A batata do bom Pastor queimou…

Não dá para subestimar um vencedor de GP na Fórmula 1 (quanto mais com uma Williams em 2012, quando o time de Grove estava longe dos anos de glória), ainda que o conjunto da obra do autor da façanha no circo tenda mais para o lado negativo. Mas a bem da verdade Pastor Maldonado não era presença obrigatória no grid para os próximos anos, daqueles pilotos que você não consegue imaginar fora da categoria, ou cuja ausência faça efetivamente a diferença. E ainda que uma coisa não tivesse a ver com a outra – a necessidade da Renault em contar com um nome capaz de liderá-la e o suporte dado pela petroleira venezuelana a seu pupilo – havia algo no ar dando a entender que a dupla anunciada para o time francês não seria aquela a alinhar em Melbourne para o começo do campeonato. Até onde consta, Jolyon Palmer não levou a mala tão recheada de dólares (só pelo próprio talento, que é até razoável, é que não foi determinada sua escolha). Por outro lado, deve ter cumprido o que prometeu, o que parece não ser o caso pelos lados da Venezuela. O crescimento da oposição ao presidente Nicolás Maduro e a queda dos preços do petróleo tornaram no mínimo temerário investir cerca de R$ 170 milhões (sim, é isso mesmo) em uma ficha só.

Eis que Maldonado sênior (brincadeira, já que seu irmão mais novo Manuel, está prestes a estrear na F-4 italiana) se vê refém de um problema sério no automobilismo atual, a dependência exclusiva de um patrocinador. É assim também com a turma mexicana, totalmente atrelada à Telmex; é assim também com Felipe Nasr, que vai ter de cortar um dobrado no dia em que o Banco do Brasil resolver fechar a torneira. E como bem lembrava o saudoso Ayrton Senna, “no money, no race”, ou quase. Sim, porque é lógico que os milhões de dólares da PDVSA fariam diferença para a Renault, mas muito menos do que para um time de fim de fila como Sauber ou Manor – estamos falando de um dos maiores conglomerados produtores de automóveis do planeta – mas é possível seguir adiante sem eles, e sem depender de um substituto que traga um cheque ao menos próximo. Justamente por isso o nome que surge como aquele que muito provavelmente será apresentado quarta-feira, em Paris, com as novas cores e a nova administração da ex-Lotus, que é ex-Renault…, desperta interesse e é digno de elogios. Kevin Magnussen tem um “unfinished business” no circo, não esqueçamos que estreou com um pódio em 2014, e o modo pelo qual foi chutado da McLaren não foi dos mais dignos. Ao menos tende a dar menos trabalho aos comissários e à turma da lanternagem, e tem tudo para enfiar o bico entre o grupo dos 10 com uma boa frequência. Sem contar que, aí sim, teremos uma dupla mais à altura da tradição da Règie, como os franceses conhecem a marca do losango.

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