É…bom, quer dizer… (Coluna Sexta Marcha – GP da Austrália)

Largada do GP da Austrália, Sebastian Vettel e Kimi Räikkönen surpreendem Nico Rosberg e Lewis Hamilton e saltam na frente. Pronto, teremos uma temporada daquelas, nada será insosso e de dar sono como ano passado. Se eu fosse um desses adolescentes vidrados em Whatsapp ou outro aplicativo de mídia social, completaria a frase com um #SQN, que, pra quem não conhece, é uma abreviação preguiçosa e divertida de ‘só que não’.

Porque tudo o que a Fórmula 1 não precisava na busca desesperada por audiência e prestígio que andaram sumindo vertiginosamente nos últimos anos era de um fim de semana como o de Melbourne. Começou com a qualificação desastrosa – e eu achava que valia a pena tentar embora o sistema atual tivesse lá sua emoção. Mas o problema de decidir apenas no papel sem a certeza de como será na prática é que tudo pode se revelar um desastre, como realmente foi. Alguém inicia o Q3 com uma volta tão rápida que pode desestimular a concorrência a tentar qualquer coisa. E aí não tem eliminação, olho no cronômetro, ansiedade até o fim, como não foi o caso.

Continua com o assustador acidente entre Fernando Alonso e Esteban Gutiérrez, que confirma que tragédia, ainda que não tenha havido alguma (felizmente), ainda vende e chama a atenção bem mais do que qualquer ação na pista. Não se via nada parecido desde Robert Kubica no Canadá’2007 (o acidente que proporcionou a estreia de Vettel nos EUA) e, lá como cá, é de se louvar o grau de resistência da célula de sobrevivência. Só que a imagem da segunda-feira não é Nico Rosberg festejando no alto do pódio, e sim o espanhol no avião de volta para casa lendo o jornal que mostra uma de suas capotagens com os dizeres “o mais sortudo homem vivo”.

Para piorar as coisas, a chacoalhada na estratégia de pitstops acabou beneficiando quem menos precisava dela. Antes mesmo da bandeira vermelha Hamilton já havia feito sua parada e apelado para o único jogo de pneus médios que escolheu. Vettel também já tinha parado, mas poderia trocar os pneus quando os carros se enfileiraram nos boxes, exatamente como faria o futuro vencedor. A turma de vermelho (a equipe e o composto de borracha) manteve a aposta e é desnecessário dizer no que deu, depois do começo de prova sensacional dos carros de Maranello. Não bastasse isso, tudo o que não se pôde falar por rádio durante a prova foi repassado pelos engenheiros aos pilotos na parada forçada.

Some tudo é dá para entender o motivo de Tio Bernie e outros usarem até palavrões para definir o que aconteceu. Ultrapassagens até que houve, momentos positivos também – a estreia da Haas foi uma agradável novidade (só para Sauber e Manor que não…), mas o saldo esteve longe de ser o esperado. Quer dizer que vai acontecer ao longo de todo o ano e em todas as pistas? Cedo para prever. Mas é bom que as próximas mudanças e ideias sejam bem mais discutidas, testadas e os pilotos ouvidos, ou  a temporada vai se transformar num eterno muro das lamentações. O que, a essa altura, para o circo, é o pior que poderia acontecer.

*** Em tempo, teve gente reclamando que a categoria não cumpriu a promessa de revelar quem foi o piloto da corrida na opinião dos internautas, outra novidade para este ano. Cumpriu sim, mas com atraso, só na segunda-feira. E se Romain Grosjean foi (justamente) indicado, a quantidade de gente que disse ter votado em Rio Haryanto mostra que a iniciativa também não dura muito…

alo

 

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