De marmotas e regras (Coluna Sexta Marcha – GP do Canadá)

Já que a ação na pista foi muito abaixo da desejada – o principal duelo entre Lewis Hamilton e Nico Rosberg se deu pelo rádio, bem mais do que no asfalto – o jeito foi falar do que houve de diferente ao longo das 70 voltas, bem como do que essa dominação das Mercedes provoca em termos de buchicho nos bastidores. Como se não tivesse sido o caso com McLaren, Williams, Ferrari, Red Bull… Muito se fala, mas eu pelo menos espero que grande parte do que vem sendo proposto não entre em vigor, ou logo a F-1 se tornará uma GP2 anabolizada, e não mais a principal expressão do esporte a motor.

De marmotas e regras Marmota. Roedor da família Scuridae (tribo dos Marmotini) que vive no Hemisfério Norte e se alimenta das ervas dos campos que costuma habitar. E principal personagem do GP do Canadá, já que foi quem trouxe algo de incerteza e surpresa às 70 voltas pelo Circuito Gilles Villeneuve. Que Sebastian Vettel ou Felipe Massa (foto, E) que nada, a estrela do domingo foi o pequeno quadrúpede, que mostrou-se mais rápido que a McLaren (e sem DRS ou recuperação de energia) para se esquivar do brasileiro e do pelotão furioso.

Ninguém foi entrevistar a simpática criaturinha, pelo que é arriscado afirmar se se trata de uma Marmota marmota ou de uma Marmota monax. Marmota vancouverensis não deve ser, ou teria atravessado todo o país para chegar a Montreal. Mais provável que seja uma Marmota olympus, já que gosta de um esporte. Ao menos teve mais sorte do que o cervo abalroado pelo sueco Stefan Johansson nos treinos para o GP da Áustria de 1985, em Zeltweg – mostra de que por vezes o homem e seus pedaços de asfalto acabam invadindo território alheio. Aliás, pelo que meus parcos conhecimentos biológicos dão conta, marmotas e a F-1 têm muito em comum: ambos tinham a Europa como principal habitat, até preferirem ganhar novos territórios.

Dito isso, o domínio incontestável das Mercedes – e o que se viu num dos cenários mais sensacionais da temporada foi o restabelecimento da verdade da pista – pôs em polvorosa os que discutem o futuro da categoria. O Grupo Estratégico malhado por Bernie Ecclestone se diverte propondo mudanças nas regras que teriam por princípio embaralhar as cartas em “La Maxima” (como dizem os argentinos) a partir de 2017, mas chovem no molhado.

De que adianta trazer de volta os reabastecimentos e tirar, dos pilotos, o desafio de administrar o comportamento dos carros em condições diferentes de peso? Ou deixar a cargo das equipes a escolha dos compostos de pneus por GP e, em caso de avaliação equivocada, a conta por eventuais furos ser debitada do fornecedor? Já afirmei, neste espaço que, em alguns casos (e o Canadá é um deles), o DRS sequer deveria ser usado, já que ultrapassar e ser ultrapassado se tornam manobras inexoráveis – e eu nem me refiro especificamente às McLarens, do amador Alonso e do resignado Button.

Usar novamente pneus mais largos na traseira, aumentar o diâmetro das rodas e o ronco dos motores até vai, mas a F-1 não é lugar para inverter grid, abusar de safety car ou forçar artificialmente o espetáculo. Marmotas na pista, então, nem pensar…

Aleluia Finalmente, depois de seis GPs de cores imaculadas, a Manor conseguiu seu primeiro patrocínio, e bastante graças à presepada arranjada por Romain Grosjean, o retorno de imagem foi melhor que o esperado. Aliás, a sacada publicitária foi genial: unir o time mais modesto do circo a uma empresa que tem por objetivo… fazer o viajante economizar ao se hospedar em residências (o Airbnb.com). Estou para dizer que, se Will Stevens, Roberto Merhi, engenheiros e mecânicos trocassem os hotéis cinco estrelas pelo produto que oferecem, o reforço no orçamento seria considerável…

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