O samurai de Ipatinga

Não é sempre que o blog reproduz matérias publicadas por este que vos escreve no Estado de Minas, já que, em boa parte, elas dizem respeito sobre assuntos do dia e se esgotariam muito rápido para ficar neste espaço. Mas, neste caso, a exceção é válida. Há coisa de quatro, cinco anos, quando fui colaborador no Brasil da revista italiana de kart Vroom (a bíblia do esporte), descobri que havia um brasileiro fazendo bonito nas categorias de base do Japão – venceu campeonatos e se tornou piloto oficial do importador da CRG na terra do Sol Nascente. Mal sabia eu, inclusive, que embora ele fosse nascido do outro lado do mundo, era filho de uma família de Ipatinga que foi tentar a sorte em terras asiáticas; ou seja, mineiro de coração.

Pois havia perdido o rastro de Igor Fraga, até descobrir que ele não apenas veio para o Brasil, como resolveu prosseguir a carreira nos monopostos e tem feito bastante bonito. Como a matéria foi escrita antes da etapa de Cascavel, não inclui a vitória conseguida na primeira corrida da rodada dupla válida pela quinta etapa do Brasileiro de Fórmula 3, sua segunda no ano na categoria Light (para os Dallara F308). Mas é bacana ver que alguém que começou de forma tão promissora segue acelerando em busca do sonho, um sonho que o texto mostra…

A tradição mineira de revelar talentos para as pistas do mundo segue em alta – Sérgio Sette Câmara conquistou dois pódios em sua primeira temporada no Europeu de F-3 e Lucca Abreu treina para estrear na F-Barber norte-americana. O mais novo representante dessa tradição não chama atenção apenas pela habilidade ao volante e pelos títulos no currículo, mas também pela trajetória de vida. Igor Fraga nasceu em Kanazawa, no Japão, onde a família, originária de Ipatinga, foi tentar a sorte. Lá surgiu a paixão pela velocidade, traduzida em resultados de peso no kart, como o vice-campeonato do GP de Macau em 2007 e o campeonato open asiático no ano seguinte – foi ainda 13º no Mundial KFJ (Júnior) de 2007. De volta ao país que escolheu como pátria, Igor, aos 16 anos, é um dos destaques do Brasileiro de Fórmula 3 e briga pelo título na categoria Light (para chassis Dallara produzidos até 2008), correndo pela equipe Propcar, a mesma que levou Bruno Junqueira ao título sul-americano de 1997. Em quatro rodadas duplas, soma uma vitória (em Curitiba) e um segundo lugar (em Santa Cruz do Sul). E neste fim de semana volta à pista em Cascavel, buscando confirmar a evolução. “O automobilismo era coisa de família. Meu avô era mecânico, meu pai correu na adolescência e, quando fui a um kartódromo pela primeira vez, me apaixonei. Com quatro anos já estava competindo na cadete. Ganhei o apoio do importador japonês da CRG (fábrica italiana de chassis) e pude correr em vários países da Ásia. O nível do esporte no Japão é muito alto e me permitiu aprender bastante”, explica o piloto. O kart seria o caminho natural na volta ao Brasil, em 2011, mas os altos custos o levaram a buscar outros rumos. “Fiz sete provas da F-1600 (com motores VW, pneus e rodas de rua), tive bons resultados e surgiu a oportunidade de fazer a F-3. O carro é uma verdadeira máquina, no início senti muita diferença, especialmente de velocidade em curva. Como não tenho tantos recursos, acabo não fazendo tantos treinos, fica um pouco mais demorado, mas estou me acostumando bem à categoria”, prossegue Igor, que não descarta um retorno ao Japão – além da F-3, a Super Formula e o Japonês de GT estão entre os campeonatos mais fortes do mundo – mas prefere inicialmente sonhar com outra terra. “Meu foco agora é nos Estados Unidos. A Indy é sensacional e existem oportunidades maiores para chegar lá. Quem vai bem nos campeonatos de base tem incentivo para subir.” Sinônimo de títulos Se há uma categoria em que os pilotos mineiros marcaram presença com talento e títulos, é a Fórmula 3. Alex Dias Ribeiro foi o primeiro a se destacar, como vice-campeão europeu e inglês em 1973. Vinte e um anos depois, Cristiano da Matta sagrou-se campeão brasileiro (devido a incidentes envolvendo os pilotos argentinos, o Sul-Americano de 1994 foi boicotado pelos pilotos verde e amarelos). Em 1997, Bruno Junqueira levou a melhor sobre os hermanos e, antes da carreira de sucesso na Europa e nos EUA, ficou com a taça. Ipatinguense como Igor, Alberto Valério repetiu o feito em 2005; Clemente Júnior venceu em 2007 e Fernando Resende Filho, o Kid, fez bonito em 2012.

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