Carta de amor a Le Mans…

Estamos em semana das 24h de Le Mans. E que as outras categorias e provas me perdoem, mas a movimentação proporcionada na pequena cidade francesa é especial, única, diferente e incomparável. E olha que quem diz isso já teve a chance de acompanhar in loco uma edição das 500 Milhas de Indianápolis, com todo o seu gigantismo, e ainda ficou a sensação de que o evento da Sarthe é superior, nem tanto pelo tempo de pista.

Le Mans é mistura de traçado permanente com estradas abertas; são trechos como retas e curvas com nomes que provocam arrepios mesmo ao mais insensível fã. Que atire a primeira pedra quem nunca pensou em estar ao lado da Maison Blanche; das curvas Porsche, de Hunaudiéres, ver a ponte Dunlop. Quem não se arrepiou ao ver Steve McQueen a bordo de sua Ford GT40 num filme que mostra que a ação no asfalto é apenas uma parte de um todo muito maior, pulsante, vivo, incapaz de sucumbir à modernidade, embora hoje a prova seja a expressão máxima da tecnologia sobre quatro rodas. Uma história de homens, não só os que desafiam o risco flertando com os 400km/h (ou no caso do francês Roger Dorchy, em 1988, superando a marca, com 402km/h) em meio a retardatários, mas também daqueles (e daquelas) que têm a missão de comandar verdadeiras armadas, em que cada mecânico é tão ou mais importante do que quem vai ao volante.

Uma história também de marcas, não uma meia dúzia delas, mas mais de uma dezena: Bentley, Talbot, Matra, Porsche, Audi, Mazda, Ford (que vai voltar ano que vem), Ferrari, Rondeau, BMW e Mercedes, apenas para ficar entre as vencedoras. E também daquelas que perseguem o sonho como um graal – Toyota, Nissan, Honda, Panoz, só para citar algumas. Curiosamente, páginas que trouxeram pouca satisfação para os brasileiros, dos poucos territórios em que nossas cores ainda não foram ao alto do pódio.

Trata-se daqueles lugares de peregrinação a que todo fã da velocidade deveria ir ao menos uma vez na vida – está nos meus planos e espero que não demore – principalmente para sentir o cheiro que vem das barraquinhas de comida; passear na roda gigante, comprar bugigangas e presenciar um espetáculo que ganha as ruas da cidade. Enquanto a F-1 briga por novas equipes, discute formas de melhorar o espetáculo, o Mundial de Endurance chega à Sarthe com quatro montadoras na LMP1, a Ford retornando com seu GT em 2016 e outros times e fabricantes à espreita. Nada de mesmo propulsor e margem de inovação restrita – se alguém considera que um protótipo com motor dianteiro e rodas da frente maiores que as de trás pode brigar pela vitória, que assim seja. E um conceito muito mais inteligente: o de volume de energia. De que forma é obtido, pouco importa.

Só mesmo Le Mans e seus mais de 13 quilômetros percorridos exaustivamente, dia e noite, são capazes de desmentir prognósticos. A Toyota era favorita ano passado, e venceu a Audi. A Porsche chega mais forte este ano, e não há garantia de que voltará a dominar. Especialmente quando se tem não uma prova de resistência, mas um sprint constante de 24 horas. Podem ter certeza de que, embora muito mais coisa aconteça nos próximos dias, as atenções estarão voltadas para um pedaço mágico de terra e asfalto na França…

                   Fotos: ACO Officiel/24h Le Mans/divulgação

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