O metrô, o maluco e os pelados (GP de Cingapura)

           Scuderia Ferrari/divulgação

Você talvez se lembre de um GP de Cingapura – não o de 2008, em que Flavio Briatore e Pat Symonds, hoje na Williams arquitetaram a vitória de Fernando Alonso no melhor estilo Dick Vigarista – em que Mark Webber abandonou com a Red Bull inerte e a equipe encontrou no metrô da cidade a causa do problema. Sim, possíveis interferências teriam provocado a pane nos sistemas eletrônicos do RB4.

Pois parece que o sistema de transporte da cidade-estado asiática resolveu novamente aprontar das suas, tamanha a quantidade de gente que ficou pelo caminho domingo com as máquinas desobedientes. Se bem que a Mercedes garante que o abandono de Lewis Hamilton se deveu a uma abraçadeira das mangueiras do turbo, a famosa “peça de R$ 25”. E no caso de Nico Hulkenberg não dá para falar em pane no cérebro por conta da disputa de curva com Felipe Massa (outro que foi vítima dos caprichos do equipamento), já que, numa pista em que se passa tão pouco, qualquer oportunidade, ainda que arriscada, teria mesmo que ser agarrada com unhas e dentes.

Já no caso do sujeito que confundiu as ruas de Marina Bay… com as ruas de Marina Bay (fora de fim de semana de GP), mais uma vez correu-se um risco nada bom para a imagem do circo, ainda marcada pela perda de Jules Bianchi, cujo acidente completa exato um ano, e por incidentes como o do outro maluco que atravessou a pista de Xangai em nome do sonho de pilotar uma Ferrari. Toto Wolff foi até bem-humorado ao comentar que o sujeito vinha de alguma festa movido a várias cervejas, mas já seria inaceitável no trânsito normal, o que dirá acima dos 240km/h, tal como se chegava naquele ponto da pista.

Pois se faltava algo para apimentar a corrida, foi o domínio incontestável da Ferrari, no melhor estilo Mercedes. Sebastian Vettel foi, viu e venceu, assim como um rival igualmente louro (mas artificial) num carro prateado tem feito. Desde muito tempo a equipe de Maranello havia marcado um x no GP de Cingapura como aquele que poderia ter as melhores chances, mas não imaginava que a capacidade de tirar o máximo dos pneus mais macios da Pirelli seria tamanha, e que os principais rivais andariam tanto na direção contrária.

Lógico que o melhor seria ver uma briga que não houve, e dificilmente haverá nas paradas restantes do calendário (o México, que volta, quem sabe? Interlagos?). Mas o que mais me preocupou mesmo foi algo cantado em verso e prosa lá no começo do ano, quando o renovado comando ferrarista, talvez escolado pelos fracassos recentes, afirmou que se contentaria com duas vitórias no ano. E que, se viesse uma terceira, seria o caso de sair pelado pelas ruas da pacata Maranello. Pelo bem do esporte, taí uma promessa que não precisa ser cumprida.

Adeus?

Ao que tudo indica, o desempenho pífio (mais um) no fim de semana foi a pá de cal na expectativa de Jenson Button em permanecer na McLaren, e na F-1. Se ano passado ele fez de tudo para ficar, agora que poderia cumprir o segundo ano de contrato parece ter enchido a paciência e é mais um que pretende ser feliz em outras bandas (ou categorias). No estágio atual não, mas se a parceria com a Honda tivesse rendido o esperado, ele ainda seria um nome de peso no pelotão da ponta. Conhecendo o histórico de equipe e fabricante de motores, só dá para considerar errado o timing da reunião, já que correr atrás sem poder testar e com um ano de defasagem para a concorrência foi demais para a dupla.

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