Valeu, tio Bernie – Coluna Sexta Marcha

A coluna sobre o GP de Mônaco é, na verdade, uma grande brincadeira, uma provocação diante de uma estratégia inexplicável e absurda da Mercedes num fim de semana que deveria ser tranquilo para as Flechas de Prata, e que nem de longe refletiu a verdade da pista e do cronômetro. Vieram depois as desculpas, as tentativas de justificar o injustificável e o chefão Toto Wolff chegou a dar a cara para bater pelas redes sociais, respondendo comentários e perguntas dos internautas incrédulos, apenas admitindo o erro e manifestando a certeza de que ele não se repetirá (é o mínimo). Não era nem de longe a melhor forma de movimentar um campeonato que, como comento nas linhas abaixo, está mais do que encaminhado – e olha que numa dessas quem estava praticamente resignado ao papel de coadjuvante (leia-se: Ferrari e Vettel) pode entrar na briga…

Valeu, Tio Bernie!

Então Bernie Ecclestone conseguiu. Depois de tanto sugerir ideias para esquentar o espetáculo no Mundial de Fórmula 1 – e a lista teve pérolas como chuva artificial ou um rodízio de pilotos entre todos os carros no grid ao longo de uma temporada – o dirigente supremo do circo finalmente encontrou um jeito de animar um campeonato que caminha perigosamente para o tédio da definição antecipada e da hegemonia de uma escuderia, tal como foi com a Ferrari em 2004, ou a Red Bull em 2011. Fico apenas imaginando como o astuto inglês conseguiu convencer Toto Wolff e Niki Lauda de que seria a medida a tomar, para o bem do esporte. Imagine você uma classificação dominada pelo vencedor de quatro GPs em seis, pole em cinco e, finalmente poupado da maré de azar e problemas que tornaram o caminho rumo ao bicampeonato bem mais árduo do que deveria ter sido. Na menos pior das hipóteses, o tri viria no Japão, e o piloto de Stevenage se divertiria batendo recordes e dando mostras de sua superioridade – falo apenas do confronto direto com o companheiro de time, já que qualquer outra disputa esbarra na diferença de equipamento. Aí os adversários tirariam o pé, passariam a se concentrar nos carros de 2016 e o fim do ano se transformaria numa sequência modorrenta de corridas sem nem mesmo a perspectiva dos pontos dobrados na última, mais uma invenção bem-sucedida de Mr.E que, infelizmente, não durou mais que um ano. Do jeito que está, vamos para o Canadá com 10, e não 25 pontos, separando a dupla prateada (foto); e mesmo Sebastian Vettel, que descontou três pontinhos do líder, ainda com o título na linha de mira. E olha que o traçado de Montreal, tão de rua quanto o de Mônaco, costuma ser palco de surpresas, que dispensam inclusive qualquer manobra de bastidores. Boa, Tio Bernie, o público agradece…

Pastelão estrelado Pois eu espero que o leitor tenha compreendido a ironia, já que só mesmo numa teoria da conspiração mambembe seria o caso de acreditar no cenário descrito acima. O que se viu domingo foi mais uma demonstração de incapacidade da Mercedes em gerir uma rivalidade relativamente simples (estamos a anos-luz de Senna x Prost, Piquet x Mansell ou Jones x Reutemann). Até agora, o que se sabia era que a mesma estratégia valia para ambos – se um para duas vezes, o outro também, até mesmo para evitar reclamações. Desta vez, no entanto, algo falhou, gravemente. E, para piorar, com Vettel separando a dupla, não havia como restabelecer a ordem justa. O efeito colateral positivo da nova polêmica é a grande possibilidade de Hamilton largar as amarras e correr movido pela raiva, o que é promessa de espetáculo na certa.

Outra do craque Do outro lado do Atlântico, as 500 Milhas de Indianápolis reconciliaram o talento de Juan-Pablo Montoya com o alto do pódio. O mesmo jornalista que levou um toco memorável do então jovem colombiano em 1998 (na F-3000), ao pedir uma entrevista, foi testemunha de uma cena que dispensou legenda. Sala de imprensa de Interlagos, GP do Brasil de 2002, Michael Schumacher vê as imagens do monitor de TV e tenta entender como o cidadão com a Williams o superou por fora no S do Senna, transparecendo que não gostou nem um pouco da insolência. Montoya engordou, emagreceu, venceu Indy e Mônaco, voltou ao oval e deu uma aula de arrojo e precisão (olha que tinha caído para as últimas posições depois de ser tocado sob bandeira amarela). O diploma de craque ganhou mais um carimbo e tanto…

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