A Lewis o que é de Lewis… (Coluna Sexta Marcha – GP dos EUA)

Será que fui a única pessoa no mundo que não achou que o GP dos Estados Unidos foi tudo isso, que esteve longe de ser um clássico? Tudo bem que não faltaram mudanças na liderança, que a condição do asfalto ajudou muito a embolar as cartas e alterou a condição de forças habitual do circo, mas, se esse é o caso, então a teoria provocadora de Bernie Ecclestone teria de ser posta em prática sempre. Basta jogar alguns caminhões-pipa na pista pouco antes da largada, fazer da escolha dos pneus uma loteria e os problemas da F-1 estão resolvidos.

Na verdade Austin mostrou um cenário que, ao fim das 56 voltas, é o que melhor espelha a realidade do campeonato. E consagrou algo que estava escrito talvez não em Melbourne, mas pouco depois. Lewis Hamilton é infinitamente superior a Nico Rosberg e, sem a história dos pontos dobrados no GP decisivo, ou a maré de problemas mecânicos que marcou seu 2014, venceria com facilidade, como venceu. A experiência e a idade trouxeram maturidade e cabeça a um talento indiscutível – tudo bem que certos comentários e reclamações pelo rádio são dispensáveis, mas até isso passa.

E, com o perdão do trocadilho infame, é chover no molhado dizer que o tri foi o mais fácil dos títulos conquistados pelo nativo de Stevenage, que, em 2008, precisou da proverbial rodada de Timo Glock na Subida do Café, em Interlagos, para ficar com a taça e, ano passado, teve de remar muito até ficar em situação favorável. É até engraçado notar que, embora haja cinco campeões mundiais no grid, apenas um é realmente capaz de incomodar o britânico, ainda que dois deles estejam limitados pelo equipamento. Sebastian Vettel é hoje o grande rival de Hamilton e, se a Ferrari tivesse noção desde o início de que poderia incomodar as Flechas de Prata, talvez a luta se estendesse mais um pouco, mas não mais do que isso.

Agora que a categoria faz as malas para atravessar a fronteira e retornar ao México, para o primeiro de três “amistosos”, me pego apenas pensando no que vem por aí em 2016. Nem mesmo toda a genialidade de Adrian Newey será capaz de conceber um carro eficiente para a Red Bull sem um motor definido a esta altura do campeonato – e olha que agora a unidade de potência influi muito mais na eficiência aerodinâmica e do conjunto. Como o mesmo vale para a Toro Rosso, é difícil acreditar que Force India e Lotus (ou Renault, vai saber) incomodem os três times que hoje dão as cartas. E é praticamente impossível que a Williams, com suas limitações, faça melhor do que sua fornecedora de motores, que ainda por cima pode guardar para si o que tem de melhor.

Sem contar que essa obsessão do regulamento em limitar a troca de componentes acaba criando uma situação que beira o grotesco. Ok, está certo definir um máximo, tentar frear a farra de gastos e obrigar as escuderias a se virar, mas elas preferem perder 15, 20, 50 posições, o que, no fim das contas, não muda tanto assim. Só embola a cabeça do torcedor, que vê uma coisa no treino oficial e outra completamente distinta no grid. E o “quase furacão” no Texas voltou a mostrar, como já havia sido o caso no Japão, há alguns anos, que a programação de cada GP se encaixaria perfeitamente em dois dias e que a sexta-feira é completamente dispensável do ponto de vista da emoção, ainda mais com um calendário inflacionado.

Não dá para virar as regras de ponta a cabeça, mas é bom que se aproveite este fim de ano com tudo definido para pensar em formas de ajustar as coisas. No mais, todos os méritos ao mais novo tricampeão do circo, merecidamente, e capaz de fazer bem mais. E pensar que a renovação de contrato resolvida primeiro foi a do companheiro de equipe, vai entender…

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