Porque quem devia fazer não faz…

O belo espécime da foto, você há de ter notado, é um Fiat Uno duas portas preparado para os campeonatos regionais de Marcas e Pilotos, sob o regulamento 1.600cc. Desenvolvimento pelo mineiro Gustavo Mascarenhas – piloto de Curvelo que vai ganhar um circuito em casa – com a ajuda de quem sabe fazer bem feito na área, seja nas Minas Gerais, no Rio Grande do Sul ou em São Paulo. Um vento de renovação num panorama em que prevalecem modelos antigos, como Gol (bolinha), Palio e Corsa.

E esse é justamente o mote para o post. Especialmente num momento em que as vendas despencaram vertiginosamente, a concorrência se tornou maior e mais agressiva e a paixão pelo automobilismo está mais viva do que nunca, nenhuma montadora se digna a pelo menos desenvolver versões de competição de seus modelos mais populares. Não estou falando em criar copas monomarca ou investir milhões em ações de marketing, apenas em usar a experiência dos departamentos de engenharia e desenvolvimento de produto para sugerir os pontos da carroceria a ser reforçados, o desenho mais seguro e menos pesado da gaiola de proteção; os mistérios e segredos do motor capazes de render alguns cavalinhos a mais. E pensar que vários modelos (o Palio é o melhor exemplo) se beneficiaram muito do que foi testado e aprendido na pista ou nos ralis. Numa das minhas andanças ouvi contarem que um piloto, para criar a estrutura de aço que protegeria seu Gol… se baseou no projeto do Palio, como se morango e banana fossem a mesma coisa. Aí fica inclusive perigoso…

E eu poderia fazer uma lista de modelos que ficariam muito bem vestidos para acelerar, sem gastos absurdos ou revoluções no projeto. Peugeot 208, Citroën C3, GM Onix e Prisma, VW Up, Honda Fit (sim, há uma versão de rali dele nos EUA e na Austrália), Toyota Etios, Chery Celer, JAC J3, Renault Logan ou Sandero (os dois estão homologados na Europa), Ford New Fiesta e Ka, Fiat 500 e Palio (o atual) apenas para ficar nos compactos.

Para algum desses modelos ganhar as pistas ou especiais, só mesmo iniciativas particulares, de quem resolve ir à luta e fazer por conta própria o que as fábricas poderiam, mas não fazem. E não seria uma má ideia voltar a produzir versões de competição “oficiais” vendendo-as por preços subsidiados a quem se comprometer em usá-las em campeonatos, talvez até por meio das financeiras ligadas às montadoras. Comprar 20 bancos e cintos, 80 rodas e produzir 20 gaiolas sai bem mais barato do que fazer isso individualmente, do próprio bolso. Pena que quem tem o poder não acredita nisso ou, se acredita, esbarra nas restrições e burocracias paquidérmicas das grandes corporações, que deram as costas para o que as ajudou a vender muitos carros. O jeito é contar com mais Gustavos, ou se acostumar com máquinas antiquadas e cansadas de tantas batalhas. Será que é tão difícil assim?

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