Só falta uma – Coluna Sexta Marcha (GP da Malásia)

*** Então as primeiras previsões para o desfecho da temporada no circo foram frustradas já na segunda corrida do ano, com um sucesso da Ferrari que nem mesmo o mais otimista torcedor do Cavallino esperava vir tão cedo. E a coluna publicada nas páginas do Estado de Minas, e agora reproduzida no blog, como de costume, fala justamente do que pode representar o resultado para o campeonato. A reação da imprensa italiana é menos de euforia e expectativas exageradas e mais de alívio, pelo fim de uma seca que incomodava. Lógico que surgem as comparações com Michael Schumacher e sua era de sucessos na Scuderia, mas o que fica claro é que na própria equipe a postura ainda é de cautela, mais que justificada, como eu comento abaixo…

Só falta uma Alegremos-nos pois, fãs da velocidade, já que a temporada que prometia um domínio avassalador das Mercedes terá a marca do duelo entre campeões mundiais; a volta da Ferrari e de Sebastian Vettel, alijados que estavam das posições que contavam no campeonato de 2014.

Será mesmo? E o desfecho totalmente inesperado do GP da Malásia, em que Lewis Hamilton e Nico Rosberg estiveram na pista até a bandeirada, sem problemas mecânicos, e nenhum fator externo interferiu no resultado, pode ser interpretado como uma tendência que se repetirá da China em diante? Mais do que isso, a recuperação vermelha em tão pouco tempo pode ser analisada como consequência da revolução iniciada com a dispensa de Luca di Montezemolo, a saída de Fernando Alonso, Stefano Domenicali, Pat Fry, Luca Marmorini, Marco Mattiacci e outros?

A resposta para todas as perguntas é… talvez, ainda sem tanta convicção. Lógico que dá prazer ver um piloto como o alemão de Heppenheim calar os críticos ao mostrar que não precisa do melhor carro para vencer, quanto mais mostrando tamanha identificação com o time de Maranello. E que a Ferrari 2015 é infinitamente melhor do que a antecessora é fato – tanto assim que a comparação com a Williams é impiedosa –, era algo que podia se considerar já nos testes de pré-temporada, quando o SF15T mostrou ter velocidade de reta e pressão aerodinâmica (que o F14T não tinha). Daí a dizer que Sergio Marchionne era o presidente de que o Cavallino Rampante precisava; que Maurizio Arrivabene é o comandante de tropas perfeito e que homens das sombras como Simone Resta e Mattia Binotto são os próximos candidatos a gênio da categoria, vai um longo caminho.

Para começo de conversa, a influência de James Allison na concepção da máquina fracassada de 2014 foi mínima, já que ele retornou à Scuderia no meio do projeto. Era de se esperar que, com mais tempo para trabalhar, o resultado fosse mais digno de sua reputação. E o mesmo vale para o motor. No ano passado, Marmorini foi obrigado a “empacotar” tudo por exigência da turma do chassi. E o regulamento não dava brecha para correções. Do jeito que cada unidade de potência foi homologada, teve de terminar o ano. Aprendidas as lições, desta vez foi possível alterar quase a metade dos componentes, e com certeza a turma que carrega a herança do comendador Enzo Ferrari não desaprendeu como se faz.

Mas, daí a dizer que Arrivabene e seus comandados terão de andar desnudos pelo frio da Emilia Romagna, como o dirigente brincou caso seu time fosse além da previsão – ele afirmou que considerava sensacional um balanço de duas vitórias no ano, e metade da missão já foi cumprida – vai um longo caminho. O próprio Arrivabene é o primeiro a não se deixar iludir pelo resultado de domingo, quanto mais fazer promessas de circunstância que os tifosi adorariam ouvir. A Mercedes ainda tem a vantagem a seu lado. É mais rápida com os compostos de pneus macios e supermacios; sua unidade de potência consome menos e ainda ostenta alguns cavalos a mais. E tem orçamento, estrutura e profissionais talentosos o suficiente para reagir sem pânico. Some-se a isso a característica principal das Williams – compromete o equilíbrio aerodinâmico nas curvas em nome de um melhor desempenho nas retas (e nas pistas de alta). Lógico que uma disputa a três – pode ser a quatro se a Red Bull finalmente se entender com a Renault – seria o sonho de qualquer fã, mas é melhor ir devagar com o andor e esperar ao menos até a Espanha para traçar os primeiros prognósticos. De todo modo, como diria o “professor” Zagallo, para quem queria duas vitórias, só falta uma. Difícil vai ser se contentar com o que pode ser bem mais…

Tristes tempos Causou um certo efeito ver os carros da Manor na pista (mais o de Roberto Merhi) com a decoração praticamente imaculada. Pequenas logomarcas da Pirelli e, na lateral da asa traseira, o nome da Errea, que é apenas a fornecedora de material esportivo (não o dos pilotos) do time inglês. E nada mais. Houve um tempo, não muito distante, em que mesmo os times obrigados a encarar a pré-qualificação (que deixava cinco ou seis carros de fora já na sexta-feira) ostentavam adesivos e decorações dos mais variados, que fossem da padaria da esquina ou da loja de móveis e utensílios do vizinho. Se a principal categoria do automobilismo mundial não consegue se vender, a coisa é realmente séria. E não é Bernie Ecclestone defender revolução no regulamento ou uma versão feminina da F-1 que mudará o cenário.

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