O samurai de Ipatinga

Não é sempre que o blog reproduz matérias publicadas por este que vos escreve no Estado de Minas, já que, em boa parte, elas dizem respeito sobre assuntos do dia e se esgotariam muito rápido para ficar neste espaço. Mas, neste caso, a exceção é válida. Há coisa de quatro, cinco anos, quando fui colaborador no Brasil da revista italiana de kart Vroom (a bíblia do esporte), descobri que havia um brasileiro fazendo bonito nas categorias de base do Japão – venceu campeonatos e se tornou piloto oficial do importador da CRG na terra do Sol Nascente. Mal sabia eu, inclusive, que embora ele fosse nascido do outro lado do mundo, era filho de uma família de Ipatinga que foi tentar a sorte em terras asiáticas; ou seja, mineiro de coração.

Pois havia perdido o rastro de Igor Fraga, até descobrir que ele não apenas veio para o Brasil, como resolveu prosseguir a carreira nos monopostos e tem feito bastante bonito. Como a matéria foi escrita antes da etapa de Cascavel, não inclui a vitória conseguida na primeira corrida da rodada dupla válida pela quinta etapa do Brasileiro de Fórmula 3, sua segunda no ano na categoria Light (para os Dallara F308). Mas é bacana ver que alguém que começou de forma tão promissora segue acelerando em busca do sonho, um sonho que o texto mostra…

A tradição mineira de revelar talentos para as pistas do mundo segue em alta – Sérgio Sette Câmara conquistou dois pódios em sua primeira temporada no Europeu de F-3 e Lucca Abreu treina para estrear na F-Barber norte-americana. O mais novo representante dessa tradição não chama atenção apenas pela habilidade ao volante e pelos títulos no currículo, mas também pela trajetória de vida. Igor Fraga nasceu em Kanazawa, no Japão, onde a família, originária de Ipatinga, foi tentar a sorte. Lá surgiu a paixão pela velocidade, traduzida em resultados de peso no kart, como o vice-campeonato do GP de Macau em 2007 e o campeonato open asiático no ano seguinte – foi ainda 13º no Mundial KFJ (Júnior) de 2007. De volta ao país que escolheu como pátria, Igor, aos 16 anos, é um dos destaques do Brasileiro de Fórmula 3 e briga pelo título na categoria Light (para chassis Dallara produzidos até 2008), correndo pela equipe Propcar, a mesma que levou Bruno Junqueira ao título sul-americano de 1997. Em quatro rodadas duplas, soma uma vitória (em Curitiba) e um segundo lugar (em Santa Cruz do Sul). E neste fim de semana volta à pista em Cascavel, buscando confirmar a evolução. “O automobilismo era coisa de família. Meu avô era mecânico, meu pai correu na adolescência e, quando fui a um kartódromo pela primeira vez, me apaixonei. Com quatro anos já estava competindo na cadete. Ganhei o apoio do importador japonês da CRG (fábrica italiana de chassis) e pude correr em vários países da Ásia. O nível do esporte no Japão é muito alto e me permitiu aprender bastante”, explica o piloto. O kart seria o caminho natural na volta ao Brasil, em 2011, mas os altos custos o levaram a buscar outros rumos. “Fiz sete provas da F-1600 (com motores VW, pneus e rodas de rua), tive bons resultados e surgiu a oportunidade de fazer a F-3. O carro é uma verdadeira máquina, no início senti muita diferença, especialmente de velocidade em curva. Como não tenho tantos recursos, acabo não fazendo tantos treinos, fica um pouco mais demorado, mas estou me acostumando bem à categoria”, prossegue Igor, que não descarta um retorno ao Japão – além da F-3, a Super Formula e o Japonês de GT estão entre os campeonatos mais fortes do mundo – mas prefere inicialmente sonhar com outra terra. “Meu foco agora é nos Estados Unidos. A Indy é sensacional e existem oportunidades maiores para chegar lá. Quem vai bem nos campeonatos de base tem incentivo para subir.” Sinônimo de títulos Se há uma categoria em que os pilotos mineiros marcaram presença com talento e títulos, é a Fórmula 3. Alex Dias Ribeiro foi o primeiro a se destacar, como vice-campeão europeu e inglês em 1973. Vinte e um anos depois, Cristiano da Matta sagrou-se campeão brasileiro (devido a incidentes envolvendo os pilotos argentinos, o Sul-Americano de 1994 foi boicotado pelos pilotos verde e amarelos). Em 1997, Bruno Junqueira levou a melhor sobre os hermanos e, antes da carreira de sucesso na Europa e nos EUA, ficou com a taça. Ipatinguense como Igor, Alberto Valério repetiu o feito em 2005; Clemente Júnior venceu em 2007 e Fernando Resende Filho, o Kid, fez bonito em 2012.

Anúncios

Agenda de retorno e decisão triste

Foram mais de dois meses de relativo sossego desde as 24h de Le Mans, até que o campeonato que hoje é o mais emocionante e sensacional do automobilismo internacional (ao menos na minha humilde e modesta opinião) voltasse à ativa. E não podia ser de outro modo: as 6h de Nurburgring, quarta etapa do Mundial de Endurance (FIA WEC) puxam uma agenda que tem ainda decisão na Indy, tradicionalmente a categoria com o calendário mais empacotado. Pena que a morte de Justin Wilson tirou boa parte dos motivos para comemoração e alegria no belo traçado de Sonoma – as lembranças do britânico certamente dominarão o fim de semana. Falando em Nascar, a coincidência é ver que Xfinity Series e Camping World Truck Series (no caso das picapes, coisa mais rara ainda) aceleram em circuitos mistos – respectivamente, Road America e Mosport (Canadá).Por aqui, quem é paranaense está numa boa: se for a Cascavel, verá, de uma só vez, Stock, Brasileiro de Turismo e Fórmula 3. Se ficar na capital, Curitiba, poderá acompanhar os pegas da Moto 1000 GP. Ao menos tem bastante coisa boa aqui e lá fora para animar o sábado e o domingo dos fãs da velocidade. Aceleremos, pois…

Internacional Mundial de Endurance (FIA WEC): quarta etapa – 6h de Nurburgring Mundial de Motociclismo: 12ª etapa – GP da Inglaterra (Silverstone) Verizon Indycar Series: última etapa – GP de Sonoma DTM: sexta etapa – Moscou Nascar Xfinity Series: 23ª etapa – Road America 180 Nascar Camping World Truck Series: 15ª etapa – Chevrolet Silverado 250 (Mosport/CAN) Super GT (Japão): quinta etapa – Suzuka

Nacional Brasileiro de Stock Car: oitava etapa – Cascavel (PR) Brasileiro de Turismo: sexta etapa – Cascavel (PR) Brasileiro de Fórmula 3: quinta etapa – Cascavel (PR) Moto 1000 GP/Brasileiro de Velocidade: quinta etapa – Curitiba Mitsubishi Cup: quarta etapa – Indaiatuba (SP)

Na telinha Sábado (29) 8h30 Mundial de Moto GP (treinos classificatórios) Sportv 12h Stock Car (treino oficial – etapa de Cascavel) Sportv 16h30 Nascar Xfinity: etapa de Road America Fox Sports2

Domingo (30) 7h Mundial de Moto GP: GP da Inglaterra Sportv 10h DTM: etapa de Moscou Band Sports 13h Stock Car: etapa de Cascavel Sportv Moto 1000 GP: etapa de Curitiba Band Sports 17h Verizon Indycar Series: GP de Sonoma Band Sports

Nascar Throwback, jogada de marketing e volta aos tempos de ouro…

Se há uma turma para a qual é preciso tirar o chapéu é o pessoal que cuida do marketing da Nascar. Enquanto outras categorias até mais seguidas pelo mundo sofrem para se reinventar e não perder o carisma, os norte-americanos conseguem fazer com que não caia na mesmice um calendário de 36 corridas, das quais 34 são em ovais e, em alguns casos, em pistas repetidas (Charlotte e Daytona são exemplos). Tudo é motivo para inventar, sempre pensando em sua majestade, o público.

Pois eis que no próximo dia 6, o pelotão furioso que invadirá o oval de Darlington, na Carolina do Sul, fará muita gente mais vivida e experiente voltar no tempo, a fases bem mais românticas da categoria. Ocorre que a prova, disputada desde 1950, volta à sua data tradicional, que é o Labor Day (o dia do trabalho nos EUA). E com tanta tradição em jogo, alguém acabou pensando: por que não retomar esquemas de decoração dos carros lendários, principalmente considerando que vários dos personagens das décadas passadas estão envolvidos, direta ou indiretamente com o esporte? Foi assim que surgiu o conceito do Throwback (literalmente, voltar atrás).

E a turma caprichou, conseguindo inclusive trazer patrocinadores que andavam afastados das pistas. Que tal ver o tradicional #43 da equipe de Richard Petty novamente com o amarelo e o salmão da STP? E Kyle Larson correr com as cores da Mello Yello? Há quem homenageie lendas das pistas, como o recentemente falecido Buddy Baker, que será lembrado no #15, de Clint Bowyer. Brad Keselowski retoma, no 2, as cores da Miller  imortalizadas por Rusty Wallace. E quem não tem onde buscar no passado faz graça com as próprias cores, adotando um estilo retrô para os patrocinadores atuais (caso do 16, de Greg Biffle). Antes de as máquinas entrarem na pista, vão algumas fotos para o leitor começar a viajar no tempo, que ficou muito legal…

A culpa é da empada – Coluna Sexta Marcha

Antes de mais nada, a imagem abaixo será transformada em adesivos e camisetas postos a venda na etapa de Sonoma da Indy, que definirá o campeão mais uma vez em clima de tristeza e consternação (foi assim também com Dan Wheldon), e o valor arrecadado será repassado ao fundo criado por Justin Wilson para ajudar crianças carentes. Diante da tragédia de Pocono, todo o resto fica em segundo plano e o automobilismo exibe mais uma vez seu lado triste, sua face lamentável, ao tirar a vida de um cara fora de série (dentro e fora da pista), quanto mais numa circunstância que não pode ser outra coisa a não ser estúpida – ele acabou sendo a vítima indefesa de um problema alheio.

Mas o fim de semana foi de corrida no circo e, se é o caso, especialmente depois das intermináveis férias, é tempo de coluna. Que deixa de lado o vencedor e seu domínio incontestável para falar de um comportamento inesperado de Sebastian Vettel, e de como os pilotos costumam lidar com decepções do gênero.

A culpa é da empada Pilotos de Fórmula 1 estão distantes de ser criaturas perfeitas. Lógico que não digo isso em relação ao talento, que é coisa de outro mundo chame-se você Senna, Schumacher, Lauda, Yamamoto ou Stevens (aí é uma questão de mais ou menos, mas acelerar uma máquina com mais cavalos do que quilos é coisa para pouquíssimos). Basta correr os olhos na relação dos nomes mais marcantes ao longo das quase sete décadas do Mundial e mesmo os gênios terão seus feitos acompanhados de alguma conjunção adversativa – fulano foi n vezes campeão, mas não tinha qualquer carisma; beltrano cansou de vencer GPs; no entanto, cansou de apelar para expedientes questionáveis. Exceções até há, normalmente acompanhadas de algum título de nobreza oferecido por sua majestade, a rainha – Moss e Stewart são os sobrenomes que me vêm à cabeça primeiro, aos quais eu acrescentaria Fangio e Fittipaldi, gente capaz de manter a coerência dentro e fora da pista, admirados e respeitados pelos pares, incapazes de criar polêmicas ou inimizades, conscientes das próprias virtudes e fraquezas. Pois eu confesso que me assustei com a reação de Sebastian Vettel ao furo de pneu (foto) que o fez perder o pódio no eneacentésimo (sim, o de número 900) GP da Ferrari. Até entendo a frustração depois de uma corrida de muito suor e superação, mas o tom das críticas ao fabricante de pneus foi indigno de tudo o que o piloto de Heppenheim, cidadezinha próxima a Frankfurt, fez e disse ao longo de sua carreira no circo. O tetracampeão é dos caras mais humildes, centrados e acessíveis da atual geração, capaz de atrasar em alguns segundos um compromisso com a equipe para atender um pequeno fã à espera de autógrafo, muito embora o ex-companheiro Mark Webber o tenha acusado de falta de ética e a última temporada na Red Bull tenha mostrado que o bom desempenho de um parceiro possa render reações de menino mimado. Porque sim, pneus não são feitos para estourar a mais de 300 quilômetros por hora em pleno Raidillon, como asas e suspensões da Force India não foram feitos para arrebentar ao menor toque e deixar seus comandantes em apuros (ocorreu na Hungria, lembra?), mas acontece. Que eu me lembre, nem Nelson Piquet, muito menos Nigel Mansell saíram aos tapas com a turma da Goodyear ao verem a coroa de 1986 escapar quando a borracha se mostrou incapaz de resistir às solicitações da pista de rua de Adelaide. E quando um dos caras que melhor sabem administrar o desgaste é seu companheiro de equipe e prefere fazer dois pitstops, boa parte da choradeira perde a justificativa. Normalmente pneus médios resistem 29 voltas mesmo às exigências do carrossel de Spa-Francorchamps (e as simulações dos treinos livres mostraram isso), mas não é ciência exata. E realmente se tivesse ocorrido 300 metros antes poderia ter tido um fim trágico, mas não só pela delaminação de um pneu – uma suspensão quebrada, um suporte de asa que se solta, uma pane no DRS seriam igualmente destrutivos. Sem contar que a grande mudança dos compostos deste ano em relação aos anteriores foi o reforço da carcaça, já que as unidades de potência ficaram mais fortes e jogam mais energia nas rodas traseiras. Tomara que, com a cabeça mais fria, o pai da pequena Emily reveja sua opinião e entenda que faz parte do jogo – neste aspecto, motivos para raiva muito maior teria Valtteri Bottas, que viu a corrida prejudicada por uma trapalhada da Williams. Se tem uma coisa feia envolvendo esses homens incríveis e suas máquinas maravilhosas é adotar a tática do sujeito que enche a lata, acorda mal no dia seguinte e diz que a culpa foi da azeitona da empadinha. Vettel tem crédito de sobra, mas é melhor não abusar… Infame Como falar dos títulos da Mercedes e de Lewis Hamilton não é questão de se, mas de quando, melhor pegar carona nas piadinhas envolvendo a lamentável situação da McLaren. Com 105 posições perdidas de punição pela troca de componentes acima do permitido, já há quem diga que, no GP da Itália, Fernando Alonso e Jenson Button vão largar de Roma, distante bons 480 quilômetros de Monza…

            AMG Mercedes/divulgação

God bless you Justin…

A vontade que vem é de falar um palavrão daqueles fortes, porque lamentar é só o que resta. Lembro-me bem quando o também britânico Jonathan Palmer, então mentor do garoto de potencial, resolveu apostar num conceito então inovador, o Invest in Wilson, que daria a possibilidade de ser parte de uma aposta ousada, mas que acabou se concretizando. Justin Wilson não havia sido brilhante nas categorias de formação (até se tornar campeão intercontinental de F-3000 em 2001, pela equipe Arden), mediu forças com vários brasileiros pelo caminho e, a bordo de uma Minardi, finalmente realizou o sonho de ser parte do circo. E na modesta estrutura que deixava de ser de Giancarlo e passava às mãos do australiano Paul Stoddart, mostrou que merecia estar ali, que não era peixe fora d’água, que poderia fazer mais. Foi para a Jaguar e pagou pela imaturidade de todo um time que não era mais a Stewart, mas também não sabia o que seria. Quando as portas da F-1 se fecharam, fez o que boa parte dos sem oportunidade da época faziam: arrumou as malas e se mudou para os EUA, primeiro para a ChampCar, depois para a IRL.

E não são só as sete vitórias e oito poles desde 2005 que dão uma medida do era capaz. Ser o primeiro a vencer uma prova comandando um carro de Dale Coyne era quase como acertar uma Mega-Sena acumulada com um só bilhete. Tornou-se sinônimo de piloto rápido mas respeitoso do equipamento, bom acertador. Aprendeu a se desvencilhar das armadilhas dos ovais com coragem e pé pesado, muito embora não gostasse tanto deles. E, a parte um ano desastroso como piloto da Newman-Haas, nunca teve nas mãos equipamento de ponta, até este ano. E de forma provisória, sem um programa completo. Wilson era o cara ideal para ajudar a Honda a desenvolver seu pacote aerodinâmico, tanto assim que, depois das 500 Milhas de Indianápolis, ganhou a chance de alinhar nas cinco últimas provas deste ano com o Dallara de Michael Andretti. Já pensava em prosseguir carreira em provas de endurance e era presença certa em toda e qualquer ação humanitária de que pudesse participar.

Ao chegar em Pocono para a penúltima etapa da Indycar, mostrou-se realista e cético quanto às possibilidades de ter um volante a tempo pleno para 2016, embora nunca perdesse a esperança. Sabia que não precisava pilotar acima de sua capacidade, ou tentar compensar no braço eventuais deficiências do equipamento, mas apenas de manter sua forma metódica de encarar cada corrida. Wilson não bateu em nada, chegou a apontar na liderança, mas pagou com a vida por estar no lugar errado na hora errada. Logo surgirão os cálculos do impacto do bico em fibra de carbono com a cabeça a 320 quilômetros por hora, pena que não o trarão de volta. Era para ser o começo de uma nova história, foi a última página de um livro incompleto. O companheiro de times de Cristiano da Matta e Bruno Junqueira, que se juntaram às preces neste momento delicado, infelizmente foi acelerar em outras pistas, e tomara que deixe novas lições e ensinamentos como legado. De nada adianta ter nove carros emparelhados ou sonhar com velocidades estratosféricas e inéditas se o desfecho for este. E pouco tempo depois da fatalidade que levou Dan Wheldon, outro campeonato será decidido sem motivos para festa. Um preço alto demais para o que hoje é bem mais seguro do que nos tempos românticos. God bless you, Justin, because you’re sadly missed…

Fórmula E, segunda temporada. O perigo é…

Muita gente torceu o nariz para a Fórmula E, a categoria a propulsão totalmente elétrica nascida do desejo do presidente da FIA, Jean Todt, de abrir o esporte às energias renováveis. Eu mesmo ouvi um piloto da categoria, numa conversa de bastidor, durante a primeira etapa do DTM, na Inglaterra (pra bom entendedor, dá para descobrir quem é…) dizer que o carro era “decepcionante” (ele usou outro termo pior, mas poupo o leitor da palavra, não muito bela). E quem acompanhou de fora, como a turma da F-1, foi rápido nas críticas ao analisar os números das máquinas em seu passeio pelos circuitos do mundo.

Mas também teve muita gente boa elogiando – basta ver o nível do campeonato para concluir que poucas séries apresentam tamanha concentração de talentos, e não é o caso de desvalorizar o feito de Nelsinho Piquet, antes pelo contrário. A ideia é um sucesso, assim como a iniciativa de levá-la aos centros urbanos e a circuitos provisórios – o do Battersea Park, em Londres, proporcionou um fim de semana sensacional. Bem verdade que andar com médias em torno dos 110/120 km/h pode não ser a experiência mais emocionante do mundo, assim como entrar nos boxes para trocar… de carro (seria este o motivo de a BMW não querer se envolver), mas já se sabia que o início seria conservador, e que o andar da carruagem (das máquinas…) traria avanços.

Isto posto, a organização, capitaneada pelo espanhol Alejandro Agag, abriu na segunda temporada a possibilidade de desenvolvimento de diferentes unidades motrizes, o que atraiu a participação de equipes e empresas de ponta, como a ABT (de Lucas di Grassi, na foto), a DS (divisão de automóveis especiais da Citroën), a Renault (que fornecia para todos e agora tem apenas a eDams) ou a indiana Mahindra.

Muito interessante, não fosse o fato de que alguns poderiam encarar o desafio melhor do que outros, dando origem a diferenças muito grandes, como deixaram claro os primeiros testes coletivos, em Donington. A boa notícia é que os recordes caíram com uma impressionante facilidade. A ruim é que, enquanto ABT, Renault e DS dominaram a classificação, outros, como o time Nextev TCR, exatamente o atual campeão com Nelsinho, e o Trulli (que aposta nos motores e baterias da italiana Motomatica) patinaram a olhos vistos. E um campeonato que foi incerto até a última bandeirada na temporada de estreia pode virar uma versão ainda mais silenciosa da F-1, com grandes, pequenos e o equipamento definindo quem ganha e quem só compete. Por enquanto ninguém falou em medidas corretivas, mas é bom que se comece a pensar para não acabar com a graça…

Agenda de pouco, mas muito bom…

Quem acompanha o blog há mais tempo deve se lembrar que, em determinados finais de semana, a lista de eventos sobre duas e quatro rodas no Brasil e no exterior é quilométrica, com opções para todos os paladares e preferências e a muitas vezes complicada tarefa de fazer escolhas entre eventos que se desenrolam ao mesmo tempo. Basta olhar abaixo e constatar que não é o caso dessa vez – e muito disso ainda é consequência das férias do circo da F-1 e das categorias que a acompanham (GP2 e GP3, Porsche Carrera Supercup) – mesmo porque as férias na Europa normalmente freiam boa parte dos campeonatos. Por aqui, é a vez de mais um ‘racing weekend’ encabeçado pela Stock Car, com nova edição da Corrida do Milhão, em Goiânia (na foto, o pole e líder do campeonato Marcos Gomes). Pode não ser muito, mas qualidade e bons pegas com certeza não faltarão na telinha…

Internacional Mundial de Moto GP: 11ª etapa – GP da República Tcheca (Brno) Nascar Sprint Cup: 22ª etapa – Pure Michigan 400 (Michigan) Nascar Xfinity Series: 21ª etapa – Nationwide Children’s Hospital 200 (Mid-Ohio) Nascar Camping World Truck Series: 13ª etapa – Careers for Veterans 200 (Michigan) Sul-Americano de Fórmula 4 – quarta etapa (Alta Gracia-ARG) Global Rallycross Championship (GRC): sétima etapa – Washington D.C.

Nacional Brasileiro de Stock Car: sétima etapa (Corrida do Milhão) – Goiânia Brasileiro de Turismo: quinta etapa – Goiânia Brasileiro de Marcas: quinta etapa – Goiânia Mercedes-Benz Grand Challenge: quinta etapa – Goiânia Mineiro de Kart: sexta etapa – RBC Racing (Vespasiano)

Na telinha Sábado 7h30 Motociclismo: GP da República Tcheca (treinos oficiais) Sportv 12h10 Stock Car: treino oficial Sportv2 16h20 Nascar Xfinity: etapa de Mid-Ohio Fox Sports 2

Domingo 6h Mundial de Motociclismo: GP da República Tcheca Sportv 10h40 Stock Car: Corrida do Milhão Globo 15h30 Nascar Sprint Cup: etapa de Michigan Fox Sports 2

F-Inter: olha ele aí

Em 10 de fevereiro passado o blog apresentou o projeto da Fórmula Inter, iniciativa do empresário Marcos Galassi e de vários apoiadores de peso para oferecer uma opção competitiva e de ótimo custo-benefício para a meninada que sai do kart e não quer saltar direto para a F-3. O projeto avançou. foi criada inclusive uma incubadora de talentos e hoje, depois de muito trabalho, a categoria foi lançada oficialmente em São Paulo.

Nem é preciso dizer a satisfação de ver um projeto do gênero sair do papel e se concretizar. A máquina ficou ainda mais bela do que nos desenhos e projeções e mostra que, mesmo com a pretensão de manter orçamentos modestos, é possível ter tecnologia de ponta, quanto mais no que diz respeito à segurança. Um projeto 100% brasileiro como há muito não se via e que, com certeza, atrairá mais interessados do que vagas disponíveis num primeiro momento. Há fibra de carbono em locais estratégicos e fica clara a preocupação com a aerodinâmica, embora com simplicidade, como eram simples os carros da saudosa F-Ford, por exemplo. O motor 2.0 de quatro cilindros entrega bastante bons 180 cavalos.

Muitos testes em pista virão até que as 20 máquinas sejam destinadas a seus “ocupantes” (sim, porque todo o material será da organização, para garantir equilíbrio e conter custos) e a ideia, como falei lá em fevereiro, é reunir pilotos dos 15 aos 80, sem distinção, a partir de novembro, quando se apagam os sinais vermelhos para a primeira temporada. Ainda bem que há gente que se mexe no automobilismo brasileiro, e tomara que tenham todo o sucesso do mundo. Vida longa à F-Inter…

Ornitorrinco das pistas…

Sabe aquela história de uma coisa que leva à outra? Foi assim que surgiu o post que você está lendo. Corria eu os olhos pela internet em busca de informações sobre o chassis russo ArtLine, que promete desafiar o monopólio da Dallara na F-3 (se conseguirá são outros 500) e já teria completado suas primeiras voltas de teste numa inóspita pista de não menos inóspita ex-república soviética – a promessa é de que ele estreie na etapa de Portimão do Europeu de F-3.

Eis que me aparece, numa foto, uma traquitana com estrutura tubular, rodas grandes, asa traseira e… a dianteira de um chassi de F-3 – digamos que parece um ornitorrinco das pistas, aquele bicho diferente que tem bico de pato, patas de pinguim e cauda de castor (e ainda bem que tem as fotos para ilustrar, melhores do que qualquer tentativa de explicação minha).

Pois bem, descubro eu que se trata do ArtLine GT, que nasceu da seguinte lógica: se temos um chassi de F-3 sobrando no galpão, façamos algo com ele. A mecânica é um quatro cilindros turbo de1.600cc e 350cv e o mais curioso da história, fora o fato de que ele já acelerou assim, digamos, pelado, em treinos e competições no país natal, é que ele um dia virá a ter as formas de um Moskvich 401, pré-histórico sedã dos tempos de ouro da URSS (olha ele no fundo da segunda foto e aqui abaixo…). Já vi coisa bem mais bonita, mas, de todo modo, vale pela iniciativa e pelo inusitado…

Pra ficar daquele jeito, foi feito assim…

Com muito orgulho o blog apresenta, em primeira mão, o que se passou nos bastidores da ação que levou dois carros da Stock Car (os de Rafa Matos e Lucas Foresti) ao traçado do Circuito dos Cristais, em Curvelo, para uma experiência inédita – vale lembrar que Cacá Bueno já levou um carro da categoria ao deserto de sal de Utah para estabelecer um recorde de velocidade impossível de se obter num traçado fechado – acelerar numa pista nestas condições, ainda que como uma grande brincadeira, é novidade. E lógico que toda essa trabalheira, para a qual colaborou bastante a Vicar, que já mostrou que acredita bastante no potencial do primeiro autódromo internacional das Minas Gerais, não se deu sem motivo. É uma grande mostra de como o que já foi apenas uma ideia maluca se aproxima a passos largos da realidade. E nem é preciso dizer que os V8 vão roncar e muito ano que vem por estas bandas – e não só eles, como tudo indica que virão Turismo, Marcas, F-3, F-Truck, Porsche e endurance, isso para ficar restrito às quatro rodas.

Nestes quase cinco minutos de vídeo, é possível enxergar tudo o que cercou uma ação sensacional, capaz de gerar imagens que já correram o Brasil e não só ele. A bola de neve desce o morro cada dia mais e é de se aguardar agora pelo mês de março, quando o complexo terá sua menina dos olhos inaugurada oficialmente. Você há de convir que, diante do fechamento de Jacarepaguá, das incertezas envolvendo Brasília e Curitiba e do cenário nada agradável no que diz respeito à infraestrutura para provas de categorias de ponta, não será motivo de orgulho e satisfação apenas para os mineiros, mas para o país inteiro. Curta então…