2015, um ano que…

Então mais uma temporada chega ao fim e é o caso de se perguntar, a la Fernando Alonso (ele usou a metáfora nos tempos da Ferrari, quando ainda tinha motivos), se o copo está meio cheio ou meio vazio. Prefiro a primeira hipótese, ainda que haja muito a lamentar e questionar. Afinal, e começando do mais importante, o Mundial de F-1 foi de um desenrolar desanimador. Nem tanto pela dominação das Mercedes (e principalmente de Lewis Hamilton), mas principalmente devido às chatices de bastidores, as polêmicas de quarteirão que só ajudaram a diminuir um interesse que já andava em baixa pelo que se viu na pista. E Bernie Ecclestone tem razão ao reclamar e tentar mudanças (caso do motor “cliente”, que não emplacou), mas dificilmente vai conseguir algo a curto prazo.

E, a bem da verdade, olhando no horizonte, ganhou nas principais categorias quem era favorito, não só o tricampeão de Stevenage. Foi assim também com Sebastien Ogier (WRC), Pechito López (WTCC), Stoffel Vandoorne (GP2 – aliás, é mais um absurdo um dos mais talentosos pilotos dos últimos tempos ser escanteado pela McLaren depois de mostrar que merecia subir já ano que vem para a F-1), ou mesmo o trio Webber (sim, ele finalmente foi campeão), Bernhard e Hartley, com a Porsche, no Mundial de Endurance. Mas, diferentemente do circo, na maioria dos campeonatos não teve gente ameaçando uma soneca ao ver as corridas, emoção houve e boas disputas também. Na Moto GP, aliás, a briga foi tanta que exigiu intervenção da FIM para evitar incidentes mais sérios – em todo caso Jorge Lorenzo e Valentino Rossi brindaram quem é apaixonado pela velocidade com uma decisão de tirar o fôlego.
E há de se lamentar que muito ainda precisa ser feito pela segurança dos atores do espetáculo, considerando que perdeu-se Jules Bianchi, Justin Wilson, pilotos e navegadores em ralis pelo mundo. Mas também houve façanhas, especialmente de uma turma de Stuttgart – não dá para definir de outro modo o que fizeram Nico Hulkenberg, Nick Tandy e Earl Bamber nas 24h de Le Mans, com o 919 Hybrid; ou Patrick Pilet e de novo Tandy ao levar o “modesto” 911 RSR a vencer protótipos bem mais potentes no aguaceiro da Petit Le Mans.
Com relação à representação verde e amarela, se a quantidade há muito tempo foi para o espaço, a qualidade resiste, de teimosa. E não são os campeões da temporada, Christian Fittipaldi (IMSA), Nelsinho Piquet (o primeiro da história da F-E) e Vítor Baptista (Euroformula Open) a me desmentir, assim como João Paulo Oliveira (Super GT/Japão), Sergio Sette Câmara (F-3 Europeia), Lucas di Grassi, Pipo Derani e Fernando Rees (WEC), Oswaldo Negri e Bruno Junqueira (também IMSA), todos vencedores ou visitantes dos pódios. Pena que, da lista, poucos são promessas, a maioria já tem carreiras consolidadas, o que significa que a renovação não vem na velocidade esperada.
Por aqui, o automobilismo rendeu o que dele se esperava, com uma F-3 animada, uma Stock movimentada, um Brasileiro de Marcas que se consolida, outro de Turismo que insiste e uma F-Truck que segue sendo um oásis de popularidade e interesse. E se Interlagos ganhou roupa nova (não para nenhuma dessas, que fique claro), Brasília continua fechada; da pista que substituirá Jacarepaguá nem conversa, Curitiba, ao que tudo indica, vai realmente fechar as portas. Ainda bem que, na contramão, tem um circuito novo chegando com o ano que se inicia amanhã, uma pista que tirou não só o meu fôlego, mas de gente muito mais competente e rápida que também teve chance de acelerar pelos mais de quatro quilômetros de asfalto em meio às montanhas e aos cristais de Curvelo. A gauchada boa de braço e de eventos segura no laço a Endurance, o rally de velocidade é apenas a sombra pálida do que poderia ser e felizmente os certames regionais mostram que há vontade e gente disposta.
Enfim, teve bom, mas pode ser muito melhor. E como parece difícil acreditar em revoluções para 2016, que todos os campeonatos avancem, haja entendimento e colaboração entre organizadores, pilotos e equipes; oportunidade para quem merece, sucesso para quem trabalha, mais vitórias, títulos e motivos para seguir amando esse esporte tão sensacional. Um feliz 2016, na velocidade certa…

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