O Safari das Américas

O fim de semana marcou a 37ª edição de um dos ralis mais lendários do calendário internacional, ainda que seja praticamente território de conquista dos donos da casa. Confesso que nem eu sabia que a ideia de criar, no vizinho Paraguai, o Transchaco, surgiu de um norte-americano radicado no país que se inspirou no Rally Safari, do Quênia. E concebeu, em 1971, uma dura maratona de setores cronometrados (não são provas especiais convencionais) pela região do Chaco, numa areia espessa e poeirenta, conhecida como talco.

Os paraguaios têm uma relação de amor com os ralis toda especial – os muito endinheirados traziam máquinas de ponta do WRC – reza a lenda que o representante da Toyota no país uma vez foi ao Quênia para acompanhar o Safari (original) e, tão logo terminou o desafio, perguntou quanto custaria trazer o Toyota Celica ST que havia sido comandado por Juha Kankkunen. A japonesada chutou um valor absurdo, o que não dissuadiu o sujeito, pronto para preencher o cheque e colocar o carro no contêiner. Hoje as atrações são os R5 e Super 2000, permitidos no regulamento dos campeonatos nacional e Codasur. O principal jornal do país (ABC Color) distribui o mapa da prova, tem transmissão por rádio e um assédio todo especial do público, que sabe que não se trata de um desafio qualquer.

Pois foi um piloto com experiência de sobra pelas especiais do WRC, Alejandro Galanti, quem chegou à vitória (sua terceira), com nada menos que sete horas de provas cronometradas. Ele levou o já venerável Corolla S2000 (não é esse da foto abaixo, um sedã 4×2) à primeira posição com 43 segundos de vantagem para Gustavo Saba, com um novíssimo Skoda Fabia R5. Do terceiro em diante, as diferenças foram abissais, como é comum na prova, que viu apenas 10 dos 44 carros que largaram cumprirem toda a distância (796 km) nos três dias de disputa. Uma atração à parte são as gaiolas externas de aço montadas e desmontadas rapidamente pelas equipes, também no melhor estilo do Safari, que a ordem é se defender do melhor modo das armadilhas do caminho. Numa época de eventos pasteurizados e modificados para atender às exigências da TV, que bom que ainda há um desafio com D maiúsculo aqui pertinho… Ano que vem tem mais…

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