Imagens e histórias de Hockenheim

Eu sinceramente duvido que um fã da velocidade seja capaz de viver o que eu vivi hoje e não se arrepiar um bocado. Está certo que a segunda reta do traçado de Hockenheim foi mutilada e o que era um mergulho interminável em apneia rumo ao Stadium virou uma pista mais curta e menos desafiadora, mas se sentar numa das cadeiras de um dos trechos mais lendários da história do automobilismo é coisa de sonho. Olhar adiante e se sentir cercado de arquibancadas, entender o por quê de tal sequência de curvas ser tão famosa, cantada em prosa e verso, numa atmosfera que, acredito, realmente será, amanhã e domingo, a de um estádio de futebol, com uma torcida que continua enlouquecida e apaixonada.

E olha que Hockenheimring não é, mesmo com o traçado atual, de 4.574m, uma pista de dar inveja em se tratando de estrutura. Antes mesmo de qualquer reforma, o espaço de boxes e sala de imprensa de Interlagos levava a melhor na comparação – no circuito próximo a Heidelberg é tudo muito simples e funcional, certamente bem abaixo do que Bernie Ecclestone considera adequado para o circo (e, a bem da verdade, não foi este o motivo que tirou o país dos 11 títulos mundiais do calendário).

Mas ninguém se importa ou reclama. Há espaço de sobra no paddock para cinco categorias montarem suas tendas, sem aperto ou discriminação. As carretas do DTM estão cuidadosamente alinhadas, e não importa qual seja a equipe, as cores são das montadoras, BMW, Audi e Mercedes. Na parte oposta ficam as escuderias do Europeu de F-3, que mostram que acelerar num campeonato que se tornou passagem praticamente obrigatória para quem quer chegar longe não exige estruturas faraônicas, algumas são até mais modestas que as de muitas fábricas do kart, mas profissionalismo e racionalidade sobram. E ainda há a estreante Audi TT Cup e a seguidíssima e sensacional Porsche GT Cup alemã, não uma reunião de gentlemen drivers, mas um ninho de feras – e não são Matteo Cairoli, Aleix Riberas, Conor de Phillipi ou Michael Ammermüller a me desmentir.

Sem contar que foi possível montar um traçado de 1.240m no trecho do estádio para receber a segunda etapa do Mundial de Rallycross, uma dobradinha inédita. Deu gosto ver as máquinas saindo do asfalto e encarando as partes de terra com potência e estabilidade de sobra. Nem falo dos motores turbo de 600cv; das suspensões com imensos reservatórios de nitrogênio e regulagens mil; das imensas asas traseiras em fibra de carbono, bem como as tantas peças reprojetadas para ganhar peso. Não por acaso os treinos livres de hoje foram dos momentos mais acompanhados pelo público, que começa a chegar à região para sua festa anual.

Pois esse primeiro dia nos bastidores de uma semana tão especial mereceu a maior galeria de fotos dos cinco anos do blog, e olha que tem muita coisa ainda a ser registrada. Espero que o amigo leitor curta, e também tenha, ao menos um pouco, a sensação de mergulhar num mundo que estamos normalmente acostumados a acompanhar pela internet, em vídeos, fotos ou revistas. Nem precisava falar, mas de perto é fantástico, ainda mais num cenário que é pura história. Ou dá para esquecer do show de Ayrton Senna na chuva, em 1988, logo depois de ter feito o mesmo em Silverstone? Curta as imagens, que depois tem mais…

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