Coisa feia a lambança na Stock…

Tomei um susto quando abri a internet hoje e vi a matéria na Folha de São Paulo sobre a troca de mensagens entre comissários da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) no Whatsapp, sugerindo possíveis represálias a Cacá Bueno num episódio em que houve erros sérios. Para o leitor que não se lembra, ele venceu a etapa de Ribeirão Preto da Stock, ano passado, mas, como quem deveria mostrar a quadriculada não o fez, chegou a uma área em que a prova já estava neutralizada muito mais rápido do que deveria, o que poderia ter causado uma tragédia, especialmente por se tratar de um circuito de rua. Soltou o verbo pelo rádio da equipe e, como a direção de prova tem acesso às comunicações, foi punido com uma prova de suspensão. E praticamente deu ali adeus à chance de mais um título.

Ainda que tenha sido molecagem a conversa entre um comissário e um auxiliar de comissário, como a dupla alega, é absurdo sugerir qualquer tipo de prejuízo a que piloto seja, pondo o trabalho de todos os colegas (oficiais de prova) sob suspeita. Concordo com o que foi alegado pela CBA de que inventar punições, especialmente de caráter técnico, é muito complicado, já que o que se exige de pilotos e equipes é que andem na linha – tradicionalmente, quando acontece, é coisa soprada por um time rival, funciona assim até na F-1, levanta-se um questionamento sobre um componente do carro, ou um comportamento de quem o comanda e aí se vê quem passou do limite ou não. Já tive carro vistoriado numa etapa do Brasileiro de Rally e tudo se deu aos meus olhos, de forma clara e transparente, como o de todos os adversários – somente então se homologa o resultado oficial.

Por outro lado, um comissário, tal e qual um policial armado, tem que saber fazer bom uso do poder que tem, ou a coisa pode não acabar bem. Sei que muitas vezes são voluntários, apaixonados pelo esporte, mas o preparo tem de incluir o respeito aos competidores, à lisura da competição. Dizer que Cacá, ou fulano, ou sicrano é um “chato”, uma “mala” porque questiona ou reclama pelo rádio é uma coisa; dar a entender que poderiam agir para prejudicá-lo é algo muito mais sério. Tudo bem que é no mínimo estranho que conversas de abril tenham aparecido apenas agora (haja memória nesses celulares), mas nunca é tarde para se responder a algo inaceitável. Resta saber se o cesto vai realmente ficar livre das maçãs podres com o afastamento dos envolvidos, porque a vigilância agora de quem realmente gosta do esporte será redobrada, já a partir de domingo, em Curitiba. E aí, é como a história da mulher de César: não adianta ser só honesto, tem que parecer também…

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