Bem na FIA e na fita…

Última reunião do ano do Conselho Mundial de Esporte Motor da FIA (o WMSC) e a principal novidade em termos de F-1 foi a confirmação de que as escuderias poderão escolher, a cada GP, entre três compostos distintos de pneus, com direito a um jogo extra da opção mais macia para a última parte da qualificação. Além disso, se você ainda não viu, Jean Todt e Bernie Ecclestone conseguiram poder para interferir nos regulamentos técnico e esportivo de forma mais direta, sem depender da unanimidade ou do consenso dos times, o que pode ser bastante útil, por exemplo, para a adoção de um motor mais barato, ou de decisões que favoreçam o espetáculo e a segurança.

Dito isso, eu gostei de um ponto bem menos destacado, que é a preocupação com o percurso de base e a formação dos jovens pilotos. Com o crescimento do Europeu de Fórmula 3, praticamente todas as demais séries da categoria sucumbiram, exceção feita ao Japão, ao Brasil e a Austrália – os dois últimos com regras próprias quanto aos motores. Pois enfim a cartolada se deu conta de que não adianta ter em torno de 300 pilotos disputando os diversos campeonatos da F-4 (esta sim forte nos países, com certames na França, Alemanha, Itália, Inglaterra, Japão e proximamente nos Estados Unidos e na Ásia), se haverá apenas 35 vagas no passo seguinte.

Pois uma das preocupações da comissão de monopostos da entidade máxima do automobilismo mundial é voltar a democratizar a F-3, reforçando os certames regionais. Talvez com motores menos potentes e regulamentos pensados para evitar gastos absurdos, e como uma primeira peneira rumo ao Euro F-3, à GP3 e à Fórmula 3.5 V8 (ex-Renault World Series). Os atuais chassis Dallara F312 tiveram seu ciclo de vida estendido até 2019, justamente para evitar novos investimentos.

Pois a ideia da FIA é fazer do Brasil o polo da categoria na América do Sul, não necessariamente com um campeonato sul-americano, como era o caso, mas oferecendo uma série competitiva e forte o suficiente para atrair os vizinhos. O melhor de tudo é que, na prática, esse campeonato já existe, valendo-se dos motores Berta argentinos (Ford revistos pelo “mago de Alta Gracia”). E ainda que fosse o caso de mudar os propulsores, pouco teria de ser feito para alcançar o status desejado pela federação. Equipes boas e tradicionais há de sobra (Cesário, Prop Car, Hitech Brasil, RR Racing, entre outras), a presença no guarda-chuva de categorias organizadas pela Vicar é garantia de promoção e divulgação. Enquanto os países europeus vão ter que remar tudo de novo depois de dar fim a seus outrora fortíssimos campeonatos, por aqui o trabalho será mínimo.

O problema, no entanto, é outro: de nada adianta ter a F-3 como quer a FIA se não há ainda uma F-4 capaz de garantir à meninada saída do kart o primeiro contato com asas e câmbio. Seria a F-Inter, que vem por aí em breve? O importante é fazer tudo como manda o figurino, já que, como bem se lembra por aí, o salto a la Max Verstappen é exceção, não a regra.

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