O interessante caso de Tom Dilmann

A história não é propriamente nova: piloto talentoso, mas sem dinheiro suficiente para seguir adiante, tem que suar sangue para seguir acelerando e contar com uma ajudinha da sorte. E abrir mão do sonho, cada vez mais raro e distante, de chegar à Fórmula 1, por mais que esteja, na teoria, no último degrau, de onde saíram Robert Kubica, Sebastian  Vettel, Daniel Ricciardo e Carlos Sainz. Com  vocês, o francês Tom Dilmann, 26 anos, cujas estórias são boas o suficiente para não serem contadas neste espaço.

          Tom é o do meio, cercado pela turma da Motopark

Tom é filho de Gerard Dilmann, piloto com P maiúsculo nas categorias de turismo em seu país, daqueles que encarava ralis, provas em circuito ou subidas de montanha com a mesma habilidade, como era bastante comum há algum tempo. Com 10 anos, se inscreveu numa corrida de carros de rolimã (soap box) e, dali em diante, não haveria volta. Do kart, o salto não foi para a F-Academy, apoiada pela FFSA, mas para a F-Renault 1.600 belga, mais barata, com um modesto time de família. Desde então, passou pela Eurocup 2.0, ganhou o apoio da Red Bull, mas sofreu com equipamento ruim, perdendo rapidamente o suporte do touro vermelho (um dos vários bons pilotos queimados por Helmut Marko).

Desde então, começou a se equilibrar entre vagas de ocasião, substituições e oportunidades inesperadas, até vencer o Alemão de F-3 de 2010. Vieram a GP3, poles, pontos, a GP2, poles, pontos, mas a corda sempre arrebentava no aspecto financeiro, e a vaga acabava com alguém que tinha a mala cheia de dólares. Tom começou a direcionar a carreira para os carros com teto, acelerou na Porsche Carrera Cup francesa, começou a fazer bonito nos GTs e, como a sorte ajuda a quem cedo madruga, cruzou o caminho de um certo indonésio Ricardo Gelael, cujo filho, Sean, resolveu ser também piloto. O trabalho como coach foi tão elogiado que Ricardo, que vem a ser o dono da franquia das lanchonetes KFC em seu país natal, resolveu garantir uma vaga para o francês na Renault World Series 3.5, como companheiro de Sean na inglesa Carlin.

Passadas quatro etapas, Tom é o quinto na classificação do campeonato, com direito a pódio em Mônaco (como se precisasse de mais). E, como continua precisando pagar as contas, foi contratado pela alemã Motopark para trabalhar como orientador de seus pilotos  – entre os quais o mineiro Sérgio Sette Câmara. O que seria absolutamente normal, não fosse a Carlin adversária no Europeu de F-3. O mais legal da história é que ele foi liberado pelo time de Trevor Carlin, que conta… com o patrocínio da KFC em seus carros.

E eu pude acompanhar de perto o meticuloso trabalho ao lado dos cinco “aspirantes a Dilmann” da Motopark – com imagens da câmera onboard, ele procurou detalhar as mudanças com o asfalto molhado em relação à pista seca, onde frear e como esterçar. E, lógico, não perdi a oportunidade de conversar um bom bocado com um piloto que mostra maturidade rara. “Sei que não vou chegar à F-1, mesmo porque agora há poucas vagas e gente no meu país com mais condições financeiras. Procurei aproveitar cada oportunidade que tive e acredito ter mostrado do que sou capaz, mas não depende de mim. Ficaria muito feliz se pudesse correr na F-Indy, por exemplo mas, se não for o caso, tenho outras opções para seguir como profissional, que é o mais importante. Faço o que sempre quis, e isso é o que importa.”

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