Mick, agora Schumacher, enfim aparece…

Não, o post não é para falar que Mick Schumacher, segundo filho do heptacampeão mundial de Fórmula 1, vai correr o recém-criado Alemão de F-4 com um carro da equipe holandesa Van Amersfoort Racing, que isso você já terá lido em vários outros lugares. A questão é que finalmente agora foi possível registrar imagens e falar do adolescente, até então blindado de uma forma exagerada, muito provavelmente pelo pai, e por quem o assessora. Olha que eu posso falar com algum conhecimento de causa.

Van Amersfoort Racing/divulgação

Estava eu em Sarno, próximo a Nápoles, na primeira etapa do Mundial das categorias KF e KF Junior, e também lá estava, com um sensacional motorhome cinza e preto, Schumi pai, a acompanhar o filho, integrante oficial da equipe Tony Kart (da qual Schumacher chegou a ser sócio, num time satélite). Se Michael circulava sozinho pela pista, com sua bicicleta, e atendia pedidos de fotos e autógrafos – tenho uma foto do que, tudo indica, foi sua última aparição pública antes do triste acidente de esqui –, Mick era quase invisível no kartódromo. De repente aparecia na pista, e com a mesma velocidade sumia.

Ao fim de uma das baterias classificatórias, como estava devidamente credenciado e tinha acesso ao parque fechado, quis fazer uma foto não só dele, mas de outros pilotos que seriam personagens de uma matéria. Fotografei Mick Betsch sim (fiz o mesmo com Giuliano Alesi, filho de Jean) e, tão logo saí do galpão, fui interpelado por um senhor de meia idade com cara feia. Ele se identificou como segurança da família Schumacher e quis ver as imagens, ameaçando me processar por desrespeito à privacidade de uma criança. Até tentei argumentar, podia ter comprado briga ou me fazer de bobo, mas desisti ao ver que uma equipe de TV da Rai Sport foi tratada do mesmo modo. Fiz a matéria com Alesi, que até mesmo por ser coordenador de categorias de formação da Federação Francesa (FFSA), não vê qualquer motivo para não falar do filho.

E todo o início de carreira do pequeno Schumacher foi marcado pela aura de mistério. Treinos secretos, sobrenome da mãe (teria sido mais inteligente adotar um pseudônimo), nenhuma informação sobre quando e onde correria. Seria difícil durar para sempre, embora ainda não se saiba como será o assédio e o tratamento nos monopostos – muitos promotores de campeonatos exigem que os melhores colocados participem das entrevistas e estejam disponíveis aos jornalistas. Dificíl dizer também se o pai, cujo estado clínico é incerto e reservado, teve alguma influência, direta ou indireta, nas mudanças, a começar pela adoção do sobrenome paterno. E tomara que Mick descubra o que Damon Hill, Nelsinho Piquet, Jacques Villeneuve, Nicolas Prost, Marco (e Michael) Andretti, Kevin Magnussen e Max Verstappen descobriram: que é possível ter luz própria e não ser apenas “filho de”.

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