Imagens e histórias de Hockenheim

Eu sinceramente duvido que um fã da velocidade seja capaz de viver o que eu vivi hoje e não se arrepiar um bocado. Está certo que a segunda reta do traçado de Hockenheim foi mutilada e o que era um mergulho interminável em apneia rumo ao Stadium virou uma pista mais curta e menos desafiadora, mas se sentar numa das cadeiras de um dos trechos mais lendários da história do automobilismo é coisa de sonho. Olhar adiante e se sentir cercado de arquibancadas, entender o por quê de tal sequência de curvas ser tão famosa, cantada em prosa e verso, numa atmosfera que, acredito, realmente será, amanhã e domingo, a de um estádio de futebol, com uma torcida que continua enlouquecida e apaixonada.

E olha que Hockenheimring não é, mesmo com o traçado atual, de 4.574m, uma pista de dar inveja em se tratando de estrutura. Antes mesmo de qualquer reforma, o espaço de boxes e sala de imprensa de Interlagos levava a melhor na comparação – no circuito próximo a Heidelberg é tudo muito simples e funcional, certamente bem abaixo do que Bernie Ecclestone considera adequado para o circo (e, a bem da verdade, não foi este o motivo que tirou o país dos 11 títulos mundiais do calendário).

Mas ninguém se importa ou reclama. Há espaço de sobra no paddock para cinco categorias montarem suas tendas, sem aperto ou discriminação. As carretas do DTM estão cuidadosamente alinhadas, e não importa qual seja a equipe, as cores são das montadoras, BMW, Audi e Mercedes. Na parte oposta ficam as escuderias do Europeu de F-3, que mostram que acelerar num campeonato que se tornou passagem praticamente obrigatória para quem quer chegar longe não exige estruturas faraônicas, algumas são até mais modestas que as de muitas fábricas do kart, mas profissionalismo e racionalidade sobram. E ainda há a estreante Audi TT Cup e a seguidíssima e sensacional Porsche GT Cup alemã, não uma reunião de gentlemen drivers, mas um ninho de feras – e não são Matteo Cairoli, Aleix Riberas, Conor de Phillipi ou Michael Ammermüller a me desmentir.

Sem contar que foi possível montar um traçado de 1.240m no trecho do estádio para receber a segunda etapa do Mundial de Rallycross, uma dobradinha inédita. Deu gosto ver as máquinas saindo do asfalto e encarando as partes de terra com potência e estabilidade de sobra. Nem falo dos motores turbo de 600cv; das suspensões com imensos reservatórios de nitrogênio e regulagens mil; das imensas asas traseiras em fibra de carbono, bem como as tantas peças reprojetadas para ganhar peso. Não por acaso os treinos livres de hoje foram dos momentos mais acompanhados pelo público, que começa a chegar à região para sua festa anual.

Pois esse primeiro dia nos bastidores de uma semana tão especial mereceu a maior galeria de fotos dos cinco anos do blog, e olha que tem muita coisa ainda a ser registrada. Espero que o amigo leitor curta, e também tenha, ao menos um pouco, a sensação de mergulhar num mundo que estamos normalmente acostumados a acompanhar pela internet, em vídeos, fotos ou revistas. Nem precisava falar, mas de perto é fantástico, ainda mais num cenário que é pura história. Ou dá para esquecer do show de Ayrton Senna na chuva, em 1988, logo depois de ter feito o mesmo em Silverstone? Curta as imagens, que depois tem mais…

Anúncios

O blog faz as malas, parte 436,5

       Sim, não foram tantas vezes quanto brinca o título do post mas, antes mesmo de o Sexta Marcha entrar no ar, em 2010, este que vos escreve teve o privilégio de acompanhar vários eventos do automobilismo e do motociclismo longe de casa e perto da emoção. Pois não é diferente desta vez, quando mais uma viagem tem gosto de novidade, mas também de reencontro. Nos próximos dias, o escritório será o Hockenheim Motodrom, circuito lendário (ainda que vítima dos novos tempos), no coração da Floresta Negra, e palco de uma semana que faria qualquer leitor salivar só de pensar.

      Imagine que, num mesmo espaço, serão disputadas a segunda etapa do Europeu de F-3, com suas 34 máquinas e um furioso pelotão de adolescentes em busca do topo (e o promissor mineiro Sérgio Sette Câmara, cujos patrocinadores viabilizaram a viagem, será um observado especial, com a chance de acompanhar todos os bastidores de uma das mais profissionais equipes da terra dos campeões do mundo, a turma do 7 a 1); a abertura do Deutsche Tourenwagen Meisterschaft, o DTM e, cereja do bolo, a segunda parada do Mundial FIA de Rallycross (FIA RX). E isso que eu nem mencionei a Porsche Cup e a Audi TT Cup, que também integram a programação. Tudo isso diante de uma multidão que, pelo visto, não se preocupa com o fato de ter perdido o GP da F-1, já que acompanha as disputas de Audi, BMW e Mercedes com fervor quase religioso. Não se imagina menos de 80 mil pessoas ocupando as tribunas do motódromo, num espetáculo que, tudo indica, é bem mais democrático do que o oferecido pelo circo.

      Sobre o reencontro, vale a pena voltar no tempo e lembrar de um fim de ano em 1996, quando o DTM de então quis ganhar asas, virou o ITC e fez de Interlagos o palco de sua penúltima etapa. Menos de um ano de formado e lá fui eu com a missão de acompanhar tudo, mas, principalmente, falar com um certo Alessandro Nannini, que pouco tempo antes sofrera um gravíssimo acidente de de helicóptero, perdendo um dos braços, depois reimplantado. E que comandava uma Alfa Romeo 155 4×4 com pouquíssimas adaptações. Melhor de tudo foi ver um então menino Max Wilson, que correu como convidado, levar outra Alfa, esta de um time privado, a uma impressionante segunda posição na corrida decisiva, a mesma que consagrou Manuel Reuter campeão da temporada, sob uma chuva danada. Que venha Hockenheim, que o que tiver de bom eu conto e mostro…

Fim de semana de inéditas e de tragédia…

O fim de semana nas pistas pelo mundo foi marcado pelo signo da novidade. Nem o mais fervoroso fã imaginou que Mick Schumacher fosse ao alto do pódio em sua primeira etapa no comando de um monoposto – o avô Rolf o acompanhou em Oschersleben, e é de se questionar se, e como o pai terá reagido ao resultado. Tudo bem que ele deve ter limado meia Europa com seu F-4, que se preparou com uma disciplina que é marca de família, mas estávamos falando de 39 carros no grid e de uma categoria em que é muito difícil fazer a diferença no equipamento.

E aqui ao lado, nas estradas de terra próximas a Córdoba, Kris Meeke, que já havia mostrado seu talento em terras brazucas ao vencer uma etapa do finado IRC em Curitiba, entrou para a galeria de vencedores de provas do Mundial de Rali, o WRC, com o Citroën DS3. Pouco importa se os principais adversários ficaram pelo caminho pelos problemas mais variados – corrida é assim mesmo, e fica cada vez mais claro que Sebastien Ogier está longe de ter a mesma estrela do xará Loeb; o britânico não passeou, andou sério e aprendeu com os erros alheios. Para um campeonato que parecia estar marcado pelo signo da VW, um resultado a comemorar, que pode inclusive convencer os dirigentes franceses a permanecer na categoria por mais tempo, quem sabe apostando em mais um jovem talento do país.

Pena que nem todas as notícias foram boas, e há algo a lamentar. Os treinos para a subida de montanha de Rechberg, na Áustria foram fatais para o experiente tcheco Otakar Kramsky, piloto e engenheiro dos bons e presença constante nas provas do Europeu (CEM). Seu Reynard 2KL (modelo de F-Nippon, com chassi em carbono e um razoável standard de segurança) escapou em direção a um bosque e os impactos não lhe deixaram qualquer chance. Como sempre, tão logo a poeira baixou, surgiram indícios de que a proteção no local era insuficiente. A modalidade é muitas vezes ingrata em termos de riscos, mas o número de acidentes graves felizmente é contido em comparação com o número de provas. Não resolve nada, mas que fique a mensagem postada no site do piloto: “ele se foi fazendo o que gostava…”

Agenda de dar inveja…

Felizes os argentinos, que em duas semanas recebem dois campeonatos mundiais, e ainda terão o de Rallycross, enquanto nós, brasileiros, nos contentamos com o de F-1. Ainda não tive a chance de acompanhar a festa única do WRC nas cercanias de Córdoba, mas pude visitar Villa Carlos Paz, centro da etapa, e até mesmo andar na superespecial usada pelos melhores pilotos do planeta, quando do curso com o craque finlandês Toni Gardemeister, em 2013. E já deu para ter uma ideia do fervor quase religioso dispensado pelos hermanos – são centenas de milhares de pessoas espalhadas pelo percurso, animadas pelo “asado” – haja carne na parrilha pra tanta paixão.

           Hyundai Motorsport/divulgação

E já que eu falei em Rallycross, o último dos mundiais FIA a ligar os motores o faz em Montealegre (Portugal), com a promessa de mais uma temporada emocionante e a perseguição dos adversários a Petter “Hollywood” Solberg. Sobre a modalidade, aliás, o blog tem uma surpresa, que eu revelo semana que vem. E também começam os Racing Weekends da Renault (na Europa), enquanto Indy e Nascar seguem em velocidade de cruzeiro.

Por aqui, o quente é a movimentação no Velopark (os gaúchos mandam bem mais uma vez), com as quatro categorias organizadas pela Vicar reunidas pela primeira vez num só espaço. O traçado pode ser curto, mas coube todo mundo – Stock Car, Marcas, Turismo e F-3, o que é um grande barato para quem pode acompanhar no local. Resumindo, quantidade e qualidade para todos os gostos e ninguém botar defeito…

Internacional

Mundial de Rallycross (FIA RX): primeira etapa – Montealegre (Portugal)

Mundial de Rally (WRC): quarta etapa – Xion Rally Argentina

Verizon Indycar Series: terceira etapa – GP do Alabama (Barber Motorsports Park)

GT Open: primeira etapa – Paul Ricard (França)

Euroformula Open: segunda etapa – Paul Ricard (França)

World Series Renault: primeira etapa – Motorland Aragón (Espanha)

Europeu de F-Renault: primeira etapa – Motorland Aragón (Espanha)

Nascar Xfinity Series: oitava etapa – ToyotaCare 250 (Richmond)

Nascar Sprint Series: nona etapa – Toyota Owners 400 (Richmond)

Nacional

Brasileiro de Stock Car: terceira etapa – Velopark (RS)

Brasileiro de Turismo: segunda etapa – Velopark (RS)

Brasileiro de Marcas: segunda etapa – Velopark (RS)

Brasileiro de Fórmula 3: segunda etapa – Velopark (RS)

Lancer Cup: segunda etapa – Velocittá

Mineiro de Kart: terceira etapa – RBC Racing (Vespasiano)

Na telinha

Sexta (24)

20h30   Nascar Xfinity Series: etapa de Richmond        Fox Sports 2

Sábado (25)

12h    Stock Car: etapa do Velopark (treino oficial)      Sportv 2

20h    Nascar Sprint Cup: etapa de Richmond         Fox Sports 2

Domingo (26)

13h    Stock Car: etapa do Velopark             Sportv 2

Meio canadense, meio brasileiro, um pé no circo e… piloto

A maior parte das atenções na primeira etapa do Francês de F-4, em Lédenon, se voltou para Giuliano Alesi, que venceu duas das três corridas, e que tive o prazer de conhecer há dois anos, no Mundial de Kart (KFJ) em Sarno, na Itália, onde conversei com o pai, que também é uma espécie de coordenador da equipe de pista da Federação Francesa (FFSA). Mas outro piloto do mesmo grid, que esteve bastante próximo do pódio e mostrou potencial, tem história igualmente interessante, ou até mais.

Já ouviu falar em Kami Moreira Laliberté? Confesso que era novidade para mim até a Copa do Mundo de Kart de 2012, em Zuera (Espanha), quando me chamou a atenção o segundo sobrenome, o mesmo do fundador do Cirque du Soleil, Guy Laliberté. Fui procurar saber e a primeira supresa foi uma bandeira brasileira no trailer da equipe, ao lado da canadense. Quando disse que trabalhava para um jornal de Belo Horizonte, a segunda novidade: o adolescente, em português impecável, me disse: “ué, mas é a terra da minha mãe”.

E a suspeita principal se confirmou. Kami é filho do fundador de uma das mais elogiadas e sensacionais trupes de entretenimento do planeta. E ao contrário do pai, que fez fama e fortuna a partir de espetáculos de rua em Montreal; ou da irmã, que compete em provas de hipismo, tem como paixão a velocidade. Uma trajetória que começou graças à amizade com outro canadense que vem ganhando espaço nas pistas do mundo, Lance Stroll, filho de Lawrence Stroll, dono de um império que inclui, entre outras, a grife Tommy Hilfiger. De algumas brincadeiras num kartódromo canadense qualquer, surgiu a vontade de seguir adiante e levar a coisa a sério.

O pai, com quem conversei então – está aqui a foto dos dois, tirada na época – dá total apoio, embora seja algo mais modesto do que Stroll Sr., que tinha um motorhome maior até que o usado por Michael Schumacher para seu Mick. E Kami está fazendo o caminho certo, começando por uma categoria que ensina os rudimentos, antes de encarar desafios mais sérios como a F-Renault ou a F-3. Quando ouvir este nome de agora em diante, vale torcer, já que tem um quê de verde e amarelo por baixo do capacete.

Disputa de mentira (Coluna Sexta Marcha – GP do Barein)

  *** Aqui está então a coluna sobre o GP do Barein, tal e qual publicada nas edições impressa e digital do Estado de Minas. Uma corrida que, como sustento no texto, deixou clara a verdadeira relação de forças na Mercedes, e quem realmente faz a diferença, mesmo quando as circunstâncias não ajudam. Ano passado foi complicado por conta dos problemas mecânicos, mas, se eles não repetirem, o time dos tricampeões vai ganhar mais um integrante até o fim do ano.

    

                    AMG Mercedes/divulgação                  

Disputa de mentira

Voltemos a fita (sim, essa é das antigas) uma temporada, para lembrar as circunstâncias do duelo entre Lewis Hamilton e Nico Rosberg. O inglês abandonou em Melbourne, quando um cabo de vela caprichoso resolveu atrapalhar seus planos; foi traído pelos freios no Canadá, largou em último na Alemanha, depois que o motor pegou fogo no treino oficial; e na Hungria. E, abatido a meia-nau pelo companheiro, também não terminou o GP da Bélgica. Só não chegou a Abu Dhabi com as duas mãos no título porque a questionável regra da pontuação dobrada, agora banida, dava maior esperança ao companheiro. No placar das vitórias: 11 a 5 para o nativo de Stevenage. E, na falta de quem pudesse rivalizar de verdade com as Flechas de Prata, alimentou-se um confronto doméstico que exigiu jogo de cintura da cúpula da Mercedes.

Pois basta termos condições normais de temperatura e pressão (não a dos pneus) para que a verdade se estabeleça. Nico Erik Rosberg é um piloto medíocre? Com certeza não. Tem o estofo de colegas de grid como Hamilton, Vettel, Alonso e Button? Também não. E não é só o resultado de domingo, no Barein, a justificar a tese.

Reza o folclore das pistas que a melhor medida da capacidade de um piloto é a condição de fazer mais do que dele se espera, do que o equipamento permite. Pois o inglês não apenas compensa com juros a superioridade do alemão nos treinos oficiais ano passado – já se vão cinco corridas em que ninguém larga à sua frente, considerando o GP final de 2014 –, como, para não deixar dúvidas, deixou a sete décimos de segundo a outra máquina prateada. E é lógico que quem larga na frente e não é diretamente ameaçado sente menos qualquer problema nos freios do que quem está sob ataque em toda a corrida.

E nem vou falar do que fez Sebastian Vettel em quatro corridas, depois que muitos decretavam que ele só seria capaz de brilhar com o melhor carro do circo. Não se entendia com o freio eletrônico (brake by wire) da Red Bull e, uma vez na Ferrari, fez as pazes com o talento e os bons tempos.

Tudo isso para mostrar que, no fundo, o filho do campeão mundial de 1982 tem tudo para a entrar para a história como parte de um time de respeito, mas de resultados apenas medianos. Ou é exagero do colunista incluí-lo num grupo que tem Mark Webber, David Coulthard, Rubens Barrichello, Gerhard Berger e Riccardo Patrese como bons exemplos? Todos venceram corridas, em algum momento chegaram a se colocar como candidatos ao título, mas nunca concretizaram totalmente seu potencial, embora o equipamento favorecesse.

Lewis Carl Hamilton está alguns degraus acima e mais uma vez fica claro que o obstáculo a separá-lo do tri não é o dono do carro 6, mas possivelmente uma certa dupla de vermelho, ou alguma travessura da mecânica “made in Brixworth”. O mais engraçado é que Rosberg já tem a continuidade no time estrelado assegurada, enquanto Hamilton segue na queda de braço para conseguir o que acredita ser justo. Quem quer que ocupasse seu lugar – lógico que estamos falando de gente como Alonso, Vettel ou Bottas, não menos, jantaria igualmente o esforçado e bom de bola Nico. Até aposto nele para vencer em Mônaco, onde parece ter algo mais, mas, para o campeonato, seria uma zebra sem tamanho.

Menos, Tio Bernie Bernie Ecclestone, sempre provocador e boquirroto, não perde a oportunidade de sugerir respostas para os problemas do circo. Depois dos tantos milhões de dólares gastos para desenvolver as novas unidades de potência, ele quer a volta dos V8, com 1.000cv. Fosse a F-1 como ele gostaria e teríamos curvas irrigadas artificialmente na tentativa de aumentar a emoção; o melhor piloto largando no pior carro, GPs apenas em países exóticos e em “Tilkódromos”. Adiantaria de alguma coisa?

Agenda de respeito para o fim de semana…

E eis que mais um fim de semana se aproxima em velocidade de carro de corrida e, com ele, o tradicional reencontro com a programação das pistas e estradas. Tudo bem que repetir a verdadeira lista telefônica da semana passada será quase impossível, mas três mundiais, Indy e Tudor Sportscar em Long Beach e a visita da Nascar ao incrível oval de Bristol, com sua meia milha e atmosfera de arena dos tempos modernos, são cardápio pra amante da velocidade nenhum botar defeito…

Internacional

Mundial de Fórmula 1: quarta etapa – GP do Barein (Sakhir)

Mundial de Motociclismo: terceira etapa – GP da Argentina (Rio Hondo)

Mundial de Turismo (FIA WTCC): terceira etapa – Marrakech (MAR)

GP2: primeira etapa – Barein

Verizon IndyCar Series: terceira etapa – GP de Long Beach

Tudor United Sportscar: terceira etapa – Long Beach (*)

Pirelli World Challenge: terceira etapa – Long Beach

Super Formula: segunda etapa  – Suzuka

Nascar Sprint Cup: oitava etapa – Food City 500 (Bristol)

Nascar Xfinity Series: sétima etapa – Drive to Stop Diabetes 300 (Bristol)

Nacional

Brasileiro de Rali (velocidade): primeira etapa – Estação

Porsche Cup: segunda etapa – Velocittá

Na telinha

Sábado (18)

7h05    GP2: etapa do Barein                                         Sportv

8h50    Fórmula 1 (terceiro treino livre)                        Sportv

11h55    Fórmula 1 (treino oficial)                                Sportv 3

12h35    Mundial de Motociclismo (treinos oficiais)    Sportv 2

Domingo (19)

8h15    GP2: etapa do Barein                                          Sportv

12h        Fórmula 1: GP do Barein                                  Globo

13h    Mundial de Motociclismo (corridas)                    Sportv 2

14h      Nascar Sprint Cup: etapa de Bristol                   Fox Sports

Circuito dos Cristais: fui, vi e gostei muito…

“Pera aí, você não é o cara que escreve o Sexta Marcha?”. Ainda bem que houve testemunhas, ou seria o caso de achar que eu estou contando história de pescador. Especialmente porque a cena se deu na portaria do Circuito dos Cristais, em Curvelo, e o autor da pergunta, um policial ambiental que passava pelo local, disse que vinha se inteirando sobre o que ocorria além daquela passagem ao ler o blog. Mais um motivo para justificar uma visita que era esperada há tempos, e finalmente pôde se concretizar.

Sim, porque embora eu tenha sido um dos loucos que acreditaram na iniciativa quando ela ainda não havia saído do papel (e aí também há testemunhas), ver com os próprios olhos é completamente diferente de acompanhar as fotos. E pensar que há muita gente que ainda duvida; que acha que a coisa não está caminhando; que não sairá do estágio de sonho. Olha que eu pude, literalmente, por os pés na pista, ou no que serão os 4.410m de traçado, todo delimitado por estacas, assim como as áreas de escape. Com máquinas e homens trabalhando sob o comando do espanhol Cristian; abrindo canaletas de drenagem; espalhando a cal que, combinada com a terra, comporá quase um concreto, que servirá de base para o asfalto (e assim resistirá a todo e qualquer tipo de veículo de competição). Asfalto, aliás, que começa a vestir de negro uma paisagem ocre a partir de junho.

E o que eu posso falar da pista é que ela será sensacional, sem a necessidade de nenhum Tilke dando palpites. São subidas e descidas constantes – a reta oposta tem a segunda metade cega, a la Austin; um S em descida que vai separar os homens dos meninos; a veloz e técnica Curva da Onça e a Curva 2 que, com seus três raios diferentes, será a única do gênero no país. As vistorias dos representantes das confederações de automobilismo e motociclismo (CBA e CBM), aliás, trouxeram uma mudança em relação às plantas divulgadas inclusive pelo blog: a Curva 1 não mais será um cotovelo à esquerda, mas se fechará gradativamente à direita, junto à saída dos boxes. E tudo está sendo pensado e executado para garantir segurança total mesmo para as mais exigentes categorias, sobre duas ou quatro rodas.

Melhor de tudo foi não ter constatado isso sozinho. Tive o privilégio de conhecer o primeiro autódromo internacional de Minas Gerais ao lado de Neusa Navarro Félix, alguém que entende um bocado do riscado, por ter herdado do saudoso marido, Aurélio, o comando da F-Truck, que certamente baterá ponto em Curvelo, especialmente depois de tantos elogios. Ela que viu muita coisa aqui e lá fora, disse ter ficado impressionada com o que encontrou. E haverá muito espaço para os boxes; o estacionamento das carretas das equipes; público, sem contar uma pista off-road 4×2 e 4×4, outra de motocross também com homologação internacional FIM, uma trilha de mountain bike; o condomínio Casa de Pista, que dará aos felizardos proprietários o direito de uso da estrutura.

Como eu comentei em posts anteriores, nada de faraônico ou gigantesco (apenas a área total de 4 milhões de metros quadrados, com muita vegetação nativa preservada, como prevê a legislação ambiental). Mas tudo funcional e seguro. E nenhuma leviandade em sair prometendo provas ou acelerando calendários, mas a certeza de que, uma vez pronto, será difícil conceber um calendário que não passe por uma pista tão seletiva e moderna, especialmente em tempos de Interlagos em obras, Brasília de futuro incerto e Jacarepaguá tristemente morta e enterrada. A esta altura, daqui a um ano exato, vai ter gente acordando com o ronco dos motores e vendo tudo da janela de casa. E a interminável espera por uma casa decente para um automobilismo que gerou e gera tantos campeões finalmente terá se encerrado. Curta as fotos, como eu curti ver tudo tão de perto. E vá colocando Curvelo no seu GPS, se ainda não sabe onde fica, porque a cidade vai fazer parte do mapa da velocidade que se preza. Ainda bem…

Retrato da temporada (Coluna Sexta Marcha – GP da China)

*** Ok, quem viu não gostou, e quem não viu não perdeu. Então é o caso de conjecturar o que pode ser da temporada considerando os três primeiros GPs do ano. Houve quem dissesse que o de Xangai foi o pior de todos os tempos e, embora eu não vá tão longe, admito que esteve longe de ser emocionante ou sensacional. E na coluna, publicada nas edições impressa e digital do Estado de Minas, comento sobre o que pode fazer o campeonato se animar algo mais, que desse jeito não vai ter a menor graça…

Retrato da temporada Que o amigo leitor não se engane, mas a perspectiva de emoção na temporada do ano da graça de 2015 do Mundial de Fórmula 1 dependerá de dois fatores: temperatura e pneus. Não que eu tenha poder de prever o futuro, mas estava claro que a vitória de Sebastian Vettel na Malásia, por mais justa que tenha sido, se deveu a um conjunto de circunstâncias. Se elas se repetirem ao longo do campeonato, então teremos uma disputa entre Mercedes e Ferrari. Do contrário, é esperar por uma dominação prateada ainda mais forte que a de 2014, considerando-se que rival, por enquanto, é apenas uma, vermelha e com o Cavallino Rampante.

Voltando a Sepang para entender o que vem pela frente, o SF15T, de Vettel e Räikkönen, é gentil com os pneus e depende de mais tempo para aquecê-los. Bom em condições de corrida, menos na qualificação, em que o desafio é atingir a temperatura ideal o mais rápido possível. E terá vantagem quando, e se, forem usados os compostos mais duros do lote, tal como no GP malaio.

O que joga a batata quente para a Pirelli, que não pode pensar apenas no espetáculo, mas tem que se resguardar de falhas e incidentes “a la” Inglaterra’2013. E os sino-italianos (sim, a fábrica foi vendida para um conglomerado da terra da prova de domingo) gastam os tubos fazendo testes e simulações para determinar a melhor combinação para cada tipo de asfalto e tempo. Basta o circo retornar à Europa e voltam os pneus de banda vermelha, que vão dar asas não à Red Bull, mas a Mercedes.

E a capacidade de reação do novo comando do time de Maranello é louvável, mas não custa lembrar que as especificações dos motores estão congeladas, e que o salto esperado para diminuir o abismo que o separa das Flechas de Prata é imenso, e dificilmente os comandados de Toto Wolff aceitarão passivos uma reação, mesmo porque têm estrutura maior.

Não quer dizer que teremos apenas corridas sonolentas como a de Xangai (não, desta vez eu não dormi), mas será o caso de ressucitar a velha torcida pela ajuda celeste, em forma de gotas de chuva; ou contar com um acirramento da rivalidade Hamilton x Rosberg – fora da pista a troca de amabilidades voltou. E é curioso como, mais do que nunca, as escuderias têm andado em dupla. É Williams contra Williams, Force India contra Force India, e por aí vai. Se o desempenho dos carros for o limite para a performance de cada um, fica ainda mais difícil. Apesar de que foi o duelo entre os prateados que fez do GP do Barein do ano passado um dos mais sensacionais da história. Veremos roteiro semelhante domingo em Sakhir?

Pastelão Quando os dois lances mais marcantes das corridas são um invasor que resolve atravessar a pista nos treinos de sexta-feira e uma meia-dúzia de fiscais desesperados tentando tirar a Toro Rosso de Max Verstappen da reta dos boxes para impedir o fim do GP sob regime de safety car, é sinal de que tem algo muito errado.

Brasileiros Felipe Massa à frente de Valtteri Bottas é o que se espera para todo ano – e tomara que o campeonato do brasileiro tenha duas boas metades. E Nasr pontuando deve ser cena constante por enquanto, menos ao longo do ano, quando a Sauber começar a pagar pela falta de dinheiro para desenvolver o carro. De todo modo, já está ótimo.

Isso é que é agenda…

Mais do que qualquer coisa que eu possa dizer, o tamanho da lista abaixo mostra como o fim de semana que chega é especial. Reunir tantas etapas de tantos campeonatos interessantes não ocorre sempre – acho até que há algumas redundâncias, como termos, num só domingo, o Mundial de Endurance e a Blancpain… Endurance Series. Enfim, não dá para reclamar, antes sobrar do que faltar. Difícil vai ser encontrar tempo para ver tanta coisa boa, e no post anterior eu mostro que várias das corridas serão transmitidas de graça pela internet, em live streaming. Ao menos os horários quase não batem e quem quiser apertar os cintos no sofá e curtir um dia inteiro de velocidade, em duas ou quatro rodas, estará mais do que servido. Bom é assim mesmo…

Internacional

Mundial de Fórmula 1: terceira etapa – GP da China (Xangai)

Mundial de Endurance (FIA WEC): primeira etapa – 6h de Silverstone

European Le Mans Series (ELMS): primeira etapa – Silverstone

Europeu de F-3 (FIA F-3): primeira etapa – Silverstone

Mundial de Motociclismo: segunda etapa – GP dos EUA (Austin)

Verizon Indycar Series: segunda etapa – GP de Nova Orleans

Indy Lights: segunda etapa – Nova Orleans

Blancpain Endurance Series: primeira etapa – Monza

TCR International Series: segunda etapa – Xangai (CHI)

F-Renault ALPS: primeira etapa – Imola

Euroformula Open: primeira etapa – Jerez de la Frontera (ESP)

Radical Euroseries: primeira etapa – Jerez de la Frontera (ESP)

Lamborghini Supertrofeo: primeira etapa – Monza

Nascar Sprint Cup: sétima etapa – Duck Commander 500 (Fort Worth)

Nascar Xfinity Series: sexta etapa – O’Reilly Auto Parts 300 (Fort Worth)

Nacional

Brasileiro de Fórmula Truck: segunda etapa – Campo Grande

Endurance Brasil: primeira etapa – Tarumã

Paulista de Rally de Velocidade: segunda etapa – Taubaté

Na telinha

Sexta-feira (10)

21h30     Nascar Xfinity Series: etapa de Fort Worth             Fox Sports 2

Sábado (11)

1h        Fórmula 1: GP da China (treino livre)                       Sportv

4h        Fórmula 1: GP da China (treino oficial)                    Sportv/Globo (*)

14h35  Mundial de Motociclismo: GP dos EUA (treinos oficiais)       Sportv 2

20h20  Nascar Sprint Cup: etapa de Fort Worth                    Fox Sports 2

Domingo (12)

3h        Fórmula 1: GP da China                                            Globo

8h        Mundial de Endurance: 6h de Silverstone (largada) Sportv 2

13h      Mundial de Motociclismo: GP dos EUA                   Sportv 2

13h      Fórmula Truck: etapa de Campo Grande                   Band

16h30  Verizon Indycar Series: GP de Nova Orleans            Band