Estão começando a inventar…

Sou do tempo em que cada modalidade de automobilismo tinha suas características, que a tornavam especial e atraente. A pista tem os contatos, a briga por posições e as ultrapassagens; o rally, por sua vez, o desafio contra o cronômetro em condições muitas vezes incertas e inesperadas (não estamos falando de 30, 40 ou 50 voltas por um mesmo traçado); o rallycross resolveu juntar o melhor dos dois mundos, criando algumas novidades dignas de um esporte mais recente e que é capaz de se adaptar a espaços diferentes – os norte-americanos começaram a colocar saltos e optar por percursos urbanos temporários; os europeus, mais fieis à tradição, apenas deram um jeito de apimentar as disputas com a criação (francesa) da joker lap, uma passagem obrigatória por um traçado alternativo que pode fazer ganhar ou perder tempo.

       Super TC2000/divulgação

Mas e quando a ideia de uma modalidade acaba incorporada por outra, mudando completamente tudo aquilo a que estávamos acostumados até então? Eu explico: na 10ª etapa do Super TC2000 argentino, em Mendoza, os organizadores do campeonato resolveram adotar uma joker lap num campeonato de pista. Talvez pela configuração do traçado, não muito técnico. A questão é que não bastasse a polêmica inicial, outra foi criada, já que Norberto Fontana (ele mesmo, o ex-Sauber na F-1) venceu, mas não levou, porque desrespeitou a marcação da zona de entrada no “atalho”, alegando que não houve orientação no briefing dos pilotos.

Uma enquete feita pela revista Campeones mostra que a ideia é, no mínimo, questionável – se 51% dos que responderam consideraram a inovação interessante, os 49% restantes não gostaram. E o meu medo é que a coisa acabe degringolando e se perca a essência das competições em circuitos. Mais um pouco e, além de atalhos ou voltas mais longas, os pilotos vão ser obrigados a descer do carro, tocar um painel nos boxes, dar dois pulinhos, responder perguntas, trocar um dos pneus (eles mesmos, não os mecânicos) e voltar à pista. Melhor ir com calma, já que um fator não pode mudar jamais: o mais rápido, ou bravo, ou talentoso, ou dono do melhor conjunto, deve ser o vencedor. Quando não for o caso, tem coisa muito errada…

Hamilton

Até agora não entendi toda a celeuma criada em torno de uma possível ausência de Lewis Hamilton do GP do Brasil, por um suposto mal-estar. Um site (de fofocas e gossip, aliás) noticiou, sabe-se lá baseado em quê, e considerando que a agenda do tricampeão para hoje, em São Paulo, foi cancelada. A questão é que ninguém mais, no mundo inteiro, considerou tal possibilidade. E quem leu nas redes sociais começou a achar que era complô para prejudicar Nico Rosberg na luta com Sebastian Vettel. Ora, se a Mercedes é o melhor carro e o melhor piloto não corre, você está é beneficiando o outro. E duvido muito que o inglês perderia a chance de surfar na onda de sua idolatria a Ayrton Senna, especialmente porque vencer pela primeira vez em Interlagos teria significado mais do que especial. Tem gente exagerando no tratamento da notícia e fugindo dos preceitos básicos do bom jornalismo, o que é perigoso…

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