Meio cheio ou meio vazio?

Então os treinos extra-oficiais de preparação para as 24h de Le Mans chegaram ao fim com a Porsche na frente, ainda sem se aproximar do recorde do circuito da Sarthe (muito provavelmente escondendo o jogo e andando em condições de corrida); a Audi no encalço, a Toyota preocupantemente distante para quem tinha o melhor carro ano passado e a estreante Nissan… quase necessitando de ampulheta para ter os tempos cronometrados. Brincadeiras à parte, andar a 22 segundos do melhor tempo de sua categoria seria um desastre completo, não fossem algumas observações que eu trago aqui.

Antes de mais nada, os três carros passaram bom tempo na pista e não houve problemas mecânicos sérios que causassem preocupação entre a turma nipônica. Por mais que você simule, ande em Sebring ou em pistas de testes espalhadas pelos EUA, Le Mans é Le Mans, e chegar sem referências anteriores naquela que é provavelmente a época mais competitiva da história do Mundial de Endurance significa normalmente apanhar muito até chegar ao real potencial. Especialmente quando o motor está na dianteira, o cockpit lá atrás e o chip dos pilotos tem de ser completamente reprogramado em relação ao que estão acostumados. Diferentemente do que havia sido prometido, em condições de pista seca os GT-R não foram mais rápidos que os LMP2, muito embora a velocidade mais alta do domingo tenha sido registrada pelo carro 23 (336,4km/h).

E há outro detalhe que muita gente talvez não tenha atentado. Quando começou a chover e a aderência na pista passou a ser crítica, os tempos dos novatos (os carros) se aproximaram bastante não só dos Rebellion, como também dos Toyota, sendo, em média, de sete a oito segundos mais lentos do que Porsche e Audi, o que começa a ficar razoável. Sinal de que a base é muito boa e, a bem da verdade, só pode evoluir, especialmente agora com uma série de dados e impressões de seis horas de pista. Vai que os GT-R consomem menos, ou permitem um número maior de stints com os pneus e a coisa pode ficar interessante. Lógico que seria loucura falar em chance de vitória, algo que se chegou a cogitar antes de o programa ser apresentado oficialmente. Ao menos este ano ainda não, mas há, inclusive, a chance de apostar em três estratégias distintas: mandar à pista um carro com a ordem de atacar e gastar o máximo; outro com orientação inversa, para tentar resistir à maratona e um terceiro como coringa, capaz de pender tanto para um lado quanto para o outro, de acordo com as circunstâncias.

O que está claro é que, com três Porsches voando, três Audis logo atrás; duas Toyotas à espreita e ao menos um Rebellion com um ritmo pra lá de bom, conseguir deixar ao menos um dessa turma para trás terá sido um ótimo resultado, especialmente se houver margem de crescimento para 2016 (e aí vai ser necessário recuperar mais energia, mas é outra história). Como ver o copo, meio cheio ou meio vazio? Eu ainda prefiro a primeira opção…

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