O caso Cacá Bueno e o exagero na pena…

Polêmicas, sempre elas. A mais nova envolve a confirmação, pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva da Confederação Brasileira de Automobilismo, de Cacá Bueno da etapa de Curitiba, como punição pelos comentários direcionados à direção de prova em Ribeirão Preto, devido às medidas tomadas (ou não tomadas) quando liderava a corrida, deveria ter recebido a bandeirada de vencedor e, por um cochilo de quem deveria estar no lugar certo na hora certa, nada viu na linha de chegada. Seguiu acelerando e, como estávamos num circuito de rua, encontrou pela pista mecânicos, fiscais e carros de serviço trabalhando, como aliás podem trabalhar sempre que a disputa está encerrada. Irritado, o pentacampeão vociferou toda a sua indignação pelo ocorrido com a equipe, via rádio. Conversa que foi pescada e mandada ao ar, ganhando dimensão ainda maior.

Eu bem podia querer esculachar um dos lados, ou os dois, mas me parece daqueles casos em que ambos estão errados e, ao mesmo tempo, têm uma certa razão. Explico.

É inconcebível deixar de mostrar a sinalização mais importante de uma prova automobilística, em que circunstância for. Lembro-me bem do ano em que Pelé foi convidado para dar a bandeirada no GP do Brasil de Fórmula 1 e, por uma falta de coordenação e planejamento, chegou ao posto quando Michael Schumacher já havia passado. Você pode até dizer então “ah, mas ocorre na principal categoria do automobilismo mundial”. Sim, e não. Na hora a direção de prova, pelo rádio, informou à Ferrari, que informou ao piloto que a corrida havia efetivamente chegado ao fim. E na F-1, como em outras categorias internacionais, há uma espera de minutos até que a pista seja liberada para a retirada de carros avariados, até mesmo para não estragar a consagração do vencedor. Schumacher não correu qualquer risco, nem teve muito tempo para pensar que poderia restar uma volta, ou mais. E sobre usar as conversas de rádio para filtrar eventuais críticas ou atitudes antidesportivas, é louvável, desde que se garanta que todos os carros no grid estão sob vigilância, o que eu duvido muito. Dificilmente a direção de prova da Stock tem como monitorar todas as conversas de todos os pilotos. E quem gosta da velocidade vive pedindo que os pilotos tenham personalidade, digam o que pensam, não sejam vaquinhas de presépio teleguiadas.

Por outro lado, não dá para pensar que uma categoria tão importante seja a casa da mãe Joana, em que se fale tudo diante do público. Até mesmo porque a polêmica ajuda a vender, a Nascar é, por assim dizer, permissiva quanto a isso. Pune sim, mas de uma forma que não atrapalha o espetáculo. E olha que estamos falando de coisa muito pior, como troca de sopapos nos boxes, toques propositais, de vingança, ou discussões entre pilotos por meio da mídia. Multa-se, tira-se pontos do piloto e da equipe e vamos em frente. Especialmente porque a atitude de Cacá nada teve de agressiva com os pares, não representou qualquer risco ou ameaça a um concorrente. Até mesmo como forma de disciplinar as conversas, a multa ficaria de bom tamanho, no máximo uma advertência pública. Tirar da etapa de Curitiba ficou pesado, e felizmente ele não se intimidou diante disso, que é o perigo maior. E quando podíamos falar de tudo de bom que a Stock proporciona, perdemos tempo e espaço comentando briguinhas e trocas de farpas, batalhas de egos inflados.

A quem ache que o piloto age assim por ser filho de quem é, ou se achar intocável, posso garantir que não é o caso, do pouco que o conheço pessoalmente e em ação. Cacá é batalhador de brigas boas, pensa no coletivo, não apenas em si próprio e, com a experiência de quem acelerou e acelera bons anos lá fora, tem autoridade para cobrar estrutura, seriedade, profissionalismo. A 200km/h realmente tudo fica muito mais perigoso, assustador, potencialmente arriscado, e ninguém gostaria de estar na pele dele em tal situação. Se a CBA quiser se manifestar sobre o assunto, o blog divulga. Enquanto isso, vai a carta publicada pelo piloto sobre o incidente para ajudar o leitor a se posicionar na confusão. Só não reproduzo a foto do carro danificado, que é a citada por ele, para não por mais lenha na fogueira…

   

Hoje me sinto como meu carro nesta foto, destruído, agredido. Mas assim como nessa corrida onde por incrível que pareça ainda marcamos pontos, não será dessa vez que vou desistir, aliás não sei o que é desistir

Continuo achando um absurdo usarem uma conversa privada com minha equipe sem ser na íntegra como se fosse uma entrevista ou declaração e ainda mais a CBA usar isso para pedir 6 corridas de suspensão e 100 mil reais de multa e pessoas de gravata que nunca sentaram num carro de corrida e parecem não conhecer seus riscos acharem justo eu ter que pagar 50 mil e ficar de fora de 2 corridas de um fim de semana

Lembrando que foram 4 acidentes com mortes na Stock Car do ano 2000 para cá e que não faz nem uma semana que o automobilismo chorou a morte de um piloto que acertou um trator na pista com bandeira verde

Lembrando também que me deixaram em corrida a 200km/h num circuito de rua e molhado, com mecânicos cruzando a pista e carros e equipe de resgate entrando na pista também. Continuo não achando isso inteligente mas nunca tive a intenção de ofender ninguém nem o fiz, apenas desabafei de forma privada

Ouvi muita besteira de gente que acha que entende de corrida mas está nas regras que a única forma de a direcão de prova se comunicar com os pilotos é através de bandeira e que pelo CBJD os responsáveis por não encerrar uma competicão no momento certo deveriam ser multados e suspensos. Mas eles preferiram suspender o atleta por ter ficado indignado pelo risco que lhe foi imposto

Nunca ficarei calado e nem deixarei de ficar indignado pela falta de segurança no nosso esporte, pela luta da manutenção dos nossos autódromos e pela criação e suporte as categorias de base e mão de obra, coisas que acho que a nossa confederação deveria depositar sua atenção.

Voltarei ainda mais forte e ainda incomodarei muita gente

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