A lenda sobrevive, apesar de tudo…

A principal notícia envolvendo o Quênia nos últimos dias foi o lamentável atentado provocado pelo grupo islâmico Al-Shabab, que levou à morte de 147 pessoas na Universidade de Garissa. Felizmente, houve assunto bem mais agradável e interessante no mesmo período, especialmente para quem é apaixonado pela velocidade. O país africano sediou a 63ª edição de um dos mais tradicionais e sensacionais ralis do planeta, o East African Safari Rally, ou, como passou a ser conhecido, o Safari. Uma prova que exaltou o talento de lendas do esporte, se tornou obsessão de outros que nunca conseguiram domá-lo (Sandro Munari é o melhor exemplo) e é absolutamente diferente de qualquer outro evento da modalidade no mundo. Corria-se não em trechos cronometrados, mas em setores seletivos, muitas vezes de centenas de quilômetros, com tráfego, animais pelo caminho e outros tipos de obstáculo. As máquinas ganharam estruturas externas de proteção, com um look único, do qual se inspiraram os paraguaios com seu Transchaco.

O Safari por muitos anos integrou o calendário do WRC, até se tornar incompatível com os novos tempos. Teve uma passagem relâmpago pelo igualmente relâmpago IRC; depois manteve a validade pelo Campeonato Africano, e agora nem isso. Não foi o suficiente para decretar o fim de um monumento da velocidade. Um total de 53 carros alinharam para a prova deste ano, no fim de semana de Páscoa, com duplas da África (Quênia e Uganda), mas também europeus – o experiente finlandês Tapio Laukkanen e algumas duplas italianas. Em termos de equipamento, máquinas de última geração, como Ford Fiesta R5, Skoda Fabia e Proton Satria S2000; Mitsubishi Lancer Evo X e IX; que convivem com modelos mais surrados e antigos (teve até uma venerável Porsche 911 comandada por Alastair Cavenagh). E dois dias de dificuldades à altura do Safari. Uma prova que muda de feição em questão de minutos (o que é terra batida para alguns se transforma em lama escorregadia para quem passa depois das tempestades tropicais).

No fim das contas, festa para Jaspreet Chatthe e Gugu Panesar, que superaram os mais baladados Ian Duncan (veteraníssimo da prova), segundo, e Carl Tundo, terceiro. Laukkanen liderava, mas teve de abandonar com a suspensão traseira de seu Subaru Impreza totalmente destruída. O mais importante é que nem mesmo o terror foi capaz de interromper a festa da velocidade, que certamente levou um pouco de paz e alegria a um povo que é vítima do ódio racial e religioso. Então, vida longa ao East African Safari Rally…

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