Mais perguntas que respostas – Coluna Sexta Marcha (GP da Áustria)

Coluna sobre o GP da Áustria publicada quase no GP da Inglaterra? Eu explico: na edição impressa do Estado de Minas saiu na terça-feira pós-corrida, como de costume, mas a semana tinha outros assuntos interessantes e, acima de tudo, o texto abaixo fala menos do que ocorreu no Red Bull Ring, e mais do incerto futuro da categoria, que tenta se reinventar para manter a atratividade e o carisma entre os fãs. O que, com corridas como a passada, fica difícil, especialmente quando eventos como as 24h de Le Mans, com um regulamento bem mais livre e um formato próximo do torcedor, vem conseguindo fazer com sucesso bem maior. Difícil é acreditar que as coisas mudarão em Silverstone…

                     Mais perguntas que respostas

Então vimos um GP em que as duas mudanças dignas de nota se deram com uma largada melhor que a de quem ia à frente e uma porca de roda recalcitrante. E as 71 voltas pelo Red Bull Ring, que também é Spielberg e também é Zeltweg, ajudaram a exemplificar o grande dilema da Fórmula 1 atual. Como pensar em ganhar audiência, sobreviver num mundo cada vez mais virtual de mais opções e ampliar a base de fãs se não temos a) um piloto não só diferenciado, mas que flerte com a condição de mito; ou b) batalhas dignas das que marcaram, por exemplo, a prova do Barein ano passado? Não por acaso pilotos, equipes, organizadores e promotores, agora reunidos no tão falado Grupo Estratégico, tentam (sem sucesso, por enquanto), encontrar modos de responder às expectativas e conciliar o que parece impossível. Concordo com Bernie Ecclestone quando diz que 800 pessoas para desenvolver dois carros de corrida são um absurdo injustificável, mas discordo de sua sanha implacável de levar a categoria para destinos ‘exóticos’ como o Azerbaijão, só porque lá há dinheiro para bancar o circo, o que não é o caso da Alemanha, por exemplo. Com o perdão do trocadilho infame, ninguém conseguiu até agora encontrar uma fórmula que aponte para um futuro interessante. Propostas há, e muitas, algumas até discutidas neste espaço, mas não há como agradar a gregos e troianos. As equipes da segunda metade do grid vivem situação financeira complicada, e de repente alguém quer trazer de volta o reabastecimento, com todos os custos que ele implica. Os testes em pista são considerados caros, mas gasta-se (quem pode, lógico) fortunas nos túneis de vento e simuladores. Os pilotos gostariam de correr sem amarras – nada de economizar combustível e pneus – mas foi o próprio vencedor de domingo, Nico Rosberg (foto), a lembrar que o pai, Keke, já fazia isso, e outros antes dele. Ou será que ser um grande piloto não inclui gerir as condições do jeito que estão e tirar delas o melhor possível?

Lógico que o fã adorará ver máquinas ainda mais rápidas e barulhentas, mas vai muito além disso. Ele gostaria de ser parte do espetáculo, ver a movimentação de perto, pagar ingressos razoáveis, estar próximo das estrelas. E a vitória de Nico Hulkenberg nas 24h de Le Mans abriu os olhos de muita gente para um fenômeno significativo. A principal prova de endurance do planeta não tem ultrapassagens constantes, muito menos DRS para ajudar, e cada construtor escolhe o pacote que melhor lhe convenha desde que respeite as restrições do regulamento. Mas a pista francesa foi invadida por uma multidão e muita gente boa do circo cresceu os olhos para a possibilidade de repetir o feito do titular da Force India. Tudo bem que é utopia acreditar que, quaisquer que sejam as regras, haverá apenas GPs emocionantes, duelos de prender no sofá diante da TV e temporadas decididas na última volta da última etapa. E já comentei que não acredito em artifícios como inversão de grid, lastro para os mais rápidos ou coisa do gênero, já que acabariam desnaturando a F-1. Mas que está passando da hora de começar a dar respostas concretas às perguntas, não resta dúvida…

Coitada da porca Então o já folclórico Maurizio Arrivabene resolveu creditar a perda do pódio de Sebastian Vettel à porca de roda “estúpida” que não quis sair. Não chego ao extremo de dizer que a frase merece o mesmo adjetivo, mas fico pensando que ninguém praguejou o aparelho de reabastecimento que não quis sair do carro de Felipe Massa em Cingapura’2008 e custou ao brasileiro o título daquele ano – o dirigente ainda não mandava, mas era o representante do patrocinador na escuderia. E antes de falar qualquer coisa Arrivabene deveria prestar mais atenção ao atravessar o pitlane, pois quase acabou atropelado pelo brasileiro nos treinos da sexta-feira.

Já teve carro na pista… antes do asfalto…

Se David Coulthard pôde fazer isso no Circuito das Américas, por que não seria o caso de Rafa Matos e Lucas Foresti repetirem a façanha no mais novo autódromo brasileiro, o Circuito dos Cristais, em Curvelo? Com o fechamento das caixas de escoamento e drenagem de água e a conclusão da pavimentação nos 4.400m de traçado, finalmente se tornou possível completar a volta com qualquer veículo que fosse, e os responsáveis pelo empreendimento, em conjunto com a Vicar, organizadora do principal campeonato do país, foram certeiros ao levar os V8 para uma voltinha, que se transformou em reportagem de TV. E que o blog mostra com fotos, algumas delas exclusivas, feitas pelo craque Fred Mancini. O melhor da história é que começa agora o asfaltamento da pista, com tempo de sobra para que o manto negro possa curar e seja forte o suficiente para resistir ao peso mesmo dos brutos da F-Truck – a inauguração segue prevista para março de 2016. Enfim o sonho se aproxima da realidade (olha que já daria para fazer um senhor evento de velocidade na terra ou rallycross do jeito que está).

História feita nas alturas…

Não é exagero dizer que o dia 28 de junho de 2015 marca um divisor de águas para o auomobilismo mundial. Afinal, Rhys Millen conseguiu o resultado esperado e se tornou, como o pai, Rod, vencedor da Subida de Montanha Internacional de Pikes Peak. Com um detalhe: ao levar em menos tempo ao topo da montanha do Colorado o protótipo Drive eO PP03, desenvolvido na Letônia, ele fez com que pela primeira vez a classificação geral de um evento sobre quatro rodas fosse dominada por um veículo integralmente movido por propulsão de origem elétrica. Pois se há troféus para as diversas categorias (e se há diversas categorias), o reconhecimento maior vem de que consegue o melhor tempo no fim das contas e das subidas, e foi justamente a máquina silenciosa, que exigiu inclusive uma mudança simples, mas importante na logística da prova – os responsáveis pela segurança e controle de público avisam com apitos a chegada dos concorrentes carregados na tomada – a melhor entre as 133 que se lançaram morro acima.

E a essa altura pouco importa que a marca para os 19.800m e 156 curvas de ascensão tenha sido 54 segundos mais alta que o recorde estabelecido por sua majestade Sebastien Loeb em 2013, mesmo porque o francês preparou meticulosamente sua invasão, até mesmo levando o fiel navegador Daniel Elena para os treinos de reconhecimento, que o ajudaram a memorizar o que enfrentaria. Millen não teve a chance de fazer tanto, mas contou com um carro que resistiu – poderia ter ficado pelo caminho, tratando-se de um conceito inovador e arriscado. Especialmente quando se tem, nos seis motores elétricos e acumulados nas baterias de ions de lítio, quase 1.400cv, num desafio em que a tração nas saídas de curvas lentas e tudo, e basta passar um pouquinho da conta para beijar um barranco ou despencar por um precipício.

E nada garante que o Honda HPD ARX-04B que seria comandado por Justin Wilson caso poupado dos problemas de câmbio e motor, conseguiria fazer melhor. Millen sabia que o principal adversário dele era ele mesmo, e tratou de conseguir a primeira posição, que já é muito mais do que se esperava numa primeira tentativa. E os 9min07s222 do norte-americano de origem neozelandesa, assim como os 9min32s401 de Nobuhiro “Monster” Tajima, também com um protótipo movido a eletricidade, mostram não apenas o quanto a teconologia evoluiu, como confirmam que um motor a combustão equipado com turbo leva desvantagem com o ar rarefeito. Como está na tradição da prova, que em 2016 venha alguém ainda melhor armado para encarar a montanha (e saiba fazer bom uso do arsenal à disposição, como fazem os vencedores). Por fim, a curiosidade de ver na oitava posição, a bordo de um protótipo Radical, Dominic Dobson, piloto bom de serviço da Indy e de turismo nos anos 80 e 90. Vida longa à “Corrida para as nuvens”.

CLIQUE AQUI E CONFIRA OS RESULTADOS FINAIS DA 93ª PIKES PEAK

Agenda boa lá e aqui…

Lembram do que disse na agenda passada, quando nada havia a destacar nas pistas brazucas e muito pelo resto do mundo? Pois é, basta avaliar o tamanho da lista para entender que, desta vez, temos movimentação, e muita, embora concentrada em grande parte na pista gaúcha de Santa Cruz do Sul. Melhor do que nada, lógico, e felizes dos gaúchos que poderão fazer churrasco e tomar chimarrão vendo automobilismo da melhor qualidade. Na Alemanha, Norisring, que já foi tribuna para as desastradas e condenáveis palavras de Adolf Hitler, recebe um exército muito mais interessante, do DTM e do Europeu de F-3 (abaixo a foto de Sérgio Sette Câmara), às voltas com um traçado danado de difícil. E a Fórmula E consagra, com uma rodada dupla, nas ruas de Londres, seu primeiro campeão. Que, com grande probabilidade, será brasileiro, dando fim a um incômodo jejum de títulos de destaque. Maiores possibilidades para Nelsinho Piquet, que fez por merecer, mas Lucas di Grassi corre por fora. E tem endurance com as 6h de Watkins Glen, pista que pode ter parado no tempo, mas, talvez por isso mesmo, seja tão sensacional. Sem contar a edição 93 da Subida Internacional de Pikes Peak, sempre especial, com suas 156 curvas. Bom que não falta coisa boa…

Internacional

Mundial de Turismo (FIA WTCC): sétima etapa – Paul Ricard (FRA)

Mundial de Moto GP: oitava etapa – GP da Holanda (Assen)

Europeu de F-3: quinta etapa – Norisring (ALE)

DTM: terceira etapa – Norisring

Verizon Indycar Series: nona etapa – 500 Milhas de Fontana

Fórmula E: última etapa – Londres

Nascar Sprint Cup: 15ª etapa – Toyota Savemart 350 (Sonoma)

Tudor United Sportscar Championship: sexta etapa – 6h de Watkins Glen

Pikes Peak International Hillclimb (PPIHC)

Nacional

Brasileiro de Stock Car: quinta etapa –  Santa Cruz do Sul (RS)

Brasileiro de Turismo:–  Santa Cruz do Sul (RS)

Brasileiro de F-3: terceira etapa –  Santa Cruz do Sul (RS)

Mercedes-Benz Grand Challenge: quarta etapa –  Santa Cruz do Sul (RS)

Moto 1000 GP (Brasileiro de Motociclismo): terceira etapa – Goiânia

Porsche Cup: quarta etapa – Velo Cittá

Mitsubishi Cup: terceira etapa – Jaguariúna (SP)

Na telinha

Sábado (27)

7h          Mundial de Motociclismo: GP da Holanda                  Sportv2

11h30    Fórmula E: etapa de Londres                                  Fox Sports 2

12h        Stock Car (treino oficial)                                        Sportv

Domingo (28)

11h30    Fórmula E: etapa de Londres                                  Fox Sports

12h40   Stock Car: rodada dupla                               Sportv

16h       Nascar Sprint Cup: etapa de Sonoma                      Fox Sports

Tem Lotus nova e Honda de menos…

Ele não é originalmente destinado a nenhuma categoria em especial, mas, o simples fato de ter uma versão exclusivamente de pista justifica a presença no blog. Falo do Lotus 3-Eleven, o mais potente carro já saído das oficinas de Hethel, apresentado ontem no Festival da Velocidade de Goodwood. Fiel ao espírito de Colin Chapman, para quem pouco peso é o maior segredo para a diversão ao volante, o 3-Eleven tem peso de 900kg e 450cv (garantidos por um V6 turbo de 3.500cc, de origem Ford), o que dá uma relação de 0,5cv/kg, digna de modelos muito mais caros. Bem verdade que o preço sugerido de 115 mil libras (cerca de R$ 450 mil) não é dos mais razoáveis, mas considerando-se o que seria necessário pagar para andar em um GT3 de ponta, com certeza vale cada centavo. É de se esperar que, no começo de 2016, quando forem entregues os primeiros exemplares, ele invada campeonatos como o VLN alemão; o CITE italiano ou o Britcar inglês – é sempre bacana ver em ação essa combinação de verde e amarelo que notabilizou o time.

E já que estamos em semana de Pikes Peak, outro carro de sonho acabou não passando pelo esperado teste. A Honda garante que o problema foi no propulsor, mas há quem diga que o protótipo ARX-04b que deveria ser comandado por Justin Wilson rumo ao alto do morro no Colorado não estava devidamente adaptado às exigências do traçado de 156 curvas. Abre-se com isso a grande possibilidade de ver a prova dominada por um modelo com propulsão 100% elétrica – o Drive eO PP03 comandado por Rhys Millen, mais rápido nos treinos qualificatórios. A se lamentar o acidente fatal com o motociclista Carlton Sorensen, o sexto em 93 anos da Corrida para as Nuvens.

Ela vem chegando… e feliz vou esperando

Peguei emprestada a frase da música de Jorge Benjor porque a ocasião justifica. Quem acompanha o blog com frequência sabe o fascínio exercido neste que vos escreve pela Subida de Montanha Internacional de Pikes Peak (PPIHC), a ponto de ter justificado a ida ao monte no fim do ano passado, com o termômetro abaixo de zero. Pois domingo será a vez da 92ª edição do desafio até o topo da montanha do Colorado, desbravada a pedido do presidente Thomas Jefferson pelo tenente Zebulon Pike que, no Século XIX, jurou que ninguém jamais chegaria ao ponto mais alto (4.350m, ou 14.110 pés acima do nível do mar).

Que a previsão estava completamente furada você já sabe, assim como a brincadeira ficou mais rápida a cada ano, especialmente depois que o traçado de 19.980m e 156 curvas foi integralmente asfaltado, em 2011. Longe vai o tempo das imagens de Ari Vatanen, Michèle Mouton ou Walter Rohrl encando o desafio com as máquinas totalmente de lado, e os precipícios como áreas de escape. Eles continuam lá, mas a aderência agora é bem maior, a ponto de favorecer máquinas concebidas especialmente para as pistas, como o Norma M20 FC usado pelo francês Romain Dumas para vencer ano passado. O regulamento continua mínimo, já que é possível alinhar praticamente qualquer coisa com motor e rodas, desde que atenda às exigências de segurança.

O recorde, que simplesmente estraçalhou a marca dos 10 minutos, você deve saber que é de um certo Sebastien Loeb, com 8min13s878, em seu Peugeot 208 T16 Proto (e eu me lembro bem do guarda com quem conversei em Glen Cove, o máximo em que pude chegar, dizendo que até eu, com uma máquina daquelas, faria o percurso em uns 11 minutos, mas o que eu pude ver me deu certeza de que não seria o caso).

Pois este ano a briga promete, embora seja bastante improvável ameaçar a marca do nove vezes campeão mundial de rali. A Honda, que se limitava a levar modelos derivados dos de rua para brigar pela vitória nas categorias inferiores, como se diz na gíria, apelou. Resolveu mandar morro acima seu ARX-04b Coupé, o LMP2 desenvolvido para o Mundial de Endurance e o TUSC, comandado por um pé pesado como Justin Wilson. Sinceramente ele será muito rápido nos quilômetros iniciais, mas tenho minhas dúvidas de que será eficiente quando os cotovelos começarem a se suceder – a visibilidade é limitada, o asfalto relativamente estreito e faltará algo nas suspensões.

Honda ARX-04B

PP03

E o principal desafiante faz parte da turma cujos propulsores não fazem barulho algum, ou quase. Diante do efeito da altitude no desempenho dos motores, pensar em unidades elétricas se tornou um caminho interessante, e foi por meio dele que o grupo lituano Drive eO chegou a seu PP03, um protótipo com o equivalente a 1.300cv que será comandado por Rhys Millen, mais um expoente de uma família que se tornou sinônimo do Pikes Peak tanto quanto os Unser, os Dallenbach ou os Vasholtz. Ao todo são 74 carros, alguns veneráveis, outros desenvolvidos na garagem de casa, no melhor espírito da prova quase centenária. E nada de treinar a distância completa antes da hora: as subidas de testes são divididas em três partes e só no domingo mesmo chega o momento de encarar todo o monumento. Eu vou estar de olho, e acredito que não serei o único…

Clique aqui e veja o post sobre a visita ao Pikes Peak, com direito a vídeo

Agenda curta, mas veloz…

Depois de um fim de semana com 24h de Le Mans, qualquer outra agenda pareceria miúda, especialmente porque não era apenas a prova mais difícil e desafiadora da endurance mundial no cardápio. E olha que desta vez nada há que mereça destaque nas pistas verde e amarelas, o que não quer dizer que o fim de semana seja morno em termos de atrações. Lógico que a parte principal diz respeito ao Red Bull Ring, mas há bem mais, e com resultados mais do que animadores, como o terceiro lugar conseguido por Sérgio Sette Câmara na segunda corrida da etapa de Spa-Francorchamps do Europeu de F-3 (logo onde, uma verdadeira universidade da velocidade). Atrações há, como sempre nesta época e para todos os gostos…

Internacional

Mundial de Fórmula 1: oitava etapa – GP da Áustria (Red Bull Ring)

Mundial de Turismo (FIA WTCC): sexta etapa – Slovakia Ring (SLO)

Mundial de Rallycross (FIA RX): quinta etapa – Estering (ALE)

GP2: quarta etapa – Red Bull Ring

GP3: terceira etapa –  Red Bull Ring

TCR International Series: sétima etapa – Sochi (RUS)

Blancpain Endurance Series: terceira etapa – Paul Ricard (FRA)

Europeu de Fórmula 3: quinta etapa – Spa-Francorchamps (BEL)

Nascar Xfinity Series: 14ª etapa – Owens Corning Atticat 300 (Chicagoland)

Nascar Camping World Truck Series: 9ª etapa – American Ethanol 200 (Iowa)

Na telinha

Sábado

6h            Fórmula 1: GP da Áustria (terceiro treino livre)            Sportv

9h            Fórmula 1: GP da Áustria (treino oficial)            Sportv/Globo (*)

(*) a partir das 9h30

12h15      GP3: etapa da Áustria               Sportv3

22h30      Nascar Xfinity Series: etapa de Chicagoland         Fox Sports 2

Domingo

9h            Fórmula 1: GP da Áustria           Globo

Porque quem devia fazer não faz…

O belo espécime da foto, você há de ter notado, é um Fiat Uno duas portas preparado para os campeonatos regionais de Marcas e Pilotos, sob o regulamento 1.600cc. Desenvolvimento pelo mineiro Gustavo Mascarenhas – piloto de Curvelo que vai ganhar um circuito em casa – com a ajuda de quem sabe fazer bem feito na área, seja nas Minas Gerais, no Rio Grande do Sul ou em São Paulo. Um vento de renovação num panorama em que prevalecem modelos antigos, como Gol (bolinha), Palio e Corsa.

E esse é justamente o mote para o post. Especialmente num momento em que as vendas despencaram vertiginosamente, a concorrência se tornou maior e mais agressiva e a paixão pelo automobilismo está mais viva do que nunca, nenhuma montadora se digna a pelo menos desenvolver versões de competição de seus modelos mais populares. Não estou falando em criar copas monomarca ou investir milhões em ações de marketing, apenas em usar a experiência dos departamentos de engenharia e desenvolvimento de produto para sugerir os pontos da carroceria a ser reforçados, o desenho mais seguro e menos pesado da gaiola de proteção; os mistérios e segredos do motor capazes de render alguns cavalinhos a mais. E pensar que vários modelos (o Palio é o melhor exemplo) se beneficiaram muito do que foi testado e aprendido na pista ou nos ralis. Numa das minhas andanças ouvi contarem que um piloto, para criar a estrutura de aço que protegeria seu Gol… se baseou no projeto do Palio, como se morango e banana fossem a mesma coisa. Aí fica inclusive perigoso…

E eu poderia fazer uma lista de modelos que ficariam muito bem vestidos para acelerar, sem gastos absurdos ou revoluções no projeto. Peugeot 208, Citroën C3, GM Onix e Prisma, VW Up, Honda Fit (sim, há uma versão de rali dele nos EUA e na Austrália), Toyota Etios, Chery Celer, JAC J3, Renault Logan ou Sandero (os dois estão homologados na Europa), Ford New Fiesta e Ka, Fiat 500 e Palio (o atual) apenas para ficar nos compactos.

Para algum desses modelos ganhar as pistas ou especiais, só mesmo iniciativas particulares, de quem resolve ir à luta e fazer por conta própria o que as fábricas poderiam, mas não fazem. E não seria uma má ideia voltar a produzir versões de competição “oficiais” vendendo-as por preços subsidiados a quem se comprometer em usá-las em campeonatos, talvez até por meio das financeiras ligadas às montadoras. Comprar 20 bancos e cintos, 80 rodas e produzir 20 gaiolas sai bem mais barato do que fazer isso individualmente, do próprio bolso. Pena que quem tem o poder não acredita nisso ou, se acredita, esbarra nas restrições e burocracias paquidérmicas das grandes corporações, que deram as costas para o que as ajudou a vender muitos carros. O jeito é contar com mais Gustavos, ou se acostumar com máquinas antiquadas e cansadas de tantas batalhas. Será que é tão difícil assim?

Por 17 quilômetros…

Sensacional é o mínimo que se pode dizer da 83ª edição das 24h de Le Mans, ainda que o favoritismo de véspera da Porsche tenha se confirmado. E você haverá de perguntar: qual o motivo do título do post? É que a informação foi pouco divulgada, mas a Michelin oferecia um prêmio de US$ 1 milhão à marca que conseguisse completar a maratona percorrendo ao menos 5.400km e com nove jogos de pneus. A segunda parte foi feita com sucesso, a primeira passou raspando… pelos 17 quilômetros que dão nome ao comentário. Olha que mesmo os técnicos da fabricante francesa acreditavam que a façanha seria “coisa para dois ou três anos” e terão ficado surpresos com a evolução do desempenho dos LMP1, tanto mais que choveu pouco e as neutralizações foram mínimas. (vale lembrar que, qualquer dos times oficiais que vencesse o desafio destinaria o dinheiro à caridade).

          Porsche AG/divulgação

Dito isso, foram três Porsches e igual número de Audis se digladiando no circuito da Sarthe, com detalhes ínfimos fazendo a diferença. E como bem disse o mais conhecido do trio vencedor, Nico Hulkenberg, “nós não colocamos o pé fora da pista uma vez sequer”. Mas com certeza teve gente ganhando bom dinheiro ao apostar no carro 19, o azarão entre os seis que brigariam pelo alto do pódio. Hulk apenas confirmou todo o talento desperdiçado num carro mediano na F-1 e talvez somente um convite da Williams caso Valtteri Bottas substitua Kimi Räikkönen na Ferrari o tire do rumo de um contrato oficial com a casa de Stuttgart. Mas o neozelandês Earl Bamber era um talento escondido na Carrera Supercup (correndo pelo time de Timo Bernhard, colega de equipe no FIA WEC) e Nick Tandy parecia ter mais estofo para comandar um GT.

Pois enquanto punições, pequenos erros e acidentes atrasaram a concorrência, os três mostraram maturidade de veteranos para uma façanha incrível, considerando que apenas o inglês havia disputado a prova antes. Veio um gosto bom de passado, quando os trios eram compostos por pilotos de trajetórias completamente distintas e descobria-se, na pista, que a combinação havia sido perfeita. E nessa hora é até bom não ter um ogro como Tom Kristensen em ação, pois surgiu espaço para uma turma diferente viver seu momento de glória.

E se a 17ª vitória da Porsche era quase inevitável assim que se viu a força da armada que retornou ao Mundial de Endurance ano passado – a “prima” Audi apostava nas mesmas armas do ano passado, mas não foi ajudada pelos erros e problemas alheios, e se rendeu com dignidade e elegância – o desempenho insosso da Toyota mostra como é possível ganhar ou perder terreno em pouquíssimo tempo. O carro mais veloz de 2014 foi simplesmente incapaz de opor resistência aos adversários alemães e fez uma prova opaca, chegando onde largou.

Quanto à participação da Nissan, acabou ridicularizada, e há que se destacar apenas a coragem de tentar. Mas, se todos na Nismo sabiam que o conceito demandaria mais tempo para ser aprimorado, talvez fosse o caso de ter tomado um banho de humildade nipônica para estrear em Fuji, quem sabe, e treinar mais, mais e mais. O motor é potente, as velocidades em reta bastante impressionantes, mas é necessário conter as vibrações, equilibrar a aerodinâmica diferente (tração e motor dianteiros) e recuperar mais energia. Ver nas câmeras onboard os pilotos parados nos boxes dentro do cockpit à espera de poder acelerar chegou a dar pena.

No mais, até o pódio do ator Patrick Dempsey na GTEAm ajudou a fazer a edição sensacional e marcante. Uma só Corvette foi capaz de dominar a GTEPro e a Oreca comemorou a estreia vitoriosa de seu LMP2. Mais do que nunca, presenciou-se um sprint de um dia inteiro, que premiou a eficiência e a preparação meticulosa. E ficou a certeza de que a modalidade vive um momento histórico, que ainda se tornará mais especial ano que vem, quando Chip Ganassi terá a chance de comandar o esquadrão da Ford com seus GT. Para a alegria de quem sabe que, cada vez mais, tecnologia, emoção e espetáculo não estão apenas no circo.

As 24h e mais um bocado de coisa boa (agenda)

Comentei no post passado e não seria diferente na agenda: fim de semana de 24h de Le Mans praticamente deixa em segundo plano todo o resto, ainda mais sem a coincidência tradicional com a F-1, o que, aliás, permitiu a Nico Hulkenberg retomar a tradição de correr nas duas categorias em um mesmo ano. Serão 1.440 minutos de ação interminável, com oito carros lutando pela vitória geral e vários outros pelos louros nas respectivas classes, sem contar estreias como a da Nissan, que independentemente do resultado se transformou numa grande ação de marketing e angariou simpatia de muitos fãs da velocidade, apesar de todos os problemas e dificuldades. Lucas di Grassi (Audi LMP1), Pipo Derani (Ligier LMP2) e Fernando Rees (Aston Martin GTE Pro) formam a representação brasileira, muito menor do que o merecido, e lógico que fica a torcida por bons desempenhos num evento cada vez mais intenso e que não perdoa erros ou distrações. Se o clima permitir, poderemos ver novos recordes, como o da distância percorrida, esmagados, como já foi o da pista da Sarthe.

E no Brasil a modalidade se mexe, graças à incansável iniciativa dos gaúchos, que proporcionaram a criação da Copa Brasil e conseguiram levar, a Guaporé, máquinas de vários outros estados, GTs, protótipos e carros de turismo dispostos a mostrar que podemos retomar os tempos de vacas gordas, de Mil Milhas e inúmeros exemplos de criatividade e talento, seja ao desenvolver novos modelos, seja no volante. Como bem brinca a gauchada, é o BLMS, de Bagual Le Mans Series, termo mais sulriograndense impossível. E que os ventos da recuperação subam e retornem ao Sudeste e ao Centro-Oeste, onde é possível fazer tão bem feito quanto, desde que haja vontade e apoio. Mais o segundo que o primeiro, aliás.

Internacional

Mundial de Endurance (FIA WEC): terceira etapa – 24h de Le Mans

Mundial de Rally (WRC): sexta etapa – Rally Italia Sardegna

Mundial de Motociclismo: sétima etapa  – GP da Catalunha (Montmeló)

World Series Renault 3.5: quinta etapa – Hungaroring

Renault Sport Trophy: segunda etapa – Hungaroring

Europeu de F-Renault: terceira etapa – Hungaroring

Verizon Indycar Series: oitava etapa – GP de Toronto

Nascar Sprint Cup: 14ª etapa – Quicken Loans 400 (Michigan)

Nascar Xfinity Series: 13ª etapa – Great Clips 250 (Michigan)

Nascar Camping Truck World Series: 8ª etapa – Driving for Linemen 200 (Gateway)

Nacional

Copa Brasil de Endurance (Gaúcho): primeira etapa – Guaporé

Brasileiro de F-Truck: quarta etapa – Velopark

Brasileiro de Rally Cross Country: Rali Cuesta Off-Road (SP)

Mineiro de Kart: quinta etapa – RBC Racing (Vespasiano)

Na telinha

Sábado

7h35        Mundial de Motociclismo (GP da Catalunha)    treinos oficiais   Sportv

Domingo

6h            Mundial de Motociclismo (GP da Catalunha)             Sportv

13h          Brasileiro de F-Truck (etapa do Velopark)                 Band

14h          Nascar Sprint Cup: etapa de Michigan                       Fox Sports 2