Ainda há um rali que leva a Dakar…

       Africa Eco Race/divulgação

Falar em rally e Dakar significa, desde 2009, citar obrigatoriamente a América do Sul, certo? Mais ou menos. Porque os problemas políticos e logísticos podem ter levado a mais tradicional prova do fora de estrada mundial a atravessar o Atlântico e ficar o pé na nossa vizinhança, mas a África não ficou totalmente órfã de uma maratona do tipo. E enquanto algumas das principais equipes da modalidade chegam a Buenos Aires para a largada de mais uma edição do Dakar, tem gente já acelerando do outro lado do oceano, na nona edição da Africa Eco Race. Que deixou o principado de Mônaco… rumo à capital do Senegal, tal como fazia o desafio criado pelo saudoso Thierry Sabine.

E olha que nesse período a prova deixou de ser uma reunião de saudosistas – o principal deles Jean-Louis Schlesser, aquele mesmo que foi campeão mundial de endurance e também se notabilizou por provocar o abandono de Ayrton Senna na Itália’1988 – para ganhar grids mais que razoáveis. Nos primeiros anos o número de participantes era pífio e poucos acreditavam que a prova se estabeleceria no calendário. Até para fugir de guerrilhas e movimentos separatistas ou terroristas, optou-se por evitar regiões como a do Tenèrè, no coração do Deserto do Saara, assim como Argélia, Mali e Níger. Mas mesmo beirando a costa, há dunas e caminhos dificílimos, capazes de testar mesmo os times e pilotos profissionais.

Que, aliás, começaram a se deixar seduzir pela maratona, trocando a América do Sul por Marrocos, Mauritânia e Senegal. Neste ano, os russos da Kamaz não fizeram por menos, e inscreveram seu esquadrão nas duas provas. Nas motos, alguns pilotos de currículo de vitórias e títulos (caso do norueguês Pal Anders Ullevalseter, atual campeão, e que andou nas trilhas mineiras durante a etapa brasileira do Mundial de Enduro, em 1998) resolveram mudar de continente. O mesmo ocorre agora com os carros, em que o nível cresceu bastante. E tem inclusive participação brasileira, com Maykel Justo navegando para o português Ricardo Leal dos Santos (repetem dobradinha do Dakar), a bordo de uma picape Nissan.

Com 29 motos, 30 carros e sete caminhões, o nível está longe de ser ridículo. E a tendência é que cada vez mais gente volte às origens, considerando o profissionalismo exagerado e o grau de dificuldade do Dakar sul-americano – falta espaço para feitos como carregar todo o material de assistência nas costas ou acelerar pequenas motos de 125cc; carros antigos, mas capazes de vencer o desafio, ou os feitos dos pilotos privados, sem patrocinadores milionários ou equipamento de ponta. Se dá para ter as duas provas convivendo simultaneamente, tanto melhor. E “chapeau” pra quem consegue vencer os obstáculos e armadilhas de uma como da outra…

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