Hyundai i20 WRC: carro novo de vida curta…

       Hyundai Motorsport/divulgação

Então você está representado oficialmente há dois anos no WRC, conseguiu vencer uma prova e se prepara para a terceira temporada com um novo modelo, já que o desenho anterior envelheceu e deixou as concessionárias. Por questões de mercado, troca as duas portas (eu havia escrito rodas…) pelas quatro, inicia projetos, testes, mais projetos, mais testes, pega uma base “verde” e passa a desenvolvê-la com ajustes finos de chassi, suspensão, faz os ajustes aos pneus Michelin. Por um bom tempo o resultado passeou pelas estradas de asfalto e terra da Europa vestido apenas com uma camuflagem de testes, que mostrou as formas e linhas do modelo.

Mas, eis que no meio do trabalho, a FIA, os organizadores do Mundial de Rali e as montadoras envolvidas resolvem mudar as regras em nome do espetáculo. Se a base é a mesma, os carros serão mais largos, mais potentes e com visual agressivo, além de mudanças na distribuição de peso, nos freios – estamos falando de cerca de 70 cavalos a mais, tirados ainda de propulsores 1.600cc turbo. Pois é, a Hyundai, de certo modo, foi pega com as calças na mão, já que investiu para desenvolver um novo modelo (a versão atual de venda do i20, diga-se de passagem, bem mais parruda que a do “primo” HB20) que durará… um ano exato. Depois, ao menos para o WRC, ficará obsoleto.

Tirando os projetos feitos em 1985/86, que não chegaram a ganhar as competições com o banimento do perigoso (e espetacular) Grupo B, não me lembro de um carro que tenha servido tão pouco. E o pior é que, tirando a carroceria, praticamente nada serve de base para o que virá em 2017. O lado positivo é que o trabalho comandado pelo monegasco Michel Nandan na sede alemã de Alzenau serviu para a criação de uma versão R5, essa sim bastante próxima, sem contar que, daqui a pouco mais de um ano, poderá acelerar nas mãos de times semioficiais (como o HMI italiano) ou privados, nos campeonatos que aceitam esse tipo de equipamento – caso, por exemplo, do CIWRC italiano de que tive o privilégio de disputar o recente Rally de Como, não com um WRC, lógico, mas com um bem mais modesto R1. É pra dizer que foi muito trabalho por quase nada, mas ficou bonito e promete dar trabalho aos VW Polo…

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