Cartão vermelho para os cartões amarelos – Coluna Sexta Marcha (GP da Hungria)

*** Se sobrou emoção e incerteza em Hungaroring, com a improvável mas merecida vitória de Lewis Hamilton, as 427 punições antes e durante da corrida (exageros e brincadeiras à parte) passaram um bocado do limite. E a coluna, tal qual foi publicada na edição impressa do Estado de Minas, questiona justamente esse excesso de zelo, que traz consigo o risco de estragar o espetáculo. Calhou de o comissário convidado em Budapeste ter conversado com este que vos escreve justamente sobre o tema – isso foi em 2012, mas continua atual e revelador, como mostram as linhas abaixo…

Cartão vermelho para os cartões amarelos

Começo com um número do GP da Hungria, domingo. Quinze. Se o leitor acha que me refiro ao total de ultrapassagens, abandonos ou mudanças na liderança ao longo das 70 voltas, se engana. Esse foi o montante de punições aplicadas durante o fim de semana, e olha que ninguém perdeu posição no grid por ter trocado um dos componentes da unidade de potência além do permitido pelas regras. E se o ideal seria louvar uma corrida que acabou sendo muito mais movimentada do que o esperado para o carrossel do Hungaroring, não dá para ignorar o tiro no pé que a Fórmula 1 se dá ao insistir num regulamento tão rígido. 

Sim, porque não é permitido passar com as quatro rodas fora dos limites da pista; arriscar uma manobra se o seu desfecho não for isento de toques ou mesmo defender a posição com qualquer coisa além de uma mudança de posição (nem uma e meia). Passe do limite e lá estão Charlie Whiting, os comissários titulares e o piloto convidado implacáveis, diante de dezenas de monitores de TV que mostram vários ângulos de todos os pontos da pista. E que boa coincidência o fato de ter sido o italiano Emmanuele Pirro, tricampeão das 24h de Le Mans e dono de um currículo interessante no circo, por Benetton e BMS Dallara, o comissário convidado em Budapeste. Porque há três anos, na etapa brasileira do Mundial de Endurance, em Interlagos, foi justamente com ele que conversei sobre o tema. Quis saber se determinadas decisões não poderiam torná-lo antipático entre os pares, ou se não seriam exageradas diante dos fatos. Lembro-me perfeitamente das palavras do simpático romano, piloto com P maiúsculo. “Não tomo decisões sozinho, somos em quatro, pelo menos, e sempre levamos em conta o que está escrito no regulamento, não se é popular ou polêmico. Há espaço para o bom senso, mas ele não pode se sobrepor a algo que pilotos e equipes sabem que é proibido, passível de punição”. Muito bem, mas então é de se questionar se o calhamaço de artigos que compõem as regras esportivas não está gastando linhas em excesso com algo que estraga o espetáculo. Valesse na F-Indy dos tempos de ouro e a antológica ultrapassagem de Alex Zanardi sobre Bryan Herta no sacarrolhas de Laguna Seca teria sido punida com três paradas nos boxes e uns 30 segundos adicionados ao tempo total, no mínimo. E essa história de punir uma infração de dois ou mais modos? Alguém usa o quinto motor, perde 10 posições no grid mas, como na prática só perderá três ou quatro, tem que pagar cinco segundos em seu primeiro pitstop. Fácil, né? E depois Bernie Ecclestone e os times reclamam que a categoria vem perdendo audiência, espaço. Está certo que não deve ser um vale tudo, que é preciso conter excessos, seja de agressividade, seja de gastos. Mas é bom começar a pensar num sistema alternativo, já que, quando o espetáculo não for tão bom quanto o de domingo, é só dessa farra de cartões amarelos que se falará.

Genio e sregolatezza É como os italianos se referem a alguém que tem um talento bem acima da média, mas acompanhado de uma imensa irresponsabilidade. E serve bem para definir Lewis Carl Hamilton e explicar por que ele ainda não pode ser içado ao mesmo nível de Ayrton Senna, Alain Prost, Michael Schumacher ou mesmo de Fernando Alonso e Sebastian Vettel. A reação à largada abaixo da crítica foi de alguém com uma força psicológica ínfima, não de um bicampeão mundial. E o arrojo na tentativa de recuperar posições indigno de quem sabe que é superior aos demais (principalmente ao companheiro de equipe Nico Rosberg). Olha que Vettel e Rosberg podem não ter condições de vencer o Mundial. Mas Hamilton pode perfeitamente perdê-lo.

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O caso Cacá Bueno e o exagero na pena…

Polêmicas, sempre elas. A mais nova envolve a confirmação, pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva da Confederação Brasileira de Automobilismo, de Cacá Bueno da etapa de Curitiba, como punição pelos comentários direcionados à direção de prova em Ribeirão Preto, devido às medidas tomadas (ou não tomadas) quando liderava a corrida, deveria ter recebido a bandeirada de vencedor e, por um cochilo de quem deveria estar no lugar certo na hora certa, nada viu na linha de chegada. Seguiu acelerando e, como estávamos num circuito de rua, encontrou pela pista mecânicos, fiscais e carros de serviço trabalhando, como aliás podem trabalhar sempre que a disputa está encerrada. Irritado, o pentacampeão vociferou toda a sua indignação pelo ocorrido com a equipe, via rádio. Conversa que foi pescada e mandada ao ar, ganhando dimensão ainda maior.

Eu bem podia querer esculachar um dos lados, ou os dois, mas me parece daqueles casos em que ambos estão errados e, ao mesmo tempo, têm uma certa razão. Explico.

É inconcebível deixar de mostrar a sinalização mais importante de uma prova automobilística, em que circunstância for. Lembro-me bem do ano em que Pelé foi convidado para dar a bandeirada no GP do Brasil de Fórmula 1 e, por uma falta de coordenação e planejamento, chegou ao posto quando Michael Schumacher já havia passado. Você pode até dizer então “ah, mas ocorre na principal categoria do automobilismo mundial”. Sim, e não. Na hora a direção de prova, pelo rádio, informou à Ferrari, que informou ao piloto que a corrida havia efetivamente chegado ao fim. E na F-1, como em outras categorias internacionais, há uma espera de minutos até que a pista seja liberada para a retirada de carros avariados, até mesmo para não estragar a consagração do vencedor. Schumacher não correu qualquer risco, nem teve muito tempo para pensar que poderia restar uma volta, ou mais. E sobre usar as conversas de rádio para filtrar eventuais críticas ou atitudes antidesportivas, é louvável, desde que se garanta que todos os carros no grid estão sob vigilância, o que eu duvido muito. Dificilmente a direção de prova da Stock tem como monitorar todas as conversas de todos os pilotos. E quem gosta da velocidade vive pedindo que os pilotos tenham personalidade, digam o que pensam, não sejam vaquinhas de presépio teleguiadas.

Por outro lado, não dá para pensar que uma categoria tão importante seja a casa da mãe Joana, em que se fale tudo diante do público. Até mesmo porque a polêmica ajuda a vender, a Nascar é, por assim dizer, permissiva quanto a isso. Pune sim, mas de uma forma que não atrapalha o espetáculo. E olha que estamos falando de coisa muito pior, como troca de sopapos nos boxes, toques propositais, de vingança, ou discussões entre pilotos por meio da mídia. Multa-se, tira-se pontos do piloto e da equipe e vamos em frente. Especialmente porque a atitude de Cacá nada teve de agressiva com os pares, não representou qualquer risco ou ameaça a um concorrente. Até mesmo como forma de disciplinar as conversas, a multa ficaria de bom tamanho, no máximo uma advertência pública. Tirar da etapa de Curitiba ficou pesado, e felizmente ele não se intimidou diante disso, que é o perigo maior. E quando podíamos falar de tudo de bom que a Stock proporciona, perdemos tempo e espaço comentando briguinhas e trocas de farpas, batalhas de egos inflados.

A quem ache que o piloto age assim por ser filho de quem é, ou se achar intocável, posso garantir que não é o caso, do pouco que o conheço pessoalmente e em ação. Cacá é batalhador de brigas boas, pensa no coletivo, não apenas em si próprio e, com a experiência de quem acelerou e acelera bons anos lá fora, tem autoridade para cobrar estrutura, seriedade, profissionalismo. A 200km/h realmente tudo fica muito mais perigoso, assustador, potencialmente arriscado, e ninguém gostaria de estar na pele dele em tal situação. Se a CBA quiser se manifestar sobre o assunto, o blog divulga. Enquanto isso, vai a carta publicada pelo piloto sobre o incidente para ajudar o leitor a se posicionar na confusão. Só não reproduzo a foto do carro danificado, que é a citada por ele, para não por mais lenha na fogueira…

   

Hoje me sinto como meu carro nesta foto, destruído, agredido. Mas assim como nessa corrida onde por incrível que pareça ainda marcamos pontos, não será dessa vez que vou desistir, aliás não sei o que é desistir

Continuo achando um absurdo usarem uma conversa privada com minha equipe sem ser na íntegra como se fosse uma entrevista ou declaração e ainda mais a CBA usar isso para pedir 6 corridas de suspensão e 100 mil reais de multa e pessoas de gravata que nunca sentaram num carro de corrida e parecem não conhecer seus riscos acharem justo eu ter que pagar 50 mil e ficar de fora de 2 corridas de um fim de semana

Lembrando que foram 4 acidentes com mortes na Stock Car do ano 2000 para cá e que não faz nem uma semana que o automobilismo chorou a morte de um piloto que acertou um trator na pista com bandeira verde

Lembrando também que me deixaram em corrida a 200km/h num circuito de rua e molhado, com mecânicos cruzando a pista e carros e equipe de resgate entrando na pista também. Continuo não achando isso inteligente mas nunca tive a intenção de ofender ninguém nem o fiz, apenas desabafei de forma privada

Ouvi muita besteira de gente que acha que entende de corrida mas está nas regras que a única forma de a direcão de prova se comunicar com os pilotos é através de bandeira e que pelo CBJD os responsáveis por não encerrar uma competicão no momento certo deveriam ser multados e suspensos. Mas eles preferiram suspender o atleta por ter ficado indignado pelo risco que lhe foi imposto

Nunca ficarei calado e nem deixarei de ficar indignado pela falta de segurança no nosso esporte, pela luta da manutenção dos nossos autódromos e pela criação e suporte as categorias de base e mão de obra, coisas que acho que a nossa confederação deveria depositar sua atenção.

Voltarei ainda mais forte e ainda incomodarei muita gente

O primeiro carro da Haas F-1 é um…

Fuça daqui, procura dali, e ao ler a notícia da inauguração das novas instalações da Haas Automation em Portugal, descobri que Gene Haas não só tem aproveitado cada ocasião para mostrar que sua nova escuderia avança a passos largos, como, nesta, fez questão de mostrar um showcar, um primeiro modelo, digamos “concreto” de uma iniciativa que, por enquanto, tinha sede, cara e logomarca, mas nada que sequer lembrasse um monoposto de competição.

E se há laços estreitos com a Ferrari, poderia ter sido perfeitamente um modelo de Maranello recondicionado (pensando bem não, já que a turma da Scuderia não gosta muito deste tipo de descaracterização), mas, sabe que máquina é? Sim, uma olhada atenta mostra que o empresário e bilionário norte-americano é o feliz proprietário… do Toyota TF110, a máquina do time japonês sediado em Colônia que só foi à pista nos primeiros testes da Pirelli, quando a ideia era usar equipamento que não favorecesse ninguém. Que foi mostrada no blog e, por um certo momento, chegou a ser o carro com que o misterioso Zoran Stefanovic planejava sua entrada no circo, com a Stefan GP.

Veja na imagem como as saídas de escapamento estão localizadas nas laterais, algo que era permitido na época, e hoje não é mais. Lógico que inconcebível acoplar o chassi desenvolvido pela turma de Pascal Vasselon com o V6 “made in Maranello”, mas é mais um passo de um projeto cada vez mais sério. E, mais legal, uma chance de tirar de uma sala empoeirada uma bela máquina que apareceu bem menos do que merecia.

Agenda quente…

O leitor habitual do blog haverá de ter notado que a semana foi meio pobrinha de posts, não por falta de assunto, mas porque eu resolvi pôr outro lado da paixão em ação e me vi tocando um projeto que não é dos mais fáceis, mas felizmente sairá do papel – na semana que vem eu conto o que é e mostro que você também pode colaborar. O importante é que o ritmo das postagens volta a ser veloz como sempre, a começar pela agenda que marca o retorno da F-1, GP2 e GP3 na fornalha de Hungaroring. Sim, amigo, verão lá é quente também, e o preparo físico dos pilotos será duramente posto à prova – talvez por isso o triatleta Jenson Button, embora longe de ter um carro decente, esteja tão animado e otimista.

Em Spa-Francorchamps, é a vez de mais uma edição das 24h (na foto a Audi R8 LMS com o pole, Frank Stippler), reservadas aos GTs, com destaque para a participação do BMW Team Brazil e para o Z4 de um trio que conta com Alessandro Zanardi, Timo Glock e Bruno Spengler. O detalhe é que a casa de Munique conseguiu desenvolver comandos que servem tanto para o alemão e o canadense, quanto para o italiano que, como você sabe, não conta com as duas pernas e depende de uma série de adaptações. E não tem desconto, a briga é de igual para igual com os demais 57 inscritos. Sempre interessante de acompanhar e curtir.

Do lado de cá de Greenwich temos mais uma edição da Brickyard 400, a visita anual da Nascar a Indianápolis, que nunca foi emocionante, mas vale pelo significado do encontro entre a principal categoria dos EUA e o oval mais famoso do mundo. Definitivamente as 2,5 milhas não casam com as berlinas. E já tivemos, no meio de semana, evento bem mais divertido e interessante, que foi a festa da Camping World Truck Series no oval de terra de Eldora, quando vários pilotos (entre eles o campeão Brad Keselowski) se reencontram com o piso de suas primeiras corridas, ainda meninos

Internacional Mundial de Fórmula 1: 10ª etapa – GP da Hungria GP2: sexta etapa – Hungaroring GP3: quinta etapa – Hungaroring Blancpain Endurance Series: quarta etapa – 24h de Spa-Francorchamps Nascar Sprint Cup: 19ª etapa – Brickyard 400 (Indianápolis) Nascar Xfinity Series: 18ª etapa – Lilly Diabetes 250 (Indianápolis) Nascar Camping Truck World Series: 11ª etapa (Eldora) Tudor United Sportscar Championship: sétima etapa – Lime Rock Global Rallycross Championship: quarta etapa – Detroit

Nacional Brasileiro de Kart (segunda fase): Velopark (RS) – categorias Graduados, Novatos, Sênior A, Sênior B, Super Sênior, Super F-4 e Sudam Júnior Moto 1000 GP (Brasileiro de Motovelocidade): quarta etapa – Campo Grande (MT)

Na telinha Sábado 6h Fórmula 1: GP da Hungria (treino livre) Sportv 9h Fórmula 1: GP da Hungria (treino oficial) Sportv/Globo (*) (*) Q2 e Q3 10h35 GP2: etapa da Hungria Sportv 16h30 Nascar Xfinity Series: etapa de Indianápolis Fox Sports 2

Domingo 4h GP3: etapa da Hungria Sportv 5h30 GP2: etapa da Hungria Sportv 9h Fórmula 1: GP da Hungria Globo 16h30 Nascar Sprint Cup: Brickyard 400 Fox Sports 2

O curioso destino de um autódromo famoso…

A notícia, divulgada pela imprensa portuguesa, chamou a atenção, e merece ser reproduzida pelo blog. Logicamente que o leitor conhece o Autódromo do Estoril, em Portugal – talvez não saiba que ele se chama Fernanda Pires da Silva, mas isso importa menos – palco da primeira vitória de Ayrton Senna no Mundial de Fórmula 1 e que, em meio a altos e baixos, incluindo a construção do complexo “rival” de Portimão, no Algarve, sobrevive de forma bastante promissora.

Pois eis que, pela soma de 4,92 milhões de euros (cerca de R$ 15 milhões), o controle sobre o complexo está mudando de mãos. A sociedade entre o Governo de Portugal e um grupo de investidores que comanda o circuito desde 1997 passa às mãos… da Câmara Municipal de Cascais, vejam só. E ninguém gritou pelo pretenso uso de dinheiro público, do contribuinte, ou veio com aquela história de “bom, mas tal recurso ficaria muito melhor se aplicado na educação ou na saúde, que lá também custam e demandam”. Isso por um motivo bastante simples: depois de tempos bicudos, 2015 começou com lucro e uma perspectiva de aproveitamento do espaço sem precedentes nos anos anteriores. Seja com as provas internacionais – ELMS, International GT Open; seja com os campeonatos nacionais sobre duas ou quatro rodas; pelas escolinhas de pilotagem e eventos de “race experience”; e também pelos inúmeros testes de que a pista se tornou palco pela localização privilegiada e pelas condições favoráveis. E quem falou que autódromo precisa ser elefante branco, ou precisa viver no vermelho?

Curiosa agenda curtinha…

Eis que chegamos ao meio do ano, período oficial de férias (escolares, ao menos), tanto no nosso hemisfério quanto no de cima, e a lista de eventos do fim de semana da velocidade é curiosamente curta. Bem verdade que países como Itália e Espanha costumam preservar este período, quando muita gente viaja e acaba ficando distante das pistas, mas, num panorama de tantos campeonatos e séries,  não deixa de chamar a atenção, considerando que em tantos outros finais de semana o que não faltam são corridas. Felizmente é pouco mas é bom – e há de se ressaltar aqui o acerto na decisão de adotar sede única para o Brasileiro de Kart, como no ano passado (agora no Velopark de Nova Santa Rita). Começa com os pequenos, a Sudam, a Shifter e a F-4 Graduados.

Internacional

Verizon Indycar Series: 13ª etapa – GP de Iowa

Nascar Sprint Cup: 18ª etapa – 5-Hour Energy 301 (Loudon)

Nascar Xfinity Series: 17ª etapa – Lakes Region 200 (Loudon)

Superformula (Japão): 3ª etapa – Fuji

Nacional

Brasileiro de Kart: categorias Mirim, Cadete, Júnior, Júnior Menor, Shifter, F-4 Graduados e Sudam – Velopark

Na telinha

Sábado (18)

17h           Nascar Xfinity: etapa de Loudon

Domingo (19)

14h30       Nascar Sprint: etapa de Loudon

Eles têm o kart, mas também têm este aqui…

O kart, o leitor deve saber, surgiu nos anos 1950 nos EUA, com a ideia de ser um veículo de competição simples e ao mesmo tempo exigente, que servisse como escola para saltos mais altos no automobilismo – dá para dizer que 8 entre 10 pilotos das categorias de ponta passaram por ele. O que você talvez não saiba é que também na terra do Tio Sam, e ainda antes, outro carrinho ganhou destaque e passou a ser a opção dos outros dois entre os 10, o Quarter Midget, destinado à galerinha entre os 5 e 16 anos.

O carro tem este nome não por acaso, já que suas dimensões são 1/4 das de um midget “de gente grande”. O chassi é tubular em aço, com proteção inclusive para a cabeça; banco e cintos de competição. Os motores são estacionários, tais quais os usados em cortadores de grama, sopradores de folhas e outros engenhos do tipo: Honda GX e Briggs Stratton Animal, de 120cc e 160cc, são normalmente usados. E os pneus são os americaníssimos Hoosier (palavra que, para quem não sabe, denomina os cidadãos de Indiana). A velocidade não passa dos 80km/h, algo bem razoável para um aprendizado que normalmente ocorre em circuitos ovais com, no máximo, 200m de extensão, de asfalto ou terra, provisórios ou permanentes.

               Honda HPD/divulgação

Entidades como o United States Auto Club (USAC) sancionam os campeonatos, com categorias conforme as faixas etárias e de peso. E os times são, na maioria, formados pelos próprios pais, que põem as mãos na graxa, ajudados pela simplicidade mecânica do conjunto. E se você acha que é coisa de americano, ou que não ensina como se deve, vale listar apenas alguns dos pilotos que deram suas primeiras aceleradas nos Quarter Midgets: Jeff Gordon, Joey Logano, Brad Keselowski, Bobby Labonte, assim como “um tal” de A.J Foyt. É mole ou quer mais? E bem que a ideia podia aportar por estas bandas, já que o que não faltam aqui são estacionamentos de shoppings e estádios que poderiam se transformar facilmente em pista…

O que não falta na agenda é corrida boa…

Turismo, endurance, fórmula, stock car, Moto GP… Basta observar a lista abaixo para notar que o fim de semana não está nada econômico em termos de corridas interessantes, felizmente sem grandes coincidências que roubem grids uma da outra. A exceção é a de WTCC e TCR – o primeiro é a atração principal do evento no traçado de rua de Vila Real, Norte de Portugal, daqueles circuitos que resistiram ao tempo e continuam atraindo público e a atenção dos pilotos, muito embora a margem de erro seja bem menor. A categoria caçula, por sua vez, integra o pacotão de provas no Red Bull Ring, com direito à estreia do VW Golf (foto) desenvolvido pelo departamento de competições da montadora alemã para se tornar opção para os times privados.

A Nascar vive mais uma rodada tripla, ainda sob efeito do gravíssimo e felizmente inócuo acidente com Austin Dillon em Daytona, mostrando que a estrutura de proteção nas pistas está próxima do ideal, embora sempre seja possível evoluir. Aliás, quem deu ótima ideia a respeito foi o inglês Justin Wilson, acostumado a acelerar nos ovais pela Indy, e que sugeriu que a torcida passasse a ocupar o espaço interno dos traçados, e o exterior tivesse proteção reforçada, tal como se faz nas quadras de hóquei no gelo, aproveitando a estrutura para fazer anúncios gigantescos. Ele próprio reconhece que ficaria bastante caro, mas é algo a se pensar.

Internacional

Mundial de Turismo (WTCC): oitava etapa – circuito de rua de Vila Real (POR)

Mundial de Moto GP: nona etapa – GP da Alemanha (Sachsenring)

Verizon Indycar Series: 12ª etapa – GP de Milwaukee

Europeu de Fórmula 3: sétima etapa – Zandvoort (HOL)

DTM: quarta etapa – Zandvoort (HOL)

European Le Mans Series: terceira etapa – Red Bull Ring (AUT)

TCR International Series: oitava etapa –  Red Bull Ring (AUT)

Renault World Series 3.5: quinta etapa –  Red Bull Ring (AUT)

Renault Sport Series: terceira etapa –  Red Bull Ring (AUT)

Europeu de Fórmula Renault: quarta etapa  Red Bull Ring (AUT)

Tudor United Sportscar Championship: sétima etapa – Mosport (CAN)

Nascar Sprint Cup: 17ª etapa – Quaker State 400 (Kentucky)

Nascar Xfinity Series: 16ª etapa – Kentucky 300 (Kentucky)

Nascar Camping Truck World Series: 10ª etapa – Unoh 225 (Kentucky)

V8 Supercars:  Townsville

Nacional

Brasileiro de Fórmula Truck: quinta etapa – Goiânia

Paulista de Rali de Velocidade: terceira etapa – Taubaté

Na telinha

Sexta-feira

Nascar Xfinity: etapa do Kentucky              Fox Sports 2

Sábado

7h30      Moto GP: GP da Alemanha (treinos oficiais)                    Sportv3

20h20   Nascar Sprint: etapa de Kentucky               Fox Sports

Domingo

6h    Moto GP: GP da Alemanha                                        Sportv

13h         Brasileiro de F-Truck: etapa de Goiânia              Band

As máquinas do WRC serão assim…

Você está vendo um esboço do que serão as máquinas da categoria principal do Mundial de Rali (WRC) a partir de 2017. Depois de muito elaborar sobre o tema e ouvir opiniões de pilotos, equipes, fábricas e organizadores, chegou-se à conclusão de que era necessário tornar os carros mais espetaculares, sem abrir mão da segurança. Algo como uma tentativa de voltar aos tempos de glória do Grupo B, sem que a integridade de pilotos e navegadores esteja em tamanho risco como na era do Audi Quattro; do Ford RS200; da Lancia Delta S4 e do Peugeot 205 T16.

Como a preocupação principal é de não gerar nova escalada de custos, muito menos a criação de protótipos sem qualquer vínculo com o modelo de rua, a ordem foi mexer em pontos específicos, sem revolucionar o que vem sendo feito. Assim, seguem os motores 1.600cc turbo, só que com menor restrição à entrada de ar, o que é sinônimo de mais potência (na casa dos 380cv). A aerodinâmica foi o aspecto que recebeu maior atenção: os carros poderão ser até 12 centímetros mais largos do que a carroceria de série – estamos falando das protuberâncias que acompanham os parachoques e recobrem as rodas. A asa traseira será bem maior do que as atuais e o extrator de ar será mais extensa. Com 25 quilos a menos na balança, a combinação promete ser sensacional e capaz de proporcionar um espetáculo à altura da tradição da modalidade. Considerando-se o trabalho feito com as categorias inferiores, que agora são denominadas, de R5 a R1 (a menos potente e mais próxima da produção em série), tem tudo para vir coisa boa por aí. VW, Toyota, Hyundai e Ford (M-Sport) já confirmaram que desenvolverão novos modelos, a Citroën ainda pensa, mas a coisa promete ficar boa…

Hora de abrir os olhos para a China…

Ano passado, chamei a atenção num post para a invasão russa nas pistas da Europa, proporcionada pelo dinheiro de sobra (não se questiona aqui as origens, mas normalmente de quem herdou serviços e empresas estratégicas dos tempos do comunismo, como bancos, petróleo e gás), o que hoje é mais do que uma realidade, para qualquer categoria que se olhe. Pois outra potência que até agora dava as costas para as pistas resolveu acordar, e vem com tudo. Falo da China, até agora representada por pilotos que tinham alguma ligação distante, mas normalmente nacionalidade dupla (ou oriundos de Hong Kong e Taipei). Agora não é mais o caso, embora também sobrem sobrenomes orientais antecedidos por nomes como Frank, James ou Henry.

Ma Qing Hua deixou de ser o folclórico e desconhecido reserva da finada Hispania para se tornar titular a tempo pleno da armada Citroën no Mundial de Turismo (WTCC). E tem feito bastante bonito para quem tem de medir forças com José Maria López, Sebastien Loeb, Yvan Muller, Tiago Monteiro e Gabriele Tarquini, entre os mais famosos. E não é só ele: a Europa recebeu uma invasão silenciosa da turma dos olhinhos puxados, disposta a tirar o atraso e aproveitar a quantidade para dela tirar a qualidade.

           Acisportitalia/divulgação

A Ferrari, que não é boba, já puxou para o seu Driving Academy “um tal” de Guan Yu Zhou, de 15 anos, que vem dominando de forma impressionante o italiano de F-4, com média de 26 a 28 carros por etapa. Na versão francesa da categoria de entrada para os monopostos está Ye Yifei. Zhang Dasheng, de 17, preferiu investir nas categorias de GT e é um dos protagonistas da Porsche Carrera Cup italiana. E no kart começam a despontar com bons resultados Zheng Jianian, Sun Yue Yang e Yifei Xia.

Sem contar o surgimento da F-Masters China, com os mesmos chassis Tatuus 010 da F-Abarth, que serviram de inspiração para os atuais F-4. Se a concorrência rumo ao topo já estava se tornando desleal, o que dizer agora que o país mais populoso do planeta se moveu e traz consigo o dinheiro das várias empresas que ganham espaço e marca própria (Lenovo e Xiaomi entre elas)? Não demora muito e teremos alguma escuderia com motores Chery ou Jialing (JAC). O resto do mundo que abra os olhos para a turma dos olhinhos fechados…