Mais perguntas que respostas – Coluna Sexta Marcha (GP da Áustria)

Coluna sobre o GP da Áustria publicada quase no GP da Inglaterra? Eu explico: na edição impressa do Estado de Minas saiu na terça-feira pós-corrida, como de costume, mas a semana tinha outros assuntos interessantes e, acima de tudo, o texto abaixo fala menos do que ocorreu no Red Bull Ring, e mais do incerto futuro da categoria, que tenta se reinventar para manter a atratividade e o carisma entre os fãs. O que, com corridas como a passada, fica difícil, especialmente quando eventos como as 24h de Le Mans, com um regulamento bem mais livre e um formato próximo do torcedor, vem conseguindo fazer com sucesso bem maior. Difícil é acreditar que as coisas mudarão em Silverstone…

                     Mais perguntas que respostas

Então vimos um GP em que as duas mudanças dignas de nota se deram com uma largada melhor que a de quem ia à frente e uma porca de roda recalcitrante. E as 71 voltas pelo Red Bull Ring, que também é Spielberg e também é Zeltweg, ajudaram a exemplificar o grande dilema da Fórmula 1 atual. Como pensar em ganhar audiência, sobreviver num mundo cada vez mais virtual de mais opções e ampliar a base de fãs se não temos a) um piloto não só diferenciado, mas que flerte com a condição de mito; ou b) batalhas dignas das que marcaram, por exemplo, a prova do Barein ano passado? Não por acaso pilotos, equipes, organizadores e promotores, agora reunidos no tão falado Grupo Estratégico, tentam (sem sucesso, por enquanto), encontrar modos de responder às expectativas e conciliar o que parece impossível. Concordo com Bernie Ecclestone quando diz que 800 pessoas para desenvolver dois carros de corrida são um absurdo injustificável, mas discordo de sua sanha implacável de levar a categoria para destinos ‘exóticos’ como o Azerbaijão, só porque lá há dinheiro para bancar o circo, o que não é o caso da Alemanha, por exemplo. Com o perdão do trocadilho infame, ninguém conseguiu até agora encontrar uma fórmula que aponte para um futuro interessante. Propostas há, e muitas, algumas até discutidas neste espaço, mas não há como agradar a gregos e troianos. As equipes da segunda metade do grid vivem situação financeira complicada, e de repente alguém quer trazer de volta o reabastecimento, com todos os custos que ele implica. Os testes em pista são considerados caros, mas gasta-se (quem pode, lógico) fortunas nos túneis de vento e simuladores. Os pilotos gostariam de correr sem amarras – nada de economizar combustível e pneus – mas foi o próprio vencedor de domingo, Nico Rosberg (foto), a lembrar que o pai, Keke, já fazia isso, e outros antes dele. Ou será que ser um grande piloto não inclui gerir as condições do jeito que estão e tirar delas o melhor possível?

Lógico que o fã adorará ver máquinas ainda mais rápidas e barulhentas, mas vai muito além disso. Ele gostaria de ser parte do espetáculo, ver a movimentação de perto, pagar ingressos razoáveis, estar próximo das estrelas. E a vitória de Nico Hulkenberg nas 24h de Le Mans abriu os olhos de muita gente para um fenômeno significativo. A principal prova de endurance do planeta não tem ultrapassagens constantes, muito menos DRS para ajudar, e cada construtor escolhe o pacote que melhor lhe convenha desde que respeite as restrições do regulamento. Mas a pista francesa foi invadida por uma multidão e muita gente boa do circo cresceu os olhos para a possibilidade de repetir o feito do titular da Force India. Tudo bem que é utopia acreditar que, quaisquer que sejam as regras, haverá apenas GPs emocionantes, duelos de prender no sofá diante da TV e temporadas decididas na última volta da última etapa. E já comentei que não acredito em artifícios como inversão de grid, lastro para os mais rápidos ou coisa do gênero, já que acabariam desnaturando a F-1. Mas que está passando da hora de começar a dar respostas concretas às perguntas, não resta dúvida…

Coitada da porca Então o já folclórico Maurizio Arrivabene resolveu creditar a perda do pódio de Sebastian Vettel à porca de roda “estúpida” que não quis sair. Não chego ao extremo de dizer que a frase merece o mesmo adjetivo, mas fico pensando que ninguém praguejou o aparelho de reabastecimento que não quis sair do carro de Felipe Massa em Cingapura’2008 e custou ao brasileiro o título daquele ano – o dirigente ainda não mandava, mas era o representante do patrocinador na escuderia. E antes de falar qualquer coisa Arrivabene deveria prestar mais atenção ao atravessar o pitlane, pois quase acabou atropelado pelo brasileiro nos treinos da sexta-feira.

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