Uma categoria, e mais de 120 carros…

Crise é uma palavra que não existe no panorama da caçula das categorias do turismo internacional, a TCR, que fechou em 2015 sua primeira temporada, no que seria um ano de ajustes e aprendizado. A ideia de partir do exemplo da Seat Leon Cup, com os modelos de 300cv, câmbio sequencial e custo do carro limitado a 100 mil euros (ou R$ 415 mil) não só inspirou outros fabricantes a entrar na brincadeira, como deu a eles a chance de valorizar suas marcas e produtos por meio dos clientes, sem depender de times oficiais. Na esteira vieram a Honda, a VW/Audi, a Opel (GM), e, de forma mais modesta, Ford, Subaru e agora a Alfa Romeo, por meio de um preparador independente, a italiana Romeo Ferraris (na foto está a Giulietta TCR).

          TCR Series/divulgação
Homem-forte do Mundial de Turismo (o WTCC) até ter o tapete puxado pela Eurosport, emissora de TV a cabo que detém os direitos da competição, Marcello Lotti, por assim dizer, se vingou perfeitamente. E deu origem a um campeonato que, na verdade, são vários, já que há a série internacional (o suíço Stefano Comini, com um Seat, foi o primeiro campeão), a asiática, que também começou ano passado e, agora, será a vez de Alemanha, Benelux (Bélgica/Holanda/Luxemburgo), Itália e Portugal entrarem na brincadeira. Com o detalhe de que o regulamento não muda em praticamente nada (os pneus podem ser exceção, dependendo do caso). Já imaginou se o Brasileiro de Motociclismo usasse as máquinas da Moto GP? Pois comparando as coisas, é mais ou menos o que acontece com a TCR. As equipes podem aproveitar para alinhar em vários campeonatos, amortizando os custos e o investimento.
As fábricas e preparadores independentes que resolveram apostar no conceito riem de dar gargalhadas. Afinal, se somarmos as diversas séries, serão mais de 120 carros em ação – no panorama atual, apenas a F-4 apresenta números semelhantes, mas nem sempre os chassis são os mesmos, diferentemente do TCR. E quanto mais se produz, mais baratos ficam os componentes – é uma das vantagens da fabricação em larga escala. Sem contar que os melhores nos diversos países podem dar o salto e brigar pela coroa internacional sem tanta dificuldade. E olha que mais uma vez Lotti vai levar seu brinquedo para fazer a preliminar de três GPs da F-1, com o aval de Bernie Ecclestone, que gostou do que viu.
Com alguns dos carros de passeio que disputam a série à venda no Brasil (Golf, Focus e Impreza), não seria uma má ideia investir no conceito, já que, apesar da presença da Stock e do Marcas, ainda haveria espaço para um campeonato bem organizado e promovido. E poderíamos abrir as portas para a vinda de uma etapa da série internacional, que está atenta à América do Sul. Por enquanto, é o caso de acompanhar de longe e aplaudir o fato de que é possível ter automobilismo de alto nível sem gastos estratosféricos. Só para que o leitor entenda, uma máquina do WTCC tem custo estimado em 500 mil euros (R$ 2,2 milhões). Não por acaso, este ano serão menos de 20 em ação, enquanto os grids do TCR estarão repletos em sua maioria. Quem disse que menos não pode ser mais?
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