentava entender o que ocorria em Sepang), não me arrependi por insistir. Bastou se aproximar o momento da largada e a imagem, até então parada e silenciosa, ganhou toda a extensão da pista, com padrão F-1 – resta saber se será assim também nas etapas que não forem preliminares do circo.

Mas o que realmente me agradou foi a qualidade das disputas, mesmo com um grid encolhido em dois carros. Os 15 que foram incapazes de proporcionar um bom espetáculo na F-1 em Melbourne, fizeram uma corrida daquelas em Sepang, com tudo o que uma categoria de turismo deve ter: muito equilíbrio, disputas agressivas sem dispensar alguns toques; mudanças constantes de posição. Tudo bem que o experientíssimo Jordi Gené largou na pole (foi o 10º na qualificação e contou com a ajuda do grid invertido), mas pagou caro pela vitória. E Seat, Honda, Audi (que vai virar VW) proporcionaram um belo espetáculo – um Opel largou, mas com um reparo improvisado no radiador, e apenas para fazer número.

Considerando-se que os grids serão maiores ao longo do ano, não faltam motivos para acreditar no sucesso da categoria. E o mais interessante foi descobrir que Vanessa foi a vencedora da primeira corrida. Vanessa que vem a ser o nome carinhoso dado pelo suíço Stefano Comini a seu Seat León Cup Racer. Ele que já tinha apelidado o Renault Clio com que se tornou campeão da Eurocup e, depois de um ano de resultados abaixo do esperado, resolveu que não mais escolheria nomes que tivessem a letra I. Enfim, teve bom, e o começo foi promissor…

A Indy também acelera – agenda

Então março se aproxima do fim e, embora muitas categorias pelo mundo ainda não tenham roncado seus motores oficialmente, dá pra dizer que a temporada é mais do que uma realidade, com boa parte dos principais campeonatos a todo vapor. O fim de semana marca a chegada de mais dois – o da Moto GP estrearia de todo modo domingo, no Catar, enquanto a Indy, sempre é bom lembrar, deveria ter figurado aqui (nos dois sentidos, no blog e no Brasil) há três semanas, mas, como já é mais que notório, não tivemos Brasília, e sabe-se lá se um dia teremos novamente os Dallaras por estas bandas. Ficou para Saint Petersburg então, um traçado que é meio rua, meio aeroporto, e costuma proporcionar corridas movimentadas. Do início da TCR Series eu já comentei em um post anterior e, sobre a F-1 na Malásia, reforço agora, na expectativa de que sejamos brindados com um espetáculo bem mais promissor que o de Melbourne. Olha que eu nem falo da dominação das Mercedes, que tem tudo para prosseguir, mas do GP como um todo, mesmo porque não dava para esperar grande coisa numa corrida em que 15 largaram, vários ficaram pelo caminho e, quem sobrou, na maioria dos casos procurou salvar os pontos sem qualquer risco. Tomara que Sepang reserve coisa melhor…

Internacional

Mundial de Fórmula 1: primeira etapa – GP da Malásia

Verizon Indycar Series: primeira etapa – Saint Petersburg

TCR International Series: primeira etapa –  Sepang (Malásia)

Indy Lights: primeira etapa – Saint Petersburg

Mundial de Moto GP: primeira etapa – GP do Catar (Losail)

Pirelli World Challenge: segunda etapa – Saint Petersburg

Nascar Sprint Cup: sexta etapa – STP 500 (Martinsville)

Nascar Camping World Series: terceira etapa – Kroger 250 (Martinsville)

V8 Supercars: terceira etapa – Tasmania

Nacional

Mitsubishi Cup: primeira etapa – Ribeirão Preto

Mineiro de Kart: segunda etapa – RBC Racing (Vespasiano)

Brasileiro de Velocidade na Terra: primeira etapa – Cordeirópolis (SP)

Na telinha

Sábado (28)

3h      Mundial de F-1: GP da Malásia (terceiro treino livre)   Sportv

6h      Mundial de F-1: GP da Malásia (treino oficial)            Sportv/Globo (*)

(*) os 30 minutos finais

12h50  Mundial de Moto GP: GP do Catar (treinos oficiais)   Sportv 3

Domingo

3h      Mundial de F-1: GP da Malásia        Globo

12h    Mundial de Moto GP: GP do Catar – Moto GP/Moto 2/Moto 3      Sportv

13h50 Nascar Sprint Cup: etapa de Martinsville   Fox Sports

Esta logomarca, aqui à direita…

Para quem está chegando agora no blog, ou não viu o post da semana passada, surgiu aqui ao lado, abaixo da foto deste que vos escreve, uma logomarca com um link. Sim, a Sportsplace é, como diz o outro, um “projeto paralelo”; uma forma de dividir a paixão pela velocidade com outros apaixonados e oferecer produtos que você muito provavelmente não encontrará com facilidade por aí. Aliás, tem um macacão Sparco de 1985 que foi de Nelson Piquet, na Brabham, e foi repassado pelo proprietário, que também é piloto e ganhou a relíquia do tricampeão mundial de F-1.  Mesmo porque muita coisa será autografada, com autenticidade reconhecida. E você ainda poderá oferecer o que estiver ocupando espaço em casa, de um adesivo a um carro de corrida. Fica mais uma vez o convite para que você clique na logo e descubra a Sportsplace, ajude a fazer dela um ponto de encontro de quem curte o esporte sobre rodas em suas mais diversas formas…

Bem mais que a F-1 em Sepang

O blog já contou a história do italiano Marcelo Lotti, principal responsável pela consolidação do Mundial de Turismo (FIA WTCC) e jogado para escanteio assim que a Eurosport, organizadora e dona dos direitos da competição, achou por bem tocar a criatura por conta própria. Lotti passou um ano longe dos holofotes, mas respondeu à altura, criando um novo campeonato global que tem como um dos atrativos o custo menor na comparação com as máquinas do “irmão maior”, além de favorecer o desenvolvimento de carros partindo de uma base já existente ou independentemente dos fabricantes. O que nasceu como TC3 acabou se transformando em TCR International Series, para não passar a impressão de inferioridade (os carros do WTCC compõem a categoria TC1).

O italiano ainda tinha um coelho na cartola e, com a aprovação de Bernie Ecclestone, conseguiu fazer de sua nova criatura a preliminar do GP da Fórmula 1 da Malásia, neste fim de semana, em Sepang. E se nem todos os times conseguiram se preparar a tempo, serão 17 carros no grid, com nomes de respeito como Gianni Morbidelli, Jordi Gené, Pepe Oriola, Andrea Belicchi, Stefano Comini e Michael Nykjaer. Motores turbo 2.0, potência na casa dos 260cv, tração dianteira, câmbio sequencial e pneus Michelin formam a receita de um campeonato que conseguiu bons apoiadores técnicos e dará origem a várias séries pelo mundo (Benelux, EUA, Portugal, Itália e Nacam – Colômbia/Venezuela/Costa Rica/Peru/República Dominicana terão seus campeonatos ou categorias à parte até o ano que vem). Seat, Honda, Ford, Opel e VW têm tudo para vender muitas máquinas pelo mundo, e dos certames nacionais e regionais surgirem pilotos e equipes para correr na série principal.

Se eu já critiquei quem andou enchendo o panorama internacional de categorias, neste caso considero bastante interessantes a fórmula e a proposta, especialmente por envolver países que andavam na periferia do esporte – o Chile, por exemplo, apareceu no calendário original, e só preferiu adiar sua estreia para 2016 para adequar o Autódromo de Codegua. Taí uma opção interessante para quem cresce no kart brasileiro sonhando com algo mais do que as rodas descobertas. Em tempo, o espírito reinante é por enquanto tão amistoso que a equipe de Franz Engstler, que deixou o WTCC, teve autorização para alinhar três Audi TT devidamente depotenciados, enquanto os VW Golf GTI do time não ficam prontos. Olha que ninguém chiou…


TCR International Series
Inscritos

Franz Engstler (ALE)   Engstler Liqui Moly        Audi TT/VW Golf GTI

Mikhail Grachev (RUS) Engstler Liqui Moly        Audi TT/VW Golf GTI

Lorenzo Veglia (ITA)           Engstler Liqui Moly        Audi TT/VW Golf GTI

Gianni Morbidelli (ITA)       West Coast Racing       Honda Civic TCR     

Kevin Gleason (EUA)         West Coast Racing       Honda Civic TCR     

René Munnich (ALE)          West Coast Racing        Honda Civic TCR     

Michael Nykjaer (SUE)      Target                           Seat León Cup Racer

Stefano Comini (SUI)          Target                           Seat León Cup Racer

Andrea Belicchi (ITA)         Target                          Seat León Cup Racer

Jordi Oriola (ESP)              Campos Racing            Opel Astra OPC

Igor Skuz (UCR)                Campos Racing             Opel Astra OPC

Diego Romanini (ITA)         Proteam                        Ford Focus ST

Ferenc Ficza (HUN)           Zengo Motorsport           Seat León Cup Racer

Frank Yu (HKG)                Craft-Bamboo                Seat León Cup Racer

Pepe Oriola (ESP)             Craft-Bamboo Lukoil       Seat León Cup Racer

Jordi Gené (ESP)               Craft-Bamboo Lukoil       Seat León Cup Racer

Sergiy Afanasiev (RUS)      Craft-Bamboo Lukoil       Seat León Cup Racer

LMP2: quando mais é menos…

O amigo leitor saberia dizer aonde está o erro nas cinco fotos abaixo? Se for adiante a proposta discutida entre a FIA, o Automobile Club d’Ouest (ACO) e a IMSA, um dos cinco protótipos LMP2 coupé de nova geração (ou até mais) dança em 2017, quando entra em vigor um pacote de regras estudado para reduzir custos e consolidar a segunda categoria da endurance mundial. O pretexto para o post foi a apresentação do BR01, desenhado pelo craque italiano Paolo Catone a pedido do magnata, mecenas e piloto russo Boris Rotenberg.

Um ponto já está praticamente fechado: será um motor só, e apesar do sucesso do trabalho da Nissan, que tem vencido praticamente tudo, muito provavelmente a mecânica será de origem VW – o nome, no caso, será questão mercadológica, se Seat, Skoda, Audi, Porsche, Bentley, Lamborghini (eu apostaria nessa) ou a própria Volks.

Só que outra ideia que ganha força é a de limitar em quatro o número de construtores de chassi. Já imaginou? Como as fotos mostram, há mais fábricas do que vagas e, para piorar as coisas, se gigantes como a Dallara resolverem entrar no mercado, muita gente boa vai rodar. A Gibson (ex-Zytek) tem um carro no forno, mas pode não sair do papel. E Honda, Oreca, BR, Dome e Ligier já têm seus modelos prontos. Quem em sã consciência investiria num projeto que pode caducar em dois anos? E a grande graça da história do automobilismo sempre foi a concorrência, especialmente nas categorias de acesso. Imagine só que é possível termos mais fabricantes no andar de cima (LMP1) do que no reino dos artesãos, dos pequenos que querem se tornar grandes. Tomara que prevaleça o bom senso e, como ocorre nas duas rodas (com a Moto2), se a mecânica for uma só, que cada um tenha o direito de interpretá-la como achar melhor, dentro das regras…

BR01

Dome

Ligier

Honda ARX

Oreca 05

Desta vez não tem Max Mosley

Que a primeira etapa do Mundial de Fórmula 1 não agradou por vários aspectos, está mais do que claro. Seja pelas polêmicas extra-pista que acabaram no tribunal; pelo grid minúsculo e até mesmo pelo motivo menos relevante, o domínio das Mercedes, que suscitou ameaças ridículas da Red Bull, tentando forçar a barra para conseguir equiparação com as Flechas de Prata no tapetão. Pois me parece algo cristalino que a categoria máxima do automobilismo mundial começou 2015 com o pé esquerdo, e não é falar em motores com 1.000cv, pneus mais largos ou novas revoluções no regulamento que deixará o ambiente mais leve, especialmente agora que os motores fazem mais barulho e as máquinas estão mais velozes.

Fico pensando que os acionistas do circo não devem ter noites tranquilas, ao imaginar que a galinha dos ovos de ouro já não é a de antes. Quem poderia imaginar que a nação economicamente mais estável e forte da Europa, pátria de 11 títulos mundiais divididos nos sete de Schumacher e quatro de Vettel fosse obrigada a abdicar de seu GP? E Bernie Ecclestone pode até falar o contrário mas, correr no Azerbaijão nunca será a mesma coisa do que acelerar em Hockenheim ou Nurburgring. E mesmo países que eram vistos como as novas fronteiras (Índia, Coreia do Sul) jogaram a toalha rapidinho.

Isso me faz lembrar, com grande alívio, que não temos mais no comando da FIA um certo Max Mosley, aliado de primeira hora do tio Bernie. Quando a F-1 fazia água no começo da década de 1990, ele tanto fez que provocou a morte do Grupo C, o então Mundial de Protótipos, e, se pudesse, faria o mesmo com o rali, para evitar a concorrência. Naquele período, Le Mans chegou a ter a sobrevivência em risco, com grids pífios e máquinas remendadas, justamente quando Toyota e Peugeot mais investiam.

        Ginetta/divulgação

Pois agora Jean Todt dificilmente se renderá a pressões semelhantes. Ao contrário, ele vem estimulando a criação de categorias (Fórmula E, por exemplo) e se mostra entusiasta com o sucesso do automobilismo como um todo. Bom exemplo foi a chancela oficial para a volta da F-2 e o suporte não só ao Mundial de Endurance, como às séries regionais. Graças a essa política, foi criada ano passado a categoria LMP3, da qual o primeiro exemplar, o Ginetta (foto), foi à pista hoje, pela primeira vez. Uma forma de aproximar pilotos em começo de carreira ou gentlemens de competições internacionais de endurance. Assim, a turma do circo vai ter que rebolar…

Agenda “”sem Mundial””. E quem disse que precisa?

Apenas dois mundiais ainda não começaram no automobilismo: os de Rallycross e Endurance; enquanto, nas duas rodas, a expectativa é imensa para o início da Moto GP semana que vem, no Catar. Dito isso, neste fim de semana não há corrida válida por qualquer mundial nas quatro rodas – nas motos, as Superbikes aceleram no novo circuito tailandês de Buriram. Mas, a bem da verdade, quando a oferta de categorias pelo mundo oferece qualidade, nem é o caso de precisar de WTCC, WRC ou F-1, que há provas e campeonatos tão interessantes quanto rolando pelos quatro cantos do planeta. Eventos que dispensam apresentação, como as 12h de Sebring, desde o ano passado válidas “apenas” pela série Tudor United Sportscar, e que nem por isso perderão o charme ou parte do desafio. Continuam sendo daquelas conquistas que dão sentido a um currículo, a uma temporada inteira, seja entre os protótipos, seja nos GTs.

Mas não é só isso, como diria aquela antiga e folclórica propaganda das Facas Ginsu (é do seu tempo?). Você ainda leva uma rodada quádrupla em Goiânia, com a abertura da Stock Car; dos Brasileiro de Marcas e Turismo e do Mercedes-Benz Challenge. E como estamos falando da corrida de duplas, teremos o privilégio de ver na pista craques como o campeão mundial de turismo Jose Maria López; Alvaro Parente, Jaime Alguersuari, Vitantonio Liuzzi, Jacques Villeneuve, Laurens Vanthoor, entre outros, sem contar, lógico, as feras habituais da categoria. E, dos EUA, vem a notícia de que quem seria o grande nome da quinta etapa da Nascar Sprint Cup, em Fontana, não poderá acelerar. Já contei aqui da difícil trajetória de Brian Vickers e seus problemas cardíacos, que não o impediram de seguir correndo. Mas, ironia do destino, na prova que tem como título o “Drive 4 Clots”, ou algo como “Correndo contra os coágulos”, em que seria o principal testemunhal, ele voltou a ter problemas do gênero e, por conta da medicação, fica de fora. Lógico que a saúde vem em primeiro lugar, e o volante do Toyota Camry #55 está esperando para quando de sua recuperação que, torcemos, será breve. No mais, nem é preciso dizer, mas, curta a agenda e o fim de semana.

Internacional

Tudor United Sportscar: segunda etapa – 12h de Sebring

Nascar Sprint Cup: quinta etapa – Auto Club 400 (Fontana)

Nascar Xfinity Series: quinta etapa – Drive4Clots300 (Fontana)

Italiano de Rali: primeira etapa – Rally Il Ciocco

Mundial de Superbikes: segunda etapa – Buriram (Tailândia)

Nacional

Stock Car: primeira etapa (corrida de duplas) – Goiânia

Brasileiro de Marcas: primeira etapa – Goiânia

Brasileiro de Turismo: primeira etapa – Goiânia

Mercedes-Benz Grand Challenge: primeira etapa – Goiânia

Na telinha

Sábado (21)

12h      Stock Car (Corrida de duplas): treino oficial              Sportv

Domingo (22)

9h30   Stock Car (Corrida de duplas):                                           Sportv/Globo (*)

(*) a partir das 10h30

12h30    Brasileiro de Marcas: etapa de Goiânia                      Band

16h20   Nascar Sprint Cup: etapa de Fontana                           Fox Sports 2

Sportsplace: uma ideia e um sonho que se realizam…

Fã que é fã da velocidade não se limita a acompanhar notícias de suas categorias preferidas nas TVs, rádios, jornais e internet. Bom é ter a camisa de uma equipe, um adesivo, card, um pedaço de memorabília na estante, para se sentir parte do grande barato que é o esporte. E foi por constatar que no Brasil este tipo de artigo não circula como deveria é que veio a ideia: por que não criar um espaço destinado a oferecer material novo ou usado; raro ou comum, daqui ou de fora, e aproximar os apaixonados de sua paixão?

Foi por isso, e para isso, que resolvi criar do zero uma loja virtual que, até onde sei, é inédita por estas bandas. Material de Ferrari, Mercedes e Red Bull você até encontra, mas por preços estratosféricos. Mas, e as demais equipes, categorias, eventos do passado? E a possibilidade de o piloto vender um macacão que não usa mais, um capacete, um par de luvas que está sobrando, esvaziar o armário daquilo que só ocupa espaço, e poderia ter uso para outra pessoa?

Está no ar, então, a Sportsplace, com uma logomarca que não deixa dúvidas e um endereço nada complicado de memorizar: http://sportsplaceshop.com. Lógico que o sonho é oferecer muitos produtos mais do que os que estão na vitrine, garimpar preciosidades e convencer muitos dirigentes e donos de equipe que o automobilismo, o motociclismo e o ciclismo vendem, desde que com preços justos e coerentes. Será uma luta, mas uma luta de um apaixonado que quer ver as coisas circulando, a memória sendo valorizada, as cores e marcas dos patrocinadores devidamente destacadas, e que qualquer pessoa, em qualquer lugar do Brasil, tenha acesso a uma parcela deste mundo fascinante. Muitos produtos virão acompanhados de um certificado de autenticidade assinado pelo dono (na verdade, mais do que isso, um autógrafo).

E entre os produtos já conseguidos, para que você tenha uma ideia, há um macacão Sparco oficial usado por Nelson Piquet na Brabham, em 1985. Tem ideia do que isso significa? É um pedaço imenso de história, com um preço que está distante de ser absurdo. Convido o amigo leitor a visitar o espaço, seguir a loja no Twitter (@sportsplaceshop) e ficar por dentro das novidades. E, se tiver o que vender, é só falar. Porque, como diz o slogan do site, “nós aceleramos a mesma paixão”…

Confesso que dormi – Coluna Sexta Marcha (GP da Austrália)

Em data nova (agora às terças-feiras), a coluna Sexta Marcha retornou às páginas do Estado de Minas e não poderia deixar de bater ponto aqui no blog, para quem não conseguiu ler no papel ou na versão digital do jornal. O título diz muito sobre o que se viu ao longo das 58 voltas em Melbourne e, a bem da verdade, a movimentação na pista acabou sendo o menos importante de um fim de semana que, se espera, tenha sido atípico…

         AMG Mercedes/divulgação

             

                             Confesso que dormi Quando um de seus 22 empregos (quem brinca não sou eu, mas os italianos) era o de presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo sugeriu que a Fórmula 1 deveria se sentar à mesa com as grandes corporações tecnológicas, como Google e Microsoft, e buscar formas de se situar na era das mídias sociais e da comunicação global. Uma indireta ao temor de Bernie Ecclestone, que nunca gostou de dividir a galinha dos ovos de ouro com ninguém. Nada de imagens grátis, de facilitar o acesso ao circo, especialmente se não houver dinheiro envolvido. Se é a máxima expressão da tecnologia e do automobilismo, não poderia ser um espetáculo para qualquer um, ao menos na pista e em termos de merchandising.

Só que a globalização encurtou espaços e distâncias e democratizou o acesso à informação. Hoje, com uma conexão razoável à internet, é possível acompanhar na tela do computador corridas das mais variadas categorias pelo mundo de forma legal, e gratuita. E quem realmente gosta da velocidade, o fã que tem gasolina nas veias, não se contenta com a F-1 pela F-1. Sabe que o Mundial de Endurance, com Audi, Toyota, Porsche e Nissan se digladiando com esquadrões de primeiro nível, pode ser muito mais emocionante. E o mesmo ocorre com as artes e outras formas de entretenimento. A concorrência ficou pesada, os números menos favoráveis e algumas mudanças se fizeram exigir.

O leitor há de lembrar que o site oficial da categoria é coisa recentíssima; que os gráficos repletos de informações não existiam nos tempos em que ficávamos embasbacados com os japoneses e tudo o que reservavam para o seu GP, em Suzuka – era alta definição antes do HD. Para a grande maioria, era o básico, e quem quisesse mais que pagasse a assinatura de um canal a cabo (Tio Bernie chegou a ter sua própria estrutura de geração de imagens, absurdamente gigantesca). Mas eis que os números de audiência começaram a cair; sinais preocupantes apareceram; os patrocinadores praticamente sumiram – hoje a grande maioria dos times não tem um “title sponsor” e todos preferem falar em “parceiros”. Ao mesmo tempo, a metade técnica da categoria (leia-se Jean Todt e a Federação Internacional de Automobilismo) começou a fazer pesquisas, a se interessar pelo espectador, a fazer eventos paralelos, seminários e discussões que envolvessem os amantes pelo esporte. Surgiram normas para conter a paranóia dos times em esconder seus segredos, a qualidade das transmissões (falo das imagens e seus penduricalhos) melhorou muito e temos até mesmo a F-1 no Twitter. Finalmente o circo resolveu descer de seu pedestal.

Mas… num momento de briga acirrada para manter prestígio e público, a F-1 deu um tiro de canhão no pé no GP da Austrália. Não falo da Manor, que fez até muito ao conseguir levar seus carros para Melbourne (em 2010 a Hispania também não saiu dos boxes). O problema, aliás o primeiro deles, foi transformar em novela global uma disputa contratual como já houve várias nas últimas décadas, e levar a categoria mais uma vez aos tribunais. Ainda que as letrinhas pequenas dessem a Giedo van der Garde o direito de se considerar titular da Sauber, era algo que deveria ter ficado restrito aos advogados, e resolvido ainda na Europa, não num fim de semana de início de temporada.

Depois houve a cascata de problemas que era esperada para ano passado, quando os motores turbo eram novidade, não agora. Tire da brincadeira Valtteri Bottas, com um problema nas costas; a McLaren de Kevin Magnussen enfumaçada e a Red Bull de Daniil Kvyat, e apenas 15 carros alinharam. Olha que, segundo consta, os contratos do Tio Bernie com os circuitos garantem que ao menos 16 carros participarão de cada etapa. E ainda por cima havia a reestreia da Honda com seu motor que roncava tal e qual cortador de grama, o que tornou o cenário ainda mais desanimador. Ainda não é para acender a luz vermelha (não as da pista), mas é preocupante.

E teve corrida, sim, dominada como se esperava e desenhava pelas Mercedes, sem que houvesse muita ação para destacar. Ainda bem que Felipe Nasr se encarregou de garantir alguma emoção e orgulho para as cores verde-amarelas, ele que tem, sim, talento de sobra e muitos motivos para justificar a condição de titular além dos milhões de dólares de seus patrocinadores (lembremos que ganhou a última edição decente do ora defunto Inglês de F-3 e fez trabalho digníssimo como reserva na Williams). Seu xará Massa ao menos começou de forma mais animadora do que nos anos anteriores, e segue candidatíssimo a pódios, especialmente quando a estratégia dos boxes ajudar. E eu, que bravamente acompanhei toda a preparação, revoada de aviões de caça e entrevistas pré-GP, confesso que dormi nas voltas finais. Felizmente acordei a tempo de testemunhar a divertida conversa entre o vencedor Lewis Hamilton e o exterminador do futuro Arnold Schwarzenegger no pódio. Felizmente há duas semanas até a Malásia quando, espera-se, o cenário será algo mais positivo…