Sobre Alonso, choques e boatos…

“Mas você não vai escrever nada sobre essa história esquisita do Alonso?”. Vindo do próprio irmão, a intimada é séria e, a bem da verdade, o tema realmente exige um, ou vários posts. Afinal, não é só a questão do que levou a McLaren do asturiano a tomar uma trajetória improvável em um ponto relativamente seguro do traçado de Montmeló – e cada vez mais fica implícito que um fator externo, muito provavelmente uma fuga de corrente elétrica do (s) MGU (s) provocou a perda momentânea de consciência e reflexos do bicampeão, que, ao que tudo indica, instintivamente tirou o pé do acelerador e teve a sorte de bater paralelamente ao muro, já que qualquer outro ângulo poderia ter provocado consequências ainda piores. Tanto assim que ele não sofreu nenhum tipo de contusão óssea, fratura ou coisa do gênero.

Aí de repente começam a pipocar rumores de que a carreira dele estaria condenada a um fim prematuro; que ele perdeu a memória e voltou a si como se fosse um piloto de kart, ou falando italiano, ainda se considerando empregado da Ferrari. E nem seria preciso Eric Bouillier confirmar. É uma reação mais do que normal em casos de choque cerebral ainda que leve. Pergunte a Nelson Piquet se lembra de algo do que se passou no GP de San Marino de 1987, quando bateu violentamente na maldita Tamburello. Pelo contrário, passou a conviver com dificuldades para dormir e outros efeitos negativos, mas foi campeão do mundo no fim das contas.

E nada melhor do que se valer de um exemplo prático, ainda mais crítico, para mostrar como as coisas são relativas e não é o caso de se deixar levar pela primeira notícia que aparece. Cristiano da Matta testava o carro da RuSport em Road America, no ano de 2006, quando de repente teve o desprazer de atropelar um cervo que resolveu atravessar a pista. Foram duas semanas em coma, a “tampa” do crânio retirada para conter o edema e uma recuperação lenta e trabalhosa. E quem conta não é ele, que certamente não se lembra, mas o pai, Toninho, outro que entende um bocado de automobilismo e, ainda assim (e com toda a razão), se assustou. “Quando ele recuperou a consciência, as lembranças voltavam de um modo irregular. Houve um dia em que o Guto (Gustavo, o irmão), pôs um fone no ouvido dele e ele começou a cantar, em inglês, a música inteira. Aí eu entrava no quarto e ele olhava sem a mínima ideia de quem eu fosse. Felizmente os médicos nos alertaram que seria assim, o que me tranquilizou um pouco.”

Considerando o grau de preparação física dos pilotos (e Alonso, fã do ciclismo, é um dos mais obcecados), somente algo absurdamente incomum seria capaz de provocar tal celeuma ou temor. E as imagens dele ao deixar o hospital, ou os comentários nas redes sociais, mostram que não foi o caso. De todo modo, grave se um sistema que funcionou sem sustos para todos os carros de todas as equipes em 2014 apresentou algum tipo de falha, numa power unit que dava seus primeiros passos. Especialmente vindo de uma fabricante que se preza pela excelência e pela precisão oriental – lógico que pode ter havido uma incompreensão entre componentes nipônicos e britânicos, mas imperdoável de qualquer modo. Que ao menos na Malásia as coisas saiam como o esperado – a síndrome do segundo impacto é algo recorrente nos ovais e já tirou muito piloto de corrida, justificadamente…

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