Ainda bem que há Mônaco – Coluna Sexta Marcha

*** Do GP da Espanha, dá para falar que foi… bem sem graça, como aliás aparentava ser. Impressionante como os carros evoluem bem mais do que a pista e o atual caminhão de downforce (já foi até mais) prejudica as disputas; desencoraja as ultrapassagens, pune quem anda próximo demais do carro à frente. Como a solução seria um traçado “a la” Tilke, melhor deixar como está e, como diz a coluna, lembrar que a próxima parada do circo tem tudo para proporcionar uma corrida melhor…

Ainda bem que há Mônaco

Não dá para dizer que o GP da Espanha foi decepcionante, ao menos considerando a expectativa da véspera. Tire a épica descida de reta de Ayrton Senna e Nigel Mansell em 1991 e são poucos os momentos de emoção proporcionados por Montmeló, pista que deveria ser reservada para os testes – a combinação entre curvas de média e baixa velocidade é o melhor termômetro da competitividade dos carros, mas, mesmo em tempos de DRS, não serve para proporcionar GPs movimentados. Nem é preciso ir além do fato de que os cinco primeiros no grid receberam a bandeirada na mesma ordem para justificar a teoria.

Dito isso, felizmente há um traçado de rua mítico, ainda que anacrônico, estreito e indigno dos padrões atuais do circo, no meio do caminho. Sim, anda-se de moto na banheira de casa, como uma vez disse Nelson Piquet, mas Mônaco é Mônaco. Em nenhum outro traçado o muro está tão próximo, as áreas de escape quase inexistem; o limite está tão próximo e ao mesmo tempo é tão difícil de atingir. Como que por milagre, no principado mesmo as temporadas mais previsíveis ganham outros contornos.

Porque Mônaco é palco das vitórias solteiras de Olivier Panis, Jarno Trulli e Jean-Pierre Beltoise; dos únicos pontos da história da Marussia; da volta de qualificação mais impressionante da história da categoria, seguida de uma das distrações mais marcantes – se o leitor não ligou o nome à pessoa, estou falando de uma McLaren Honda com o número 12, no ano da graça de 1988. E seis anos antes, nos tempos em que o consumo de combustível era crítico, nada menos que seis pilotos chegaram a comandar o pelotão nas últimas três voltas, até que um incrédulo Riccardo Patrese herdasse as honras e o champanhe – foi o mais próximo que o saudoso Andrea de Cesaris esteve de uma vitória (terminou em terceiro, uma volta atrás.).

Se Barcelona é o juiz supremo do equipamento, os 3.340m de Montecarlo o são da pilotagem, a pista em que a palavra equilíbrio mais vem à lembrança (não entre as equipes), que a sensibilidade da peça que vai sentada no banco é mais valorizada, pois é preciso acreditar que o carro é capaz de certos movimentos que desafiam a lógica, os olhos, o espaço exíguo. É até curioso que alguns pilotos desenvolvam, ao longo do tempo, uma empatia única, um favoritismo que não se reproduz praticamente em nenhum outro lugar – basta pensar em Mark Webber, David Coulthard ou Nico Rosberg. Sim, o alemão é candidatíssimo à vitória, mais até do que era na Espanha e, se for realmente o caso, o campeonato ganha uma sobrevida, especialmente porque depois vem o Canadá, outro traçado que adora ser palco de uma surpresa. Ainda bem que há Mônaco…

Questão de resistência

Pena que o Mundial, ao menos por enquanto, se tornou uma competição em que não quebrar se tornou tão ou mais importante que acelerar. De forma até surpreendente, já que era o que se esperava para o ano passado, o primeiro dos novos motores, a quebradeira tem ditado o ritmo e os resultados de várias equipes – a Red Bull é o exemplo mais emblemático. E quando a fase é complicada, uma simples sobreviseira é suficiente para deixar Fernando Alonso sem freios. Aliás, se o comunicado de imprensa da Ferrari diz que o time deu “um passo, mas não um salto” em Barcelona, a McLaren mais parece um caranguejo: nada de andar para a frente.

Motivação

“Preciso continuar andando? Tem mais alguma coisa para testar? Por mim, eu paro agora”.

(Um “animado” Kimi Räikkönen ao engenheiro, nos treinos livres de sexta-feira)

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