Losango enrolado…

Desde que a Renault começou a considerar um retorno ao Mundial de F-1 com uma equipe própria eu achei estranho. Afinal, por mais que o Cingapuragate tenha influído na decisão de deixar o circo, a maior preocupação era com os pesados investimentos, algo com que o presidente mundial da montadora, o brasileiro Carlos Ghosn, não concordava diante do retorno obtido – e já quando a turma do losango dava lugar à Lotus os motores fabricados em Viry-Chatillon começavam a dar as cartas ao lado das máquinas de Adrian Newey, comandadas por um certo Sebastian Vettel.

       Renault Sport F1/divulgação

Tudo bem que talvez o touro vermelho, Newey e Vettel ofuscassem o trabalho da turma comandada por Rob White, mas, ainda assim era uma parceria vencedora, que só fazia bem para a imagem da montadora, desanimada com a perspectiva de ter tudo no próprio galpão, o que Toyota, BMW e Honda já haviam concluído. O V6 híbrido, conhecido como Energy, foi o primeiro a aparecer, mas não manteve a tradição de sucesso dos V8 aspirados, e aí começou a troca de acusações e a queda de rendimento que o leitor há de ter acompanhado. Enquanto isso, voltaram a ter força as conversas para um retorno da Renault em primeira pessoa.

É bem verdade que a Lotus, ao que se comenta, foi recomprada a preço de banana (apesar da imensa dívida, que alguém tem de pagar) e é bem provável que Ghosn tenha conseguido, de Bernie Ecclestone, o que queria: que os franceses também tivessem um bônus nos direitos comerciais por antiguidade e tradição, sempre algum milhão de dólares ou outro a mais. Só não entendo é o desejo de voltar na ponta dos pés, sem nada do que marcou o desafio tecnológico dos franceses no circo. Eles trouxeram o turbo, apostaram num motor com 120 graus entre as bancadas de cilindros, em 2000 (não deu tão certo…) e outras novidades mais.

Agora, muito provavelmente vão aproveitar o projeto que já havia sido iniciado pela Lotus (em meio à sua pindaíba), com alguns toques do projetista Bob Bell, que é bom de serviço, mas não faz milagre. Patrocinador de peso, por enquanto, não há, a não ser os apoiadores técnicos (a Total é a primeira delas, parceira de outros carnavais). E Pastor Maldonado e Jolyon Palmer não são uma dupla digna de quem quer voltar a brilhar, com todo o respeito. Havia gente melhor no mercado, que seja para incomodar no pelotão intermediário, já que é difícil fazer mais. O mais engraçado é que baterias, MGU-K e MGU-H não serão aproveitados da Red Bull, que desenvolve os seus, mas desenvolvidos em conjunto com a grande rival Mercedes. Sem contar que parte do dinheiro usado saiu da Renault World Series, que perdeu o apoio da fábrica e agora é simplesmente a Fórmula 3.5 V8, desvinculada da F-Renault.

Fico vendo tudo isso e só posso pensar que Ghosn sabe de alguma coisa que eu não sei; ou o grupo que comanda está estranhamente interessado e satisfeito em fazer figuração, o que eu não acredito – ainda mais com as dificuldades da “afilhada” Nissan no Mundial de Endurance. A questão a se saber é se é um retorno a comemorar, ou se logo uma equipe que nasceu Toleman, virou Benetton, ganhou o losango famoso para então virar Lotus vai se transformar nos próximos anos em outra coisa.

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