Meio cheio ou meio vazio?

Então os treinos extra-oficiais de preparação para as 24h de Le Mans chegaram ao fim com a Porsche na frente, ainda sem se aproximar do recorde do circuito da Sarthe (muito provavelmente escondendo o jogo e andando em condições de corrida); a Audi no encalço, a Toyota preocupantemente distante para quem tinha o melhor carro ano passado e a estreante Nissan… quase necessitando de ampulheta para ter os tempos cronometrados. Brincadeiras à parte, andar a 22 segundos do melhor tempo de sua categoria seria um desastre completo, não fossem algumas observações que eu trago aqui.

Antes de mais nada, os três carros passaram bom tempo na pista e não houve problemas mecânicos sérios que causassem preocupação entre a turma nipônica. Por mais que você simule, ande em Sebring ou em pistas de testes espalhadas pelos EUA, Le Mans é Le Mans, e chegar sem referências anteriores naquela que é provavelmente a época mais competitiva da história do Mundial de Endurance significa normalmente apanhar muito até chegar ao real potencial. Especialmente quando o motor está na dianteira, o cockpit lá atrás e o chip dos pilotos tem de ser completamente reprogramado em relação ao que estão acostumados. Diferentemente do que havia sido prometido, em condições de pista seca os GT-R não foram mais rápidos que os LMP2, muito embora a velocidade mais alta do domingo tenha sido registrada pelo carro 23 (336,4km/h).

E há outro detalhe que muita gente talvez não tenha atentado. Quando começou a chover e a aderência na pista passou a ser crítica, os tempos dos novatos (os carros) se aproximaram bastante não só dos Rebellion, como também dos Toyota, sendo, em média, de sete a oito segundos mais lentos do que Porsche e Audi, o que começa a ficar razoável. Sinal de que a base é muito boa e, a bem da verdade, só pode evoluir, especialmente agora com uma série de dados e impressões de seis horas de pista. Vai que os GT-R consomem menos, ou permitem um número maior de stints com os pneus e a coisa pode ficar interessante. Lógico que seria loucura falar em chance de vitória, algo que se chegou a cogitar antes de o programa ser apresentado oficialmente. Ao menos este ano ainda não, mas há, inclusive, a chance de apostar em três estratégias distintas: mandar à pista um carro com a ordem de atacar e gastar o máximo; outro com orientação inversa, para tentar resistir à maratona e um terceiro como coringa, capaz de pender tanto para um lado quanto para o outro, de acordo com as circunstâncias.

O que está claro é que, com três Porsches voando, três Audis logo atrás; duas Toyotas à espreita e ao menos um Rebellion com um ritmo pra lá de bom, conseguir deixar ao menos um dessa turma para trás terá sido um ótimo resultado, especialmente se houver margem de crescimento para 2016 (e aí vai ser necessário recuperar mais energia, mas é outra história). Como ver o copo, meio cheio ou meio vazio? Eu ainda prefiro a primeira opção…

Agenda com os olhos em Le Mans

Não sei quanto ao amigo leitor, especialmente diante de uma agenda recheada de corridas interessantes sobre duas e quatro rodas, mas o evento que mais chama minha atenção na lista não distribui troféu, muito menos terá vencedor. Quem pensou rápido e viu a foto acima sabe do que estou falando: da estreia em sociedade do Nissan GT-R, um dos carros de competição mais falados dos últimos tempos. Depois de uma gestação envolvida em mistério, ele se junta à concorrência nos treinos extra-oficiais em Le Mans, duas semanas antes das 24h. E mesmo o discurso da cúpula do motorsport da fábrica nipônica é incoerente e variado.

O protótipo seria uma surpresa incrível, capaz de ridicularizar os rivais com suas soluções diferentes e até mesmo ingênuas, como o motor dianteiro e o cockpit recuado. Os primeiros testes manifestaram uma fragilidade preocupante, especialmente no que diz respeito à recuperação de energia, e o desafio passou a ser fazer um papel decente na maior maratona da velocidade. Agora, com apenas 2MJ recuperáveis por volta, a promessa é “ser mais rápido do que os LMP2”, muito pouco para quem tinha como alvo bater Audi, Porsche e Toyota. Que, por sua vez, prometem pulverisar o recorde do circuito da Sarthe, apesar de todas as medidas para reduzir o desempenho. Os engenheiros voltaram a vencer as regras, tomara que não deixando em segundo plano a segurança. Segunda-feira saberemos o que deu…

Internacional

Mundial de Motociclismo: sexta etapa – GP da Itália (Mugello)

Mundial de Endurance (FIA WEC): treinos extra-oficiais 24h de Le Mans

Verizon Indycar Series: sexta etapa – GP de Detroit (rodada dupla)

Europeu de F-3: quarta etapa – Monza

DTM: segunda etapa – Lausitzring

Tudor United Sportscar: quinta etapa – Detroit

Renault World Series: quarta etapa – Spa-Francorchamps

Renault Sport Trophy: primeira etapa – Spa-Francorchamps

TCR International Series: sexta etapa – Salzburgring-AUT

Nascar Sprint Cup: 12ª etapa – Fedex 400 benefiting Autism Speaks (Dover)

Nascar Xfinity Series: 12ª etapa – Buckle Up 200 (Dover)

Nascar Camping World Truck Series: 6ª etapa – Lucas Oil 200

Global Rallycross Championship (GRC): primeira etapa – Fort Lauderdale

Nacional

Brasileiro de Stock Car: quarta etapa – Curitiba

Brasileiro de Turismo: terceira etapa – Curitiba

Brasileiro de Marcas: terceira etapa – Curitiba

Mercedes-Benz Grand Challenge: terceira etapa – Curitiba

Top Kart Brasil: Beto Carrero World (Penha-SC)

Moto 1.000 GP/Brasileiro de Velocidade: segunda etapa – Cascavel

Na telinha

Sexta-feira (29)

18h30     Nascar Camping World: etapa de Dover                 Fox Sports 2

Sábado (30)

7h30       Mundial de Moto GP: etapa de Mugello (treinos oficiais)         Sportv2

Domingo (31)

6h            Mundial de Moto GP: etapa de Mugello (corridas)                Sportv

12h30    Brasileiro de Stock Car: etapa de Curitiba                                Sportv

13h45    Nascar Sprint Cup: etapa de Dover                                           Fox Sports 2

Renault Sport Trophy: caminho diferente para o sonho…

Que as categorias do Renault World Series sofreram um baque com o fenômeno Max Verstappen e sua ascensão rápida à F-1 via F-3 é fato (especialmente o Europeu de F-Renault, que tinha quase 40 carros no grid e se equilibra hoje com média de 25). O mais interessante, no entanto, é que a carta na manga da montadora francesa para manter em alta a marca e o evento pode vir de onde ela mesma não esperava. Parece complicado? Eu explico.

Neste fim de semana finalmente decola o Renault Sports Trophy, série com os R.S 01 criados em parceria com a Dallara, equipados com motores Nissan V6 de 3.800cc de 550cv – a demora se deveu ao desenvolvimento dos carros e aos necessários testes. Desde o começo a proposta era de criar uma fórmula Pro-Am, em que pilotos de ponta e outros considerados gentlemen drivers dividissem o tempo de pista e os custos. Pois uma olhada na lista de inscritos para a primeira etapa, em Spa-Francorchamps, mostra que muita gente boa deu as costas para o sonho de uma carreira nos monopostos e resolveu apostar na premiação oferecida para o campeão (além dos prêmios em dinheiro): um estágio no Japão com um Nissan GT-R e a possibilidade de integrar o time oficial de pilotos da fábrica japonesa.

Fazem parte da relação o inglês Luciano Bacheta (último campeão da F-2), o francês Andrea Pizzitola (destaque da F-Renault ano passado), os italianos Vittorio Ghirelli (orientado pelo brasileiro Roberto Streit e ex-Indy Lights e Auto GP) e David Fumanelli; os irmãos holandeses Bas e Jeroen Schoothorst e, para a nossa alegria, o pernambucano Henrique Baptista, que estava na Euroformula Open (F-3).

Ok, você haverá de dizer que nenhum deles vai fazer o dólar cair, que talvez não esteja entre eles um novo Verstappen, mas dá para acreditar que boa parte da turma em breve estará desbravando o mundo das provas de longa duração, muito provavelmente como profissionais. Enfim, finalmente (e a Porsche já havia mostrado seu caminho), quem quer seguir carreira no automobilismo começa a enxergar que o sonho da F-1 não é, em 99,9% dos casos, nada mais que isso: um sonho…

Valeu, tio Bernie – Coluna Sexta Marcha

A coluna sobre o GP de Mônaco é, na verdade, uma grande brincadeira, uma provocação diante de uma estratégia inexplicável e absurda da Mercedes num fim de semana que deveria ser tranquilo para as Flechas de Prata, e que nem de longe refletiu a verdade da pista e do cronômetro. Vieram depois as desculpas, as tentativas de justificar o injustificável e o chefão Toto Wolff chegou a dar a cara para bater pelas redes sociais, respondendo comentários e perguntas dos internautas incrédulos, apenas admitindo o erro e manifestando a certeza de que ele não se repetirá (é o mínimo). Não era nem de longe a melhor forma de movimentar um campeonato que, como comento nas linhas abaixo, está mais do que encaminhado – e olha que numa dessas quem estava praticamente resignado ao papel de coadjuvante (leia-se: Ferrari e Vettel) pode entrar na briga…

Valeu, Tio Bernie!

Então Bernie Ecclestone conseguiu. Depois de tanto sugerir ideias para esquentar o espetáculo no Mundial de Fórmula 1 – e a lista teve pérolas como chuva artificial ou um rodízio de pilotos entre todos os carros no grid ao longo de uma temporada – o dirigente supremo do circo finalmente encontrou um jeito de animar um campeonato que caminha perigosamente para o tédio da definição antecipada e da hegemonia de uma escuderia, tal como foi com a Ferrari em 2004, ou a Red Bull em 2011. Fico apenas imaginando como o astuto inglês conseguiu convencer Toto Wolff e Niki Lauda de que seria a medida a tomar, para o bem do esporte. Imagine você uma classificação dominada pelo vencedor de quatro GPs em seis, pole em cinco e, finalmente poupado da maré de azar e problemas que tornaram o caminho rumo ao bicampeonato bem mais árduo do que deveria ter sido. Na menos pior das hipóteses, o tri viria no Japão, e o piloto de Stevenage se divertiria batendo recordes e dando mostras de sua superioridade – falo apenas do confronto direto com o companheiro de time, já que qualquer outra disputa esbarra na diferença de equipamento. Aí os adversários tirariam o pé, passariam a se concentrar nos carros de 2016 e o fim do ano se transformaria numa sequência modorrenta de corridas sem nem mesmo a perspectiva dos pontos dobrados na última, mais uma invenção bem-sucedida de Mr.E que, infelizmente, não durou mais que um ano. Do jeito que está, vamos para o Canadá com 10, e não 25 pontos, separando a dupla prateada (foto); e mesmo Sebastian Vettel, que descontou três pontinhos do líder, ainda com o título na linha de mira. E olha que o traçado de Montreal, tão de rua quanto o de Mônaco, costuma ser palco de surpresas, que dispensam inclusive qualquer manobra de bastidores. Boa, Tio Bernie, o público agradece…

Pastelão estrelado Pois eu espero que o leitor tenha compreendido a ironia, já que só mesmo numa teoria da conspiração mambembe seria o caso de acreditar no cenário descrito acima. O que se viu domingo foi mais uma demonstração de incapacidade da Mercedes em gerir uma rivalidade relativamente simples (estamos a anos-luz de Senna x Prost, Piquet x Mansell ou Jones x Reutemann). Até agora, o que se sabia era que a mesma estratégia valia para ambos – se um para duas vezes, o outro também, até mesmo para evitar reclamações. Desta vez, no entanto, algo falhou, gravemente. E, para piorar, com Vettel separando a dupla, não havia como restabelecer a ordem justa. O efeito colateral positivo da nova polêmica é a grande possibilidade de Hamilton largar as amarras e correr movido pela raiva, o que é promessa de espetáculo na certa.

Outra do craque Do outro lado do Atlântico, as 500 Milhas de Indianápolis reconciliaram o talento de Juan-Pablo Montoya com o alto do pódio. O mesmo jornalista que levou um toco memorável do então jovem colombiano em 1998 (na F-3000), ao pedir uma entrevista, foi testemunha de uma cena que dispensou legenda. Sala de imprensa de Interlagos, GP do Brasil de 2002, Michael Schumacher vê as imagens do monitor de TV e tenta entender como o cidadão com a Williams o superou por fora no S do Senna, transparecendo que não gostou nem um pouco da insolência. Montoya engordou, emagreceu, venceu Indy e Mônaco, voltou ao oval e deu uma aula de arrojo e precisão (olha que tinha caído para as últimas posições depois de ser tocado sob bandeira amarela). O diploma de craque ganhou mais um carimbo e tanto…

A saga da salsicha voadora…

Ainda bem que existe quem encare o automobilismo não só para flertar com as regras até o último milímetro e fazer de tudo para vencer a concorrência. Por vezes e motivos dos mais variados, há desafios diferentes, que costumam fugir da lógica, mas se tornam verdadeiros cults para o público especialista. Quem não se lembra das peruas Volvo 850 disputando o Inglês de Turismo (BTCC), experiência repetida ano passado pela Honda, com sua perua Civic?

Pois a Toyota já havia inovado no começo do século ao apostar numa picape Tacoma protótipo para encarar a subida de montanha de Pikes Peak – a bem da verdade, um concentrado de tecnologia disfarçado sob a carenagem de fibra (pilotada então por Rod Millen) e resolveu repetir a dose com outro integrante da família originária da Nova Zelândia e radicada nos EUA.

Pois o primogênio Ryan vai comandar, com a namorada como navegadora, este RAV4 da foto, com seu motor 2.500cc de 176cv. E antes que você imagine que é em provas de cross-country, bajas ou disputas todo-terreno, vem a novidade: você está vendo um carro de rali de velocidade que estará inscrito na categoria tração dianteira do Rally America West Series, enfrentando modelos mais adequados às estradas estreitas como os Ford Fiesta, Subaru Impreza e Mitsubishi Lancer. E como é o caso de se manter fiel às regras, o gigante com patrocínio das salsichas Wienerschnitzel apenas foi limpo de tudo o que não servia, ganhou a gaiola de aço, os bancos concha e reforços nas suspensão. Os principais momentos da epopeia serão registrados numa série de vídeos (não chega a ser um reality show), denominada On the Loose. Em conhecendo a competêcia da família Millen, ao menos será diversão garantida. Os barrancos que se cuidem…

Haja corrida para um fim de semana…

Terceiro fim de semana de maio é sinônimo de uma dobradinha quase imbatível para quem gosta da velocidade – GP de Mônaco e 500 Milhas de Indianápolis, felizmente separados pelo fuso horário para permitir que se acompanhe ambos, imperdíveis qualquer que seja o ano ou a circunstância dos respectivos campeonatos. E dá para ir até mais longe e incluir as 600 Milhas de Charlotte, hoje a segunda prova mais importante do calendário da Nascar, atrás apenas de Daytona. Mas basta ver o tamanho da lista abaixo para ter ideia de que tem muito mais acontecendo e emoção para todos os gostos. Em meio a tantos eventos, chamo a atenção para o Rali de Portugal, que voltou ao Norte do país; e a mais uma edição do Rali Internacional de Erechim, com 70 carros de toda a América do Sul diante de um público apaixonado e conhecedor. Esse ainda está nos planos de ser acompanhado de perto; aliás, o sonho mesmo é de disputar a prova, quem sabe ano que vem. Aproveite o fim de semana e acelere a telinha…

Internacional

Mundial de Fórmula 1: sexta etapa – GP de Mônaco

Mundial de Rali (WRC): quinta etapa – Rally de Portugal

Mundial de Rallycross (FIA RX): quarta etapa – Lydden Hill (ING)

Verizon Indycar Series: quinta etapa – 500 Milhas de Indianápolis

GP2: terceira etapa – Mônaco

Renault World Series: terceira etapa – Mônaco

Fórmula E: oitava etapa – Berlim

Blancpain Sprint Series: terceira etapa – Silverstone

Auto GP: segunda etapa – Silverstone

TCR International Series: quinta etapa – Monza

Super Formula: segunda etapa – Okayama

Nascar Sprint Cup: 11ª etapa – Coca-Cola 600 (Charlotte)

Nascar Xfinity Series: 11ª etapa – Hisense 300 (Charlotte)

Sul-Americano/Brasileiro de Rali: terceira etapa – Rally Internacional de Erechim

Sul-Americano de F-4: primeira etapa – El Pinar (URU)

Nacional

Porsche GT Challenge Brasil: terceira etapa – Cascavel

Na telinha

Sábado

5h55         Fórmula 1: GP de Mônaco (treino livre)          Sportv

8h55         Fórmula 1: GP de Mônaco (treino oficial)       Sportv/Globo (30 min finais)

10h30       Fórmula E: etapa de Berlim                             Fox Sports

11h           GP2: etapa de Mônaco                                      Sportv

Domingo

9h             Fórmula 1: GP de Mônaco    Globo

10h40       Blancpain Sprint: etapa de Silverstone        Sportv2

13h           Verizon Indycar: 500 Milhas de Indianápolis     Band

19h05       Nascar: Coca-Cola 600                                     Fox Sports 2

Por uma ótima causa…

O blog não poderia ficar fora de uma iniciativa daquelas que merecem respeito e aplauso, e mostram que o automobilismo pode, sim, ter um papel social e interferir em causas dignas. Especialmente por que a Sportsplace, a loja virtual deste que vos escreve, com artigos para os esportes sobre rodas (auto/moto/bike), foi escolhida como parceira da empreitada.

Pois o mineiro Sérgio Sette Câmara, hoje um dos brasileiros mais promissores no exterior – disputa o Europeu de F-3 com um Dallara VW da equipe alemão Motopark, como o amigo leitor pôde acompanhar em posts anteriores – resolveu leiloar o chassi de kart Techspeed com que foi um dos destaques do Brasileiro de 2014, em Itu, com o montante obtido repassado integralmente para a Associação Mineira de Reabilitação (AMR), que desenvolve um trabalho fora de série com crianças que têm paralisia cerebral. Os lances serão aceitos até sábado (23), e as informações estão na imagem abaixo. Se puder, prestigie, mesmo porque, além de um equipamento de primeira, trata-se de uma chance de ajudar quem muito precisa.

Bons na pista e fora dela…

Tem quem consiga seguir uma carreira de sucesso como piloto, driblando todos os obstáculos possíveis, e tem quem, por falta de oportunidade, de talento ou de sorte, prefira se envolver com o automobilismo de outra forma, trabalhando fora do cockpit, longe do volante e dos pedais. Mas também tem quem consiga conciliar as duas coisas, o que se torna ainda mais especial, já que a formação como mecânico ou engenheiro sempre acrescenta conhecimento quando o negócio é acelerar. O blog já contou a história do alemão Marc Lieb, piloto oficial e engenheiro da Porsche; assim como comentou o caso do gaúcho Luiz Fernando Cruz, que se destacou nos tempos áureos da F-Ford brasuca e ainda hoje desenha protótipos aqui e no exterior (vários dos MRX e o Tornado levam a sua assinatura).

Mais interessante, no entanto, é o caso dos gêmeos italianos Nicola e Stefano de Val, de 26 anos. Naturais de Pordenone, eles não seguiram o caminho tradicional, do kart e, como ambos decidiram se tornar engenheiros mecânicos, nasceu o interesse pela velocidade também pilotando. Passaram pela F-Cadetti Monza (uma equivalente italiana à F-Vê), pela F-Renault e, com os compromissos escolares e profissionais cada vez maiores, resolveram enveredar pela endurance, sempre juntos. Disputaram provas na Bélgica e na Holanda em 2013 e, ano passado, disputaram o CNV, o Português de Velocidade, vencendo na classificação geral com um Wolf GB08-Honda CN2.

Neste ano, o foco é nas provas de média e longa duração no país natal, porque os dois arrumaram trabalho que não chega mais. Nicola é um dos engenheiros da equipe oficial Honda (Jas) no Mundial de Turismo (WTCC), enquanto Stefano se tornou um dos responsáveis pelo desenvolvimento dos pneus na Sauber. Claro que pagar as contas é a prioridade, mas capacete e macacão estão prontos para quando os calendários permitirem. E o mais legal é que eles conseguem viver o automobilismo por dois prismas distintos, mas complementares.

Voar é para avião…

Foi o assunto do fim de semana nas pistas do mundo, e não sem motivo. O que deveria ser novamente a celebração da velocidade no oval mais famoso do planeta se transformou em misto de apreensão, susto e dúvidas, com as decolagens de Hélio Castroneves, Ed Carpenter e Josef Newgarden nos treinos livres para as 500 Milhas de Indianápolis, todos com o pacote aerodinâmico desenvolvido pela Chevrolet para os Dallaras DW12, uma novidade deste ano.

Pois o que chamou a atenção foi justamente a ingenuidade da IndyCar ao lidar com o tema, considerando que era de se esperar uma escalada de desempenho (este era o objetivo dos novos componentes). Houve uma série de exigências para o desenvolvimento de asas, defletores e afins, além, é lógico, de muito tempo e dinheiro gasto com simulações em CFD e túnel de vento, até que se chegasse às formas teoricamente definitivas.

Falamos de aerodinâmica, o que traz à mente os aviões, e sempre é bom lembrar que eles só são autorizados a decolar quando toda uma série de preparativos foi cumprida, justamente tendo em mente a segurança de quem arrisca a vida no manche. Assim também deveria ter sido na capital de Indiana. Os kits para os circuitos mistos e ovais de pequena extensão foram os primeiros a ficar prontos, foram avaliados com testes específicos e, talvez por isso, não tenham apresentado qualquer problema sério além da quebra de algumas extremidades mais expostas em contatos. Não foi o caso em Indianápolis, que exigiria um bom período de testes supervisionados pela equipe técnica do campeonato, até mesmo para identificar falhas e determinar limites. Olha que não é de hoje que qualquer mudança, seja num composto de pneus, é ensaiada à exaustão por um ou mais times de referência no traçado de 2,5 milhas, até receber o sinal verde dos oficiais.

Não foi o caso desta vez. Como não é coincidência que a Honda, que optou por soluções mais conservadoras, tenha tido dias sem problemas, mas um desempenho inferior ao da rival da gravatinha. De repente, voltaram à ordem do dia cenas tristes que se imaginava parte do passado – acidentes como os de Tony Renna, Dan Wheldon e Dario Franchitti (felizmente o escocês sobreviveu para contar história, o que não foi o caso dos outros dois). Indianápolis nunca será uma pista de risco zero (como aliás, nenhuma outra em nenhum lugar do mundo), mas é preferível não dar sopa. E o wicker, aquela barra perpendicular à extensão do bico usada para diminuir a instabilidade que seria um remédio, acabou sendo arrancado dos carros por temor de algo mais sério.

A solução encontrada para “salvar” o Pole Day acabou não só tirando a graça do evento, como jogando pilotos e equipes de volta ao desconhecido – ter apenas uma sessão preparatória com o acerto de corrida e menor pressão no turbo foi, de certa forma, arriscado. E não sei se o tempo será suficiente para avaliar o comportamento da nova aerodinâmica em meio ao tráfego, às mudanças repentinas no fluxo do ar. Porque não há nada pior – e aconteceu em outras pistas, como Fontana, quando da morte de Greg Moore – do que um pelotão inteiro temeroso com o que pode acontecer ao longo de 200 voltas. Voar deveria ser só para os aviões.

Agenda menos longa que a pista…

Um fim de semana que tenha não só mais uma edição das 24h de Nurburgring como também a visita inédita do Mundial de Turismo à pista lendária do Nordschleife com certeza é especial, e o circuito acaba sendo bem maior do que a agenda. Que, a bem da verdade, tem muita coisa boa, com a ação correndo solta por vários pontos da Europa – Moto GP em Le Mans, European Le Mans Series em Imola; Euro F-3 e F-Renault Alps nas traiçoeiras ruas de Pau e o Rallycross na belga Mettet. Nos EUA é tempo de definir o pole das 500 Milhas de Indianápolis, um desafio que já foi mais glamuroso, e agora se tornou preocupante com os voos dos Dallaras de Hélio Castroneves e Josef Newgarden (ambos com os pacotes aerodinâmicos da Chevrolet), justamente o que se quer evitar em velocidades tão elevadas. E como aquecimento para as 600 Milhas de Charlotte, a Nascar faz seu All-Star, com  US$ 1 milhão em prêmios. Por aqui, a F-Truck segue seu rumo com a terceira etapa, em Londrina, trazendo novas regras e exigências para pilotos e equipes, enquanto a Endurance Brasil, competição sobrevivente de uma modalidade outrora tão forte em todo o país, comanda a festa em Santa Cruz do Sul. Aceleremos então…

Internacional

Mundial de Rallycross (FIA RX): terceira etapa – Mettet (BEL)

Mundial de Motociclismo: quinta etapa – GP da França (Le Mans)

24h de Nurburgring

European Le Mans Series: segunda etapa – Imola (ITA)

Europeu de Fórmula 3: terceira etapa – Pau (FRA)

F-Renault ALPS: segunda etapa – Pau (FRA)

Nascar All-Star Race: Charlotte

Nascar Camping World Truck Series: quinta etapa – Charlotte

Pirelli World Challenge: oitava etapa – Mosport (CAN)

V8 Supercars: quinta etapa – Winton

Verizon Indycar (500 Milhas de Indianápolis): Pole day

Nacional

Brasileiro de F-Truck: terceira etapa – Londrina

Endurance Brasil: segunda etapa – Santa Cruz do Sul

Brasileiro de Motocross: primeira etapa – Limeira

Na telinha

Sábado (16)

7h30    Mundial de Motociclismo (treinos oficiais GP da França)             Sportv

21h50    Nascar All-Star Race        Fox Sports 2

Domingo (17)

6h    Mundial de Motociclismo (GP da França)             Sportv

13h    Brasileiro de F-Truck: etapa de Londrina                   Band