Disputa de mentira (Coluna Sexta Marcha – GP do Barein)

  *** Aqui está então a coluna sobre o GP do Barein, tal e qual publicada nas edições impressa e digital do Estado de Minas. Uma corrida que, como sustento no texto, deixou clara a verdadeira relação de forças na Mercedes, e quem realmente faz a diferença, mesmo quando as circunstâncias não ajudam. Ano passado foi complicado por conta dos problemas mecânicos, mas, se eles não repetirem, o time dos tricampeões vai ganhar mais um integrante até o fim do ano.

    

                    AMG Mercedes/divulgação                  

Disputa de mentira

Voltemos a fita (sim, essa é das antigas) uma temporada, para lembrar as circunstâncias do duelo entre Lewis Hamilton e Nico Rosberg. O inglês abandonou em Melbourne, quando um cabo de vela caprichoso resolveu atrapalhar seus planos; foi traído pelos freios no Canadá, largou em último na Alemanha, depois que o motor pegou fogo no treino oficial; e na Hungria. E, abatido a meia-nau pelo companheiro, também não terminou o GP da Bélgica. Só não chegou a Abu Dhabi com as duas mãos no título porque a questionável regra da pontuação dobrada, agora banida, dava maior esperança ao companheiro. No placar das vitórias: 11 a 5 para o nativo de Stevenage. E, na falta de quem pudesse rivalizar de verdade com as Flechas de Prata, alimentou-se um confronto doméstico que exigiu jogo de cintura da cúpula da Mercedes.

Pois basta termos condições normais de temperatura e pressão (não a dos pneus) para que a verdade se estabeleça. Nico Erik Rosberg é um piloto medíocre? Com certeza não. Tem o estofo de colegas de grid como Hamilton, Vettel, Alonso e Button? Também não. E não é só o resultado de domingo, no Barein, a justificar a tese.

Reza o folclore das pistas que a melhor medida da capacidade de um piloto é a condição de fazer mais do que dele se espera, do que o equipamento permite. Pois o inglês não apenas compensa com juros a superioridade do alemão nos treinos oficiais ano passado – já se vão cinco corridas em que ninguém larga à sua frente, considerando o GP final de 2014 –, como, para não deixar dúvidas, deixou a sete décimos de segundo a outra máquina prateada. E é lógico que quem larga na frente e não é diretamente ameaçado sente menos qualquer problema nos freios do que quem está sob ataque em toda a corrida.

E nem vou falar do que fez Sebastian Vettel em quatro corridas, depois que muitos decretavam que ele só seria capaz de brilhar com o melhor carro do circo. Não se entendia com o freio eletrônico (brake by wire) da Red Bull e, uma vez na Ferrari, fez as pazes com o talento e os bons tempos.

Tudo isso para mostrar que, no fundo, o filho do campeão mundial de 1982 tem tudo para a entrar para a história como parte de um time de respeito, mas de resultados apenas medianos. Ou é exagero do colunista incluí-lo num grupo que tem Mark Webber, David Coulthard, Rubens Barrichello, Gerhard Berger e Riccardo Patrese como bons exemplos? Todos venceram corridas, em algum momento chegaram a se colocar como candidatos ao título, mas nunca concretizaram totalmente seu potencial, embora o equipamento favorecesse.

Lewis Carl Hamilton está alguns degraus acima e mais uma vez fica claro que o obstáculo a separá-lo do tri não é o dono do carro 6, mas possivelmente uma certa dupla de vermelho, ou alguma travessura da mecânica “made in Brixworth”. O mais engraçado é que Rosberg já tem a continuidade no time estrelado assegurada, enquanto Hamilton segue na queda de braço para conseguir o que acredita ser justo. Quem quer que ocupasse seu lugar – lógico que estamos falando de gente como Alonso, Vettel ou Bottas, não menos, jantaria igualmente o esforçado e bom de bola Nico. Até aposto nele para vencer em Mônaco, onde parece ter algo mais, mas, para o campeonato, seria uma zebra sem tamanho.

Menos, Tio Bernie Bernie Ecclestone, sempre provocador e boquirroto, não perde a oportunidade de sugerir respostas para os problemas do circo. Depois dos tantos milhões de dólares gastos para desenvolver as novas unidades de potência, ele quer a volta dos V8, com 1.000cv. Fosse a F-1 como ele gostaria e teríamos curvas irrigadas artificialmente na tentativa de aumentar a emoção; o melhor piloto largando no pior carro, GPs apenas em países exóticos e em “Tilkódromos”. Adiantaria de alguma coisa?

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