Daytona: queimei a língua, ainda bem…

Chega ao fim a 54ª edição das 24h de Daytona e com uma série de feitos inéditos. Pela primeira vez um carro conforme o regulamento LMP2 venceu uma prova com duas voltas no relógio; pela primeira vez uma máquina que tivesse um Honda escrito no capô levou a melhor no World Center of Racing (será pretensão deles?) e, o que é ainda melhor, Pipo Derani mostrou que já é gente grande na endurance mundial ao fazer boa parte do trabalho com a frieza de um veterano. Filho de piloto e parte daquela turma invejável que não precisa se preocupar com a conta bancária em casa, ele acordou para uma realidade cada vez mais forte no automobilismo mundial. Se nas categorias de fórmula é necessário levar dinheiro, e muito, nos protótipos e GTs é possível ser recompensado e fazer seu nome na base do quanto eu acelero, não do quanto eu tenho. E o mais impressionante é que a prova foi rocambolesca e o patrão do time ESM Tequila Patrón, Ed Brown (trocadilho infame…) foi abalroado por outro gentleman driver com equipamento igual, John Pew, com o Ligier Honda do time de Michael Shank, no começo da noite. Por sorte os problemas dos outros foram tantos que uma recuperação se fez possível e foi mais do que justa. E não deixa de ser uma prévia da aposentadoria dos Daytona Prototypes, que costumavam levar vantagem nos retões inclinados, mas desta vez se renderam a equipamento bem mais moderno e equilibrado. Bacana também pela presença da marca do saudoso Guy Ligier, que era parceiro da OnRoak (ex-Oak), a fabricante do chassi – o modelo 2017 seguirá levando o nome tradicional e conhecido.

De tirar o fôlego a briga doméstica entre as Corvettes pela vitória na GTLM, com Antonio Garcia e Oliver Gavin trocando tinta nas últimas voltas, mas com muita lealdade e noção de até onde ir. Prevaleceu o carro do inglês, ainda com Tommy Milner e Marcel Fässler. Muito legal ainda ver Daniel Serra fazendo bonito no comando da Ferrari 488 GTE da Scuderia Corsa, quarta no fim. Serrinha é mais um que finalmente encontra um caminho à altura do talento. Rubens Barrichello não ficou atrás do alemão desta vez, foi segundo com direito (se existisse), a prêmio de coadjuvante, já que pouco pilotou o Dallara Corvette DP #10, mas fez sua parte como pedido pela equipe de Wayne Taylor (e filhos). Christian Fittipaldi não venceu desta vez porque o carro não permitiu, mas parte com força rumo a mais um título da IMSA. O trabalho de equilíbrio de performance (o famigerado BOP) deu resultado e garantiu equilíbrio, a única nota destoante foi o desempenho impressionante das Lamborghini Huracán, que jantavam carros de categorias maiores nos retões. Que venha Sebring, e que venha 2017, quando, ao que tudo indica, Chevrolet (Cadillac), Bentley, Honda, Mazda (isso entre os protótipos) prometem vir com tudo.

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