Ao menos sobra qualidade (agenda da velocidade)

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Eu bem disse que a agenda dos dois últimos finais de semana seria capaz de deixar grudados os mais fominhas diante da TV ou do computador, tamanha a quantidade de eventos. E por mais que sobrem categorias interessantes e dignas de nota pelos quatro cantos do mundo, não é sempre que a lista vem repleta daquele jeito. O que não quer dizer que pouca quantidade não seja sinônimo de qualidade, que é mais que razoável. Afinal, se temos finalmente a Fórmula 1 retornando à Europa (sem bem que pelo extremo leste, o que é novidade), as Superbikes acelerando em Imola e a Nascar baixando em um de seus tempos, o superspeedway de Talladega, já dá para se divertir bastante – olha que ainda tem o Weather Tech Sportscar Championship em Laguna Seca, pista que vale a pena até em corrida de patinete. Por aqui, destaque para a segunda prova do Endurance Brasil, o Gaúcho da modalidade que, como eu já comentei umas 500 vezes, segura as pontas das provas de longa duração no país, para não deixar que elas morram de inanição. No mais, aproveite…
Internacional

Mundial de Fórmula 1: quarta etapa – GP da Rússia (Sochi)

Mundial de Superbikes (WSBK): quinta etapa – Imola (ITA)
Weather Tech Sportscar: quarta etapa – Laguna Seca
Nascar Sprint Cup: décima etapa – Geico 500 (Talladega)
Nascar Xfinity Series: nona etapa – Sparks Energy 300 (Talladega)
Nacional
Gaúcho de Endurance/Endurance Brasil: segunda etapa – Guaporé
Na telinha
Sábado
6h           Fórmula 1: GP da Rússia (terceiro treino livre)           Sportv
9h            Fórmula 1: GP da Rússia (treino oficial)           Sportv (*)
(*) Q3 também na Globo
17h30      Nascar Xfinity: etapa de Talladega                     Fox Sports 2
Domingo
9h           Fórmula 1: GP da Rússia         Globo
14h         Nascar Sprint Cup: etapa de Talladega      Fox Sports 2
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Glu, glu, glu, abram asas pra perua…

Tomei emprestados, com uma leve mudança, os versos de uma das músicas do inesquecível Vinícius de Morais em uma de suas obras-primas (o infantil Arca de Noé) pra comentar o fato de que elas estão cada vez mais em alta nas pistas do mundo. Falo das peruas, nome que nós, brasileiros, demos às station wagons, estates, breaks, carrinhas ou como mais são chamadas nos diferentes países. Se formos pensar com a lógica, só mesmo razões de mercado para explicar que modelos mais compridos, mais pesados e normalmente dotados de uma aerodinâmica mais desfavorável encarem sedãs e hatches na tentativa de vencê-los. No fundo é isso mesmo, mas, com a evolução da tecnologia e dos materiais e a invenção do tal do “Balance of Performance”, que tira peso daqui e acrescenta ali; limita a cavalaria de um lado e libera do outro, ficou mais fácil equilibrar as coisas.

Ainda mais quando você tem um modelo como a Civic Tourer, que, com linhas bastante favoráveis – mais parecia um hatch esticado – chegou a vencer corridas no BTCC, o Inglês de Turismo. Que, nos anos 1990, foi palco da estreia das peruas Volvo 850 alinhadas pela equipe de Tom Walkinshaw e comandadas por Rickard Rydell e Jan Lammers.  E que hoje tem Jason Plato, Colin Turkington (dois ex-campeões). Warren Scott e James Cole no comando de quatro peruas Subaru Levorg, desenvolvidas sob o conceito dos New Generation Touring Cars (NGTC).

E antes que você pense que é maluquice britânica. saiba que a divisão esportiva da Seat Italia resolveu preparar uma versão ST de seu León Cupra para encarar o Italiano de Turismo na categoria TCS (quase um Grupo N, com um mínimo de modificações possível). E espera, além de mostrar que ela encara a briga, vender alguns exemplares a times privados.

Como eu não poderia deixar o Brasil de fora, por aqui teve perua acelerando também, nos autódromos e fora deles, em ambos os casos criações da Fiat. Houve uma Marea Turbo montada para encarar as Mil Milhas, nos bons tempos em que eram disputadas regularmente, e houve outra que eu conheci bastante de perto (e registro uma imagem, de qualidade mais ou menos), uma Palio Weekend Adventure 16V montada no ano 2000 para encarar o Mineiro de Rally. Com quase 120 quilos a mais do que o Palio 4p e uma distribuição de peso nada ideal, ainda fez bonito nas mãos de Eduardo Zenóbio e Marcus Tucano, mas não dava para vencer provas. E ganhou um apelido carinhoso que fazia todo o sentido, era a “Popozuda”. De todo modo, é diferente, chama a atenção e mostra que é bom um bocado de diversidade nos grids. Sim, abram alas pras peruas…

LeonSW

 

civictourer-278   Adventure

Quando a porca torce… a Nascar

Primeiro ponto: Tony Stewart é daqueles caras que falam o que pensam e tem o estopim inversamente proporcional ao currículo de vitórias e títulos. Dito isso, não dá para discordar das críticas feitas pelo tricampeão da Nascar a algo que se tornou corriqueiro, por decisão da própria organização. Eu explico, se você ainda não viu ou leu sobre o assunto: numa tentativa de se modernizar e economizar, os fiscais que ficavam ao longo do pitlane controlando as operações nos boxes de cada um dos 40 (eram 43) carros foram substituídos por câmeras, monitoradas em uma sala de controle. O que seria normal, não fosse o fato de que agora não há como flagrar quem resolveu prender os pneus com quatro porcas, em lugar das cinco existentes em cada roda. É aquela história: as regras proíbem, mas, se não dá para provar, não há irregularidade. E a partir do momento que um faz, todos fazem, para não perder décimos de segundo preciosos.

Eis que “Smokey”, que voltava em Richmond depois de se recuperar das fraturas em uma estripulia num buggy fora de estrada disse algo que parecia óbvio – tudo ficará muito interessante até que uma roda não suporte a carga extra e voe nas arquibancadas, ou direto rumo a um concorrente, provocando aqueles estouros de boiada no meio do pelotão popularmente conhecidos como “Big Ones”. Em vez de admitir que errou, a Nascar preferiu multar o piloto/dono de equipe em US$ 35 mil por comentários desrespeitosos, imaginando que a pilotada ficaria quieta e aceitaria sem questionar. Apenas Greg Biffle também abriu a boca, mas a resposta veio devastadora: a associação dos pilotos resolveu bancar o pagamento do valor, endossando o que Stewart afirmou. Ah, e ele sugeriu que, em pleno século XXI, fosse adotado o uso de rodas com um cubo central, como nas principais categorias de monopostos.

E o que faz a organização? Baixa um memorando reforçando que times flagrados com rodas presas apenas por quatro porcas serão exemplarmente punidos, especialmente nas vistorias pré e pós-corrida. Aí começam os problemas. Basta largar e chegar com todas as porcas nos lugares certos e nada acontecerá. Porque durante as paradas os próprios oficiais do campeonato admitem que não podem agora reforçar a fiscalização. E se alguém for flagrado, com certeza sairá dedurando outros, e mais outros, e será uma guerra de acusações e punições. Sem contar que a TV vai, aleatoriamente, mostrar um ou outro culpado, mas certamente não todos.

Rodas de cubo único? Aí vem aquela história de que a categoria é tradicional, evolui lentamente, não é algo para agora. Resumo da ópera: as equipes vão continuar esperando por brechas para agir, quem manda vai tentar fiscalizar, até que aconteça o que previu o multado Stewart. Aí, como ele mesmo lembrou, será tarde demais…

nascarlugs

Tão boa quanto a anterior (agenda da velocidade)

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Quem se ligou na agendinha da velocidade da semana passada deve ter vivido horas e horas de pegas diante da tela, seja do computador, seja da TV, já que eventos de qualidade não faltavam – ficava difícil até escolher o que acompanhar. Pois o fim de semana seguinte, este de feriado prolongado, não fica devendo em nada, Fórmula 1 e endurance à parte. Mas se há um Mundial que sai da programação e da agenda, também há os que entram, o que garante emoção de sobre pelos quatro cantos do mundo, onde haja rodas e motor. O WRC está aqui do lado, na impressionante etapa argentina em Córdoba (Villa Carlos Paz, para ser mais exato); o WTCC desembarca num Hungaroring de asfalto novo, ao lado do Europeu de F-3 e da Fórmula 3.5 V8. E a Fórmula E se exibe num cenário sensacional, novidade para o esporte a motor (ainda que elétrico), que são as ruas de Paris. A Blancpain Endurance Series é talvez o penúltimo grande campeonato a dar a partida (falta o DTM), enquanto a Moto GP se sente em casa com o GP da Espanha (na verdade, um dos quatro), em Jerez de la Frontera.

Por aqui… não é exatamente por aqui, já que a Porsche GT3 Cup/Challenge atravessa a fronteira para acelerar no desafiador traçado de Termas de Río Hondo, em solo argentino. Mas também tem Top Kart Brasil em Santa Catarina e o Rally RN 1500 levantando poeira no Rio Grande do Norte.

Internacional

Mundial de Rally (WRC): quarta etapa – Rally da Argentina

Mundial de Turismo (WTCC): terceira etapa – Hungaroring (HUN)

Mundial de Moto GP: quinta etapa – GP da Espanha (Jerez de la Frontera)

Fórmula E (2015/2016): sétima etapa – Paris

Blancpain GT Endurance Series: primeira etapa – Monza (ITA)

Verizon Indycar Series: quarta etapa – Barber Motorsports Park

Nascar Sprint Cup: nona etapa – Toyota Owners 400 – Richmond

Nascar Xfinity Series: oitava etapa – Toyotacare 250 – Richmond

Europeu de F-3: segunda etapa – Hungaroring (HUN)

Fórmula 3.5 V8: segunda etapa – Hungaroring (HUN)

TCR International Series: segunda etapa – Estoril (POR)

Euroformula Open: primeira etapa – Estoril (POR)

GT Open: primeira etapa – Estoril (POR)

Sul-Americano de Fórmula 4: segunda etapa – El Pinar (URU)

 

Nacional

Top Kart Brasil: etapa Santa Catarina (Kartódromo Arena Sapiens):

Porsche GT3 Cup/Challenge: segunda etapa – Termas de Río Hondo (ARG)

Brasileiro de Rally Cross-Country: segunda etapa – Rally RN1500

 

Na telinha

Sábado (23)

7h30     Mundial de Moto GP: treinos oficiais – GP da Espanha            Sportv

12h30    Fórmula E: etapa de Paris                                             Fox Sports 2

13h40    Nascar Xfinity Series: etapa de Richmond                         Fox Sports 2

 

Domingo (24)

6h      Mundial de Moto GP: GP da Espanha (Moto 3/Moto 2/Moto GP)          Sportv

14h30   Nascar Sprint Cup: etapa de Richmond                      Fox Sports 2

16h      Indycar Series: GP do Alabama                                      Bandsports

A saga dos goleiros velozes, parte 338,5

Quem é leitor habitual do blog sabe que eu já andei falando de figuras como Santiago Cañizares e Pato Abbondanzieri que, quem gosta de futebol sabe que ganharam a vida embaixo das traves, evitando gols alheios. E os posts versavam sobre automobilismo, porque tanto um quanto o outro andaram acelerando nas pistas e estradas do mundo. E não são os únicos. Lógico que já comentamos também a saga do mais famoso do grupo, um certo Fabien Barthez que, título mundial na mão, já podia se dar por satisfeito, mas resolveu mostrar que poderia ser piloto dos bons. No embalo de sua estreia no comando de um protótipo LMP2, que não é uma máquina qualquer, na etapa de abertura da European Le Mans Series (ELMS), trago ainda outro ex-goleiro que começa a dar seus primeiros passos de macacão e capacete, sem entender qual o fascínio que faz com que haja muito mais ex-atletas da posição do que atacantes e zagueiros correndo.

Barthez ainda é, para efeito de classificação no ranqueamento da FIA, um gentleman driver. Mas alguém que já foi campeão francês de GT (com uma Ferrari 458) e se diverte hoje no comando de um Ligier-Nissan de 600cv com tempos mais que razoáveis em Silverstone está longe de ser um amador. Mesmo porque o carequinha resolveu juntar forças com Olivier Panis e criar um time (Panis Barthez Competition) que ainda alinha um LMP3 na mesma série. E não fosse um insistente problema elétrico que complicou a vida dos companheiros de equipe do ex-goleiro e o lugar no pódio estava assegurado – e olha que o nível da competição este ano está mais alto do que nunca.

Pois na Itália, um guarda-metas (sim, isso mesmo) de menor expressão internacional, mas que chegou a defender o Chelsea na Champions League de 2003, resolveu se transformar em piloto de rali. Marco Ambrosio, de 42 anos, se destacou na Sampdoria, jogou ainda por Atalanta, Verona, Chievo e Grasshoppers. E, na primeira etapa do Italiano, se inscreveu na prova regional (mais curta), com um Peugeot 208 R2, registrando tempos bastante promissores, que reforçaram a vontade de seguir brincando de forma séria. O hoje preparador de goleiros do Brescia explica que a paixão vem da infância, dos tempos em que acompanhava o pai na beira das estradas para ver a passagem dos ralis por sua região. “No meu quarto eu tinha tanto os pôsteres dos grandes jogadores da época quanto dos pilotos. Acabei seguindo no futebol, mas era algo que sempre quis fazer. E entendo que é preciso encarar o rali com humildade, degrau a degrau, que é como pretendo fazer até ganhar maior experiência.”

E o proprio Ambrosio encontra uma explicação interessante para o fato de ele e tantos goleiros se deixarem seduzir pela velocidade de verdade. “Para andar a 150km/h no meio de casas e muros é preciso uma bela dose de inconsciência. E o que você acha que leva um cidadão a querer atuar no gol, levando chutes e tendo que impedir que a bola entre? É muito parecido…”

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Imagem (9)

Os dois lados de uma corrida (Coluna Sexta Marcha – GP da China)

F1CHI

A escolha do lap chart, a sequência volta a volta do GP da China, para ilustrar a coluna, não se deu por acaso. Talvez ela seja a imagem mais emblemática do que aconteceu em Xangai e do que vem sendo a tendência na temporada do Mundial de Fórmula 1. No domingo de forma ainda mais clara e indiscutível do que na Austrália ou no Barein. É possível analisar o que foi a prova pela linha azul clara da primeira posição, que não se altera, ou pelas demais, que fazem da tela uma maluquice de linhas se cruzando até que se tenha finalmente o panorama da bandeirada. E, no fim das contas, tanto uma quanto outra forma de enxergar acabam levando ao mesmo caminho: o de que se há emoção, não é pelo equilíbrio do campeonato em si, mas por uma série de fatores.

Imagine comigo, amigo leitor, se Lewis Hamilton tivesse largado mais à frente (não digo nem na primeira fila); não tivesse sido tocado na largada e, na pior das hipóteses sossegasse no terceiro lugar? Sim, porque tanto Sebastian Vettel quanto Daniel Ricciardo acabaram tendo sua cota de problemas e um deles, se tudo tivesse saído conforme o figurino, poderia ter se mantido à frente do tricampeão, embora a quilômetros do vencedor, o da linha verde.

“Ah, mas no pelotão do apetite, na meiúca da classificação, teria sido esse passa e repassa de qualquer modo”, você poderia argumentar. Aí eu volto na coluna sobre o GP do Barein e junto o que foi dito por um certo Felipe Massa, que correu como zagueirão de várzea protegendo a posição de Hamilton. Ele lembrou que a farra das ultrapassagens só ocorre porque a diferença entre os compostos de pneus é absurda. E, num traçado com duas longas retas em que o DRS é acionado, não tem braço com pneu médio que segure um rival com pneu macio ou supermacio. Passa sim, e vai embora. Não se trata de disputa por posição, se trata de abrir caminho, até sem fazer muita força.

Por essas e outras é que eu pergunto: adianta para o espetáculo? É essa maravilha que quem promove a categoria está tentando vender? Está refletindo o equilíbrio de forças na categoria ou acaba premiando quem tem sorte para escapar dos bicos alheios e quem apostou nos pneus certos? E além disso, vai adiantar para aproximar os adversários das Mercedes, ou fazer de uma Williams ou Toro Rosso candidata a vitória?

Confesso que a primeira vontade é responder não para todas – apenas no caso da segunda pergunta é que valeria tanto uma coisa quanto a outra. Felizmente, já que falamos de F-1, não de gincana do bairro, o melhor ainda é quem tem ido ao alto do pódio, e está claro que, na esteira das Flechas de Prata estão Ferrari, Red Bull, Williams e Toro Rosso, por enquanto nessa ordem. Por outro lado, tem muita gente perdendo pontos e oportunidades sem merecer, por culpa de um motor caprichoso ou de um rival animado em excesso (não, Daniil Kvyat não exagerou na disputa da primeira curva, Vettel é que não quis se indispor com o companheiro e botou a culpa de um incidente de corrida no russo).

A continuar assim, apenas em Mônaco, onde não se passa, é que o braço poderá compensar um pneu mais rápido e novo do adversário e, na minha humilde e modesta opinião, não é assim que se dá graça ao circo. Eu estou descobrindo que corridas com 80, 100 ultrapassagens, podem ser tão insossas ou enganadoras quanto aquelas provas sonolentas que não deixam saudade. E já me dá quase vontade de falar que também a regra dos pneus deveria continuar parecida com a do ano passado, tal como a qualificação. Como passaram 3 de 21, ainda é o caso de dar tempo ao tempo, mesmo porque a tendência é que as apostas na estratégia passem a ser cada vez menores tão logo pilotos e times saibam exatamente o que podem esperar do equipamento. Mas eu estou pra dizer que o que é demais – até ultrapassagem – enjoa.

Efeito contrário

Essa não fui eu quem disse, mas li e achei perfeita – e olha que o comentário foi feito antes da prova chinesa. O comendador Enzo Ferrari costumava dizer que um piloto ficava meio segundo mais lento a cada filho. Pois Nico Rosberg resolveu provar o contrário e, embora falte muito pra transformar isso no título, vem mantendo o aproveitamento total há seis GPs. A continuar assim, logo a família volta a crescer, e, se vierem gêmeos, tanto melhor.

Quer agenda melhor que essa?

WEC

Lembra do que eu falei na agenda da semana passada sobre o que viria sete dias depois? Pois é, basta dar uma olhadinha na lista para entender que tem do bom, do melhor e mais alguma coisa até o domingo. Que tal quatro mundiais ao mesmo tempo – F-1, WRC, WTCC e Rallycross? E entre eles, sem dúvida que a novidade é a Endurance, que ganha a pista para enfim abrir a temporada, em Silverstone, com Toyota e Audi prometendo ameaçar novamente a hegemonia da Porsche. E quer saber do melhor? A corrida será transmitida na íntegra pelo site VeloxTV (www.veloxtv.com.br). Aliás, menção honrosa para o RX, que dá a largada em Montalegre com a promessa de disputa sensacional entre o bicampeão Petter Solberg, sua majestade Sebastien Loeb e Ken Block, apenas para citar os mais conhecidos.

Do outro lado do Atlântico, Long Beach é o point, com Indy e o United Sportscar como principais atrações na Mônaco californiana. E ainda temos Nascar no quase inacreditável “estádio” de Bristol, com apenas meia milha, ainda por cima em concreto. Não dá pra reclamar, né?

Por último, ainda que não tenha qualquer relação com a velocidade, vai aqui um pedido encarecido: qualquer que seja sua posição em relação aos destinos do Brasil, mantenha a calma, evite a discussão acalorada, vá pela troca de ideias e ideais civilizada, respeite todas as diferenças e opiniões. E tenha a certeza de que, o que quer que aconteça em Brasília, corrupção, inflação, desigualdade, crise, desrespeito não vão deixar de existir por milagre. Temos de seguir cobrando, fiscalizando, exigindo, e o peso da lei deve valer para todos os que pisaram na bola, independemente de partido político, orientação ou cargo, seja com A ou B no comando.

Internacional

Mundial de Fórmula 1: terceira etapa – GP da China (Xangai)

Mundial de Endurance (FIA WEC): primeira etapa – 6h de Silverstone

Mundial de Rallycross (FIA RX): primeira etapa – Montalegre (POR)

Mundial de Turismo (FIA WTCC): segunda etapa – Slovakiaring (SLO)

Europeu de Turismo (ETCC): segunda etapa – Slovakiaring (SLO)

European Le Mans Series (ELMS): primeira etapa – Silverstone

Verizon Indycar Series: terceira etapa – GP de Long Beach

Weather Tech United Sportscar: terceira etapa – Long Beach

Nascar Sprint Cup: oitava etapa – Food City 500 (Bristol)

Nascar Xfinity Series: sétima etapa – Fitzgerald Glider Kits 300

Fórmula 3.5 V8: primeira etapa – Motorland Aragón (ESP)

Renault RS01: primeira etapa – Motorland Aragón (ESP)

Europeu de Fórmula Renault: primeira etapa – Motorland Aragón (ESP)

V8 Supercars: sexta etapa – Phillip Island

 

Nacional

Brasileiro de Rally (Velocidade): segunda etapa – Rally de Estação (RS)

Mineiro de Kart: segunda etapa – Kartódromo RBC Racing (Vespasiano)

 

Na telinha

Sábado (16)

0h55        Fórmula 1: GP da China (treino livre)                 Sportv

3h55        Fórmula 1: GP da China (treino oficial)                 Sportv (*)

  • Q3 transmitido também pela Globo

13h30       Nascar Xfinity Series: etapa de Bristol                Fox Sports 2

20h05       United Sportscar: etapa de Long Beach             Fox Sports 2

 

Domingo (17)

3h           Fórmula 1: GP da China                                           Globo

8h           FIA WEC: 6h de Silverstone                                    Veloxtv (www.veloxtv.com.br)

14h     Nascar Sprint Cup: etapa de Bristol                Fox Sports 2

17h15 Verizon Indycar: GP de Long Beach                Bandsports

 

Repetir o erro é burrice

Primeiro foi a Fórmula 1, com a ideia de movimentar os treinos de qualificação que se revelou um desastre no tempo de dois GPs – e agora começam a surgir dúvidas sobre a real eficiência das medidas previstas para 2017 e a ideia de limar até três segundos por volta, em média, com pneus mais largos e aerodinâmica mais eficiente. O problema é quando a coisa se repete em outra categoria completamente diferente e o caminho pode ser o fracasso total. Estou falando do WRC, que ano que vem também passará por uma chacoalhada técnica, com carros mais largos (taí um esboço do VW Polo), mais potentes e, na teoria, mais espetaculares.

polo2017

Só que… os primeiros testes com modelos 2016 adaptados às novas regras mostraram que os carros efetivamente estão mais rápidos e, por outro lado, mais estáveis. Quem andou, caso do bicampeão Marcus Gronholm, diz que eles parecem andar sobre trilhos, de tão equilibrados. Ora, nós estamos falando de uma modalidade em que derrapar não ajuda a ser mais rápido (na maioria dos casos), mas ajuda as provas a ficarem mais espetaculares. E outro problema da série “como ninguém pensou nisso antes” apareceu. Diz o regulamento FIA que a média horária de uma prova especial não pode superar os 120km/h, o que, em alguns casos, é velocidade que chega, considerando os trechos muito travados, as freadas constantes e quebras de ritmo. Trata-se, acima de tudo, de uma determinação de segurança.

Pois ralis como o da Finlândia, em que as especiais (na terra) já são velocíssimas, começam a temer pela integridade das duplas e do público, já que os carros passarão ainda mais rápido. E capotar a 230 km/h em meio a uma floresta de eucaliptos imensos não deve ser uma experiência agradável. Haverá duas formas de encarar a situação: ou se parte os trechos em dois ou três e boa parte de sua magia se perde ou se age no desempenho dos carros para evitar uma potencial carnificina. Sei que pode ser tarde para revolucionar a revolução, mas é bom agir antes do que ter que consertar a bobagem depois, como a F-1 acabou de ensinar

Muito por aqui e um bocado lá fora (agenda)

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Diante do que está previsto para as pistas pelo mundo para o próximo fim de semana, a parte internacional da agenda está até modesta, o que está longe de dizer que faltam eventos de qualidade. De Mundial mesmo só a Moto GP, em Austin (EUA), mas a Super GT japonesa inicia seus trabalhos em Okayama – e por isso o infográfico da Nissan, atual campeã com a dupla do #1, e que tem o paulista João Paulo de Oliveira como um de seus destaques. Em Misano, começa a série sprint do Blancpain GT, que é um mundialito da categoria, mas não um Mundial, como teve gente querendo fazer crer. E a Nascar faz a festa noturna em Fort Worth, no Texas, onde uma vez a extinta ChampCar iria acelerar, mas os pilotos saíram passando mal do traçado tamanha a Força G e a prova acabou cancelada.

E se lá fora as corridas não são muitas, aqui felizmente elas sobram, sempre comandadas pela dobradinha que reboca o esporte a motor no país – categorias da Vicar no Velopark, em Nova Santa Rita (RS), e F-Truck se despedindo de Curitiba. Bom é constatar que a F-3 tem 16 inscritos sem precisar de sobrenome famoso para ganhar notoriedade e pilotos – hoje é um campeonato forte, profissional e equilibrado, com custos dentro do aceitável para a nossa realidade. A série de Marcas também começa, sem Rubinho Barrichello, mas com nível técnico mais que razoável e promessa de bons pegas. Semana que vem tem mais, muito mais, com a situação invertida. Por aqui pouco, mas lá fora um bocado de coisa boa…

Internacional
Mundial de Moto GP: terceira etapa – GP dos EUA (Austin)
Blancpain GT Sprint Series: primeira etapa – Misano Adriatico (ITA)
Nascar Sprint Series: sétima etapa – Duck Commander 500 (Texas Speedway)
Nascar Xfinity Series: sexta etapa – O’Reilly 300 (Texas Speedway)
Super GT: primeira etapa – Okayama

Nacional
Brasileiro de Stock Car: segunda etapa – Velopark (RS)
Brasileiro de Marcas: primeira etapa – Velopark (RS)
Brasileiro de Fórmula 3: primeira etapa – Velopark (RS)
Brasileiro de Turismo: segunda etapa – Velopark (RS)
Brasileiro de F-Truck: segunda etapa – Curitiba
Brasileiro de Enduro FIM (velocidade): segunda etapa – Patrocínio (MG)
Mitsubishi Cup: primeira etapa – Mogi-Guaçu

Na telinha

Sexta (8)

21h20           Nascar Xfinity: O’Reilly 300                        Fox Sports2

Sábado (9)

14h                Brasileiro de Stock Car (treino oficial)        Sportv

15h10           Mundial de Moto GP (treinos oficiais Moto3/Moto2/Moto GP)              Sportv 3

20h30           Nascar Sprint: Duck Commander 500        Fox Sports2

Domingo (10)

12h30            Brasileiro de Stock Car (etapa do Velopark)        Sportv

12h55            Mundial de Moto GP (GP dos EUA)              Sportv2

13h                Fórmula Truck: etapa de Curitiba                Band

E o rally volta ao princípio, e logo onde…

Quando se fala em rally hoje, a primeira coisa que vem a cabeça é a corrida feroz contra o cronômetro, levantando poeira, saltando ou botando o carro de lado, numa disputa decidida em segundos. Quase ninguém lembra que a história começou em estradas abertas à circulação e com o formato de regularidade – o desafio era seguir a média estipulada pela organização, com pontos perdidos para quem se adiantava ou atrasava em relação ao tempo ideal. E no Brasil, por um bom tempo, nas décadas de 1970 e 1980, a regularidade era quem mandava, com patrocinadores fortes, envolvimento das montadoras e números impressionantes de praticantes, especialmente no Rio Grande do Sul.

Os Estados Unidos sempre foram um caso a parte – a modalidade não pegava nem por decreto, embora o país tenha recebido o WRC, nos tempos do Rally Olympus, em Washington. Mas as disputas nacionais eram restritas e de pouco apelo. Até que figuras como Ken Block, Travis Pastrana e o inglês David Higgins e a participação de times oficiais de Subaru, Honda e Ford movimentou a coisa e fez a turma da terra do Tio Sam se interessar mais pela brincadeira – você leu aqui que Rhys Millen desenvolveu uma Toyota RAV4 para medir forças com modelos bem menores.

Pois outro fenômeno que cresce a cada dia lá em cima é a história do grassroots motorsport, o automobilismo praticado por pessoas comuns, com carros antigos, simples e algumas vezes sem qualquer modificação específica. Diversão para famílias inteiras, sem gastar praticamente nada. E quem concentra as competições ditas de base é o Sports Car Club of America, ou SCCA. E sabe qual a modalidade que mais ganha espaço no calendário do clube? Sim, ele mesmo, o bom e velho rali de regularidade. No modo mais simples possível, sem uso de GPS ou tecnologias caras. Usa-se estradas regionais de belos visuais, basta um carro de rua emplacado e há vários tipos de disputa – daquela tradicional, que exige andar na média exata, às que obrigam as tripulações a passar por determinados pontos; ou ainda envolvem tarefas e perguntas. Há provas em praticamente todos os estados e para todos os gostos. E não deixa de ser um trampolim para as competições ditas profissionais e o rally de velocidade: se um entre 100 pilotos e navegadores resolver seguir adiante e dar voos mais altos, já teremos gente nova de sobra nos campeonatos principais. Se é simples, barato e atrativo, tem mesmo que dar certo – o curioso é que ocorra num dos países de maior profissionalismo no esporte sobre rodas…

 

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